sábado, 5 de novembro de 2016

357 - Estudos no Livro de Eclesiastes.

Eclesiastes na Contramão da Sabedoria Tradicional





Introdução
Coélet representa o lado cético da sabedoria israelita. Ele não rejeita o movimento da sabedoria, mas desafia algumas de suas mais estimadas crenças. Ele acredita em Deus e no temor de Deus (3.14; 5.6) e em um código ético e no julgamento divino do comportamento humano (11.9); e, tal qual seus contemporâneos, não aborda a questão da vida após a morte (9.10).
Ele compartilha com os sábios algumas crenças: Deus concede tudo no tempo oportuno (3.1-11); Deus concede a habilidade de desfrutar (2.25-26, etc.); o que Deus decretou não se pode mudar (1.13; 3.14-15; 6.10; 7.13; 11.3); a insensatez de muitas palavras 4.17-5,6; 6.11; 10.12-15); e, se eles não são sua criação, ele endossa um número de provérbios tradicionais (1,18; 4,5-6,9-12; 5,7-11; 6,9; 7,7-12; 9,17-10,1; 10,8-11,4; 11,7).

Experiências de “Tenda”
A luta de Coélet é com qualquer teologia que ignore a experiência de vida, “tenda”, desse modo, a se tornar irreal. Assim ele ataca as declarações simplistas da tradicional teologia da retribuição (3.16-18; 7.15; 8.12-14; 9.1-3) porque a mesma não se ajusta à experiência; Deus julga, mas como isto funciona é um mistério.
Ele ataca declarações verbais sem fundamentos sólidos sobre as vantagens da sabedoria, porque a experiência mostra que a mesma sorte vem sobre o sábio tanto quanto sobre o tolo (2.13-16; 9.1-3.11), porque o sábio não pode predizer o futuro (3.22; 6.12; 8.7; 9.1-11,6) especialmente a época de infortúnio (9.12), e porque a sabedoria é vulnerável a uma pequena dose de insensatez (9.13-10). Tampouco ele é otimista sobre o sucesso da busca humana pela sabedoria (1.13-18; 3.11; 7.13; 8.17; 11.5). Ele rejeita os conselhos que recomendam focar-se na morte e na adversidade (7.1-14), evitar extremos éticos (7.15-24), e conselho que recomenda obediência simplista à autoridade (8.1-14), porque a experiência indica que estas não são posturas louváveis.
Coélet rejeita a ênfase da tradição da sabedoria na diligência, se isto significar total absorção no trabalho, visto que, tal trabalho febril rouba a alegria das pessoas (2.22-23; 4.7-8; 5.11,16), porque as perspectivas do êxito do trabalho são duvidosas (3.1-11), porque o destino da riqueza acumulada é incerto (2.18-21; 4.7-8; 5.12-16), e porque a labuta não traz nem o lucro, nem o progresso, nem a novidade, nem tampouco a lembrança (1.3-11). Coélet não acredita na preguiça, mas acredita que uma mão repleta de trabalho árduo e uma outra cheia de descanso são melhores do que duas mãos tomadas de labuta (4.5-6).

Natureza Transitória da Vida
Tremendamente impressionado pela natureza transitória (vaidade) de todas as coisas, ele acredita que o pleno regozijo é, na vida, o item a ser focado, e não uma desenfreada perseguição pelo luxo, porque não vale a pena o trabalho envolvido nisso (2.1-11), mas uma aceitação das alegrias normais que Deus considera apropriadas para nos dar (afirmado sete vezes no livro, 2.24; 3.12, 22; 5.17; 8.15; 9.7-9; 11.9-10). Aprecie o dia bom e aceite o dia mau como Deus dando variedade, de modo que não se pode encontrar culpa nele (7.14). Aprecie o que está à mão e não anseie pelo que é inalcançável (6.9). Participe da vida com vivacidade (9.10); providencie para o futuro (11.1); mantenha várias opções em face da incerteza (11.2); não seja demasiadamente cauteloso (11.4); e aproveite enquanto puder, porque a idade avançada e a morte estão chegando (11.7-12.8).

O Trabalho Árduo é Arriscado (3,1-4,6)
Coélet afirma que tudo tem um tempo estabelecido (1-8). Ele imediatamente aplica o poema ao contínuo tópico da labuta (v. 9). Não há nenhum lucro na labuta porque Deus reservou um momento para todas as coisas, mas não equipou seres humanos com a habilidade de determinar os tempos apropriados para sincronizar com eles. A labuta é então arriscada, porque pode não resultar em nada (vv. 10-11). Ele conclui mais uma vez em favor da felicidade, recordando uma vez mais que esta é um presente (12-13) e que o que é, é, e que não há nada que se possa fazer para mudá-lo (14-15).

Conclusão
Ideias de temor, de mandamentos e de julgamento não é o foco de Coélet, ele discute o problema concreto de como especificamente deve-se conduzir a vida.  

Bibliografia
CAMPOS, Haroldo. Qohélet – o que sabe: Eclesiastes. São Paulo: Perspectiva, 1991.
RAD, Gerhard von. Teologia do Antigo Testamento. 2. ed. São Paulo: Aste; Targumim, 2006.
SHREINER, Josef. Palavra e Mensagem do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004.
VERAZ, Lilia Ladeira. Um primeiro contato com o livro do Eclesiastes ou livro Coélet. RIBLA 52. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. p. 119.
VV. AA. Os Salmos e os Outros Escritos. São Paulo: Paulus, 1996.  
WESTERMANN, Claus. Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Academia Cristã, 2005.
WOLFF, Hans Walter. Bíblia Antigo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003.



David Rubens de Souza
https://biblicoteologico.blogspot.com.br/
Novembro 2016


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