sexta-feira, 10 de agosto de 2018

426 - VIII Congresso Internacional da ABIB - 2018,




VIII Congresso Internacional de Pesquisa Bíblica (27 a 30 de Agosto de 2018 – PUC-Paraná, Curitiba).


Conferencistas

John M. G. Barclay (nascido em 1958), Lightfoot Professor of Divinity, Department of Theology and Religion, Durham University (Reino Unido). Ele é, na atualidade, um dos principais pesquisadores nas questões centrais da Teologia Paulina.









Carlos Gil Arbiol (nasceu em Tudela, Navarra, 1970): realizou seu mestrado em Teologia Bíblica na Universidade de Deusto, na Espanha (1995-1997). Completou os estudos de Doutorado em Jerusalém (1997-1998) e na Universidade de St. Andrews, Escócia (1999-2000) e defendeu a tese doutoral em Teologia Bíblica na Universidade de Deusto (2001) com o título “La autoestigmatización en el movimiento de Jesús. Ensayo de exégesis socio-científica” (A autoestigmatização no movimento de Jesus: ensaio de exegese sócio-científica). 
Atualmente é Professor Titular de Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Universidade de Deusto, Espanha.


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

425 - Dicionário de Monoteísmos: Judaísmo - Cristianismo - Islã: Cyrille Michon; Denis Moreau.



Judaísmo, cristianismo, islamismo: cerca de 3,5 bilhões de pessoas, ou seja, metade da humanidade, professam sua fé a um desses três "grandes monoteísmos". Quarenta, vinte e treze séculos modelaram corpos doutrinais bem identificáveis em cada uma dessas três tradições: a partir das Escrituras sobre as quais se fundamentam, o trabalho de inumeráveis pensadores de todas as categorias e horizontes elaborou a "teologia" dessas religiões, isto é, uma reflexão de inegável riqueza sobre o mundo, o ser humano e Deus.
Com o objetivo de fornecer uma compreensão sintética, o presente dicionário expõe o conteúdo dessa reflexão em artigos centrados nas noções constitutivas de seus ensinamentos. De Abraão à Unicidade de Deus, passando por Amor, Calendário, Fé, Jihad, Providência ou Ressurreição, esta obra redigida por especialistas renomados contribui para reduzir o desconhecimento e permite a descoberta de semelhanças e diferenças dos patrimônios religiosos dos quais somos - adeptos, adversários ou indiferentes - herdeiros e contemporâneos.
Uma cronologia e índices detalhados completam esta ferramenta única em seu gênero, ao mesmo tempo precisa, palatável e indispensável aos que, de uma maneira ou de outra, se interessam pelo “fato religioso”.

Cyrille Michon: professor de filosofia na Universidade de Nantes.
Denis Moreau: professor de filosofia na Universidade de Nantes.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

424 - Romano Penna. Livros: Paulo de Tarso; Ceia do Senhor. Lançamento Loyola 2018.




Paulo de Tarso a Roma

À parte a falsa insinuação de antifeminismo, uma série de preconceitos sempre impediu uma compreensão mais objetiva de Paulo de Tarso por parte da opinião pública. No plano intelectual, pesou sobre ele a hipoteca posta por Friedrich Nietzsche - que o transformou no verdadeiro fundador do cristianismo. A própria Igreja católica preferiu transmitir a imagem do missionário comprometido, com prejuízo, porém, do pensamento incômodo que se encontra em suas cartas.
O verdadeiro Paulo - um judeu convicto que se tornou apóstolo de Jesus Cristo - é filtrado por aquilo que ele mesmo revela ser em seus escritos. Portanto, é importante investigar as características desse homem: suas origens, sua formação cultural, suas experiências e travessias, suas perseguições e, sobretudo, seu pensamento, que nunca cessa de surpreender os superficiais ou os medrosos e de fecundar salutarmente na linha da liberdade quem se deixa honestamente impregnar por ele.


A Ceia: Dimensão Histórica e Ideal

Por que os primeiros cristãos começaram a repetir semanalmente a Última ceia de Jesus? Que valor davam a esse encontro? Como e por que se começou a chamar de Eucaristia o que inicialmente era "Ceia do Senhor"? Por que a "liturgia eucarística" precedia a "liturgia da Palavra"? Que relação existia entre Batismo e Eucaristia?
Baseado em uma difícil mas convincente análise de textos religiosos e dos contextos sociais, o autor sintetiza neste ensaio suas respostas originais. Ele reconstrói o panorama heterogêneo das práticas celebrativas das primeiras comunidades cristãs, valorizando as diversidades de ambientes, de testemunhos e de reflexões teológicas, todas caracterizadas pela total ausência de categorias sagradas.
Para os fiéis em Cristo, o importante não é apenas o momento de uma prática cultual, mas, mais ainda, o dado de uma vida de comunhão, conduzida nos padrões da fé e de sólida ligação com Jesus Cristo, nascida com o Batismo. Essa primeira imersão em Cristo renova-se e nutre-se graças à Eucaristia, de modo a se tornar fonte de uma comunhão fraterna igualmente sólida, vivida na vida concreta "até que ele venha".


Romano Penna
Nascido em Castiglione Tinella (Cuneo), é professor emérito do Novo Testamento na Universidade Lateranense e professor convidado na Universidade Gregoriana, na Faculdade Teológica de Florença, na Universidade de Urbino e no Studium Biblicum de Jerusalém. Publicações por Edições Loyola: A formação do Novo Testamento em suas três dimensões e Paulo - De Tarso a Roma.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

423 - Pedro Lima Vasconcellos. Livros: teologia, ciências da religião, história.



Doutorado em Ciências Sociais: Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004), Livre-Docência em Ciências da Religião pela mesma universidade (2009) e Pós-Doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2016). Professor Adjunto da Universidade Federal de Alagoas.








Lendo o Evangelho Segundo João

Nos primeiros séculos, o Evangelho segundo João foi visto com suspeita por alguns grupos cristãos e com entusiasmo por outros. A reflexão da obra produziu polêmica e divisões alimentadas por leituras e interpretações divergentes sobre questões de doutrina e de participação nos rituais comunitários. Só por volta do ano 200, o texto passou a ser aceito mais amplamente, estimulado pela circulação das cartas joaninas, que enfatizavam a realidade da encarnação da Palavra de Deus em Jesus.
As urgências e os dramas do nosso tempo também são muitos e crescentes. O Evangelho segundo João traz elementos inspiradores de práticas ousadas e criativas, que apontam na direção da vida em abundância prometida por Jesus a quem se compromete com sua obra. Mas este comprometimento deve ser radical. Jesus deixou um exemplo exigente, para ser não apenas recordado, mas recriado nas novas situações, diante das novas exigências que a vida no cotidiano vai colocando para a comunidade.


Paulo de Tarso: Um apóstolo para as nações
Pedro Lima Vasconcellos / Pedro Paulo A. Funari

Existiram (e continuam a existir) muitas faces de Paulo de Tarso na consciência ocidental, marcada de forma decisiva pelo cristianismo: o misógino, o apolítico, o inspirador de Lutero... Isso porque esse personagem veio a tornar-se, mesmo sem o pretender, nas tantas oportunidades e contextos em que foi relido, um dos vetores decisivos para o desenvolvimento de um novo movimento religioso, que se desdobrava da vida e da morte de Jesus de Nazaré. Com o apoio de recentes pesquisas de cunho histórico, arqueológico e exegético, Pedro Lima Vasconcellos e Pedro Paulo A. Funari apresentam, em síntese instigante e de fácil leitura, sua percepção dos traços principais da trajetória desse apóstolo, e as características principais de sua ação como missionário em cidades da Grécia e Ásia Menor, criador de assembleias de Jesus, semeador, a seu modo, de valores que diríamos contraculturais, animado por horizontes escatológicos para nós inusitados.


O Vaticano II e a leitura da Bíblia
Pedro Lima Vasconcellos / Rafael R. da Silva

A leitura e o lugar da Bíblia na vida eclesial constituíram um dos temas mais candentes tratados no Concílio Vaticano II, algo que se re­fletiu no longo e tenso processo de redação daquele que alguns consideram o mais importante documento emanado dessa assembleia: a constituição dogmática Dei Verbum. Por um inovador entendimento do teor da revelação divina, ela veio reforçar o movimento de respeito ao texto bíblico e de superação de interpretações que tendiam a fazer da Escritura apenas a confirmação de teses anteriormente definidas, no campo da doutrina e da moral, bem como no das dinâmicas institucionais. Porém, esse vento novo sofreu as investidas de grupos defensores dos que se tomavam como autorizados guardiões da ortodoxia: houve quem nele visse os bafos do Anticristo... Na América Latina, e particularmente no Brasil, sofremos ações contrárias à concretização do entendimento da Igreja povo de Deus e ao compromisso histórico com as causas dos empobrecidos; a tentativa de desmantelamento da teologia da libertação e sua presença nas instituições teológicas; especificamente no tocante à leitura da Bíblia, assistimos ao fortalecimento de caminhos interpretativos na contramão das diretrizes conciliares, de cunho espiritualista, fundamentalista e moralista. No entanto, apesar das investidas e cerceamentos, o novo modo de ler a Bíblia, o estudo exegético e as experiências comunitárias, eclesiais e ecumênicas continuaram o seu curso e, ao longo desses cinquenta anos após o término do concílio, têm fertilizado muitas comunidades, desdobrando-se nas lutas sociais e ações pastorais; continuam crescendo como "flor sem defesa".


Introdução ao Segundo Testamento: Eu vim para que todos tenham vida em plenitude
André Luiz Milani / João Décio Passos / Pedro Lima Vasconcellos / Sylvia Villac

Introdução ao Segundo Testamento integra o elenco da produção teológica da Região Episcopal Brasilândia, cujo objetivo é oferecer, com linguagem acessível, boa formação aos irmãos fiéis de todas as comunidades, pastorais e movimetnos eclesiais. O objetivo dos blocos que compõe esta riquíssima obra é conduzir, pela força do amor, os nossos formandos ao mesmo propósito de Jesus: Eu vim para que todos tenham vida em plenitude.


Como ler a carta aos Hebreus: Um sacerdote fiel para um povo a caminho

Nenhum dos nomes do título tradicional, Carta aos Hebreus, designa adequadamente este escrito enigmático, e muitas vezes mal compreendido. Já se pensou que seria um convite à fuga do mundo e um refúgio nas esperanças pelo céu e pela vida além da morte. Também já se leu esse escrito como uma fundamentação do sacerdócio ordenado. A proposta aqui é percorrer a reflexão proposta por Hebreus do começo ao fim e deixar que ele fale, identificando para nós quais são suas maiores preocupações. E aí se perceberá um texto desafiador, que convoca a comunidade a não abandonar seus compromissos e esperanças, mesmo que isso acarrete perseguições e humilhação. Ela tem em quem se apoiar: Jesus Cristo, o único e definitivo sacerdote. Da mesma forma que ele, que se solidarizou com seus irmãos e irmãs até a morte, a comunidade saberá enfrentar os desafios do momento presente, tendo a certeza de que não cabe apegar-se a seguranças que venham do poder estabelecido ou dos valores impostos à sociedade: ela tem os olhos voltados à cidade bem alicerçada, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus.


Antônio Conselheiro por ele mesmo

Antônio Conselheiro por ele mesmo é um belíssimo box, composto por dois volumes, que irão desmistificar tudo o que você pensa ou conhece sobre esse personagem da história do Brasil. O volume 1, Apontamentos dos Preceitos da Divina Lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a Salvação dos Homens, de autoria do próprio Antônio Conselheiro, conta com uma coletânea de reflexões sobre temas variados, de matiz fundamentalmente religioso, escrito durante a época em que era líder do vilarejo que ele batizou como Belo Monte. O volume 2, de autoria de Pedro Lima Vasconcellos, Arqueologia de um Monumento – Os Apontamentos de Antônio Conselheiro, apresenta um estudo sobre o conteúdo das reflexões de Conselheiro, mostradas no volume 1.







sábado, 21 de julho de 2018

422 - José Comblin. Vida e Teologia.



Vida


José Comblin nasce em 1923, em Bruxelas. Primeiro dos cinco filhos de uma família simples, realiza sua formação básica em humanidades clássicas e, aos 17 anos, entra no Seminário Léon XIII (que havia sido criado pelo Cardeal Mercier para acolher de diferentes dioceses belgas os estudantes que mais se destacaram intelectualmente), concluindo aí os estudos de Filosofia.
Em 1944, começa seus estudos de Teologia em Malines, entre o Seminário Saint-Joseph e o Grande Seminário. Posteriormente realiza os estudos de doutorado em Teologia Bíblica na cidade de Louvain. Ordenado em 1947, é nomeado vigário em Bruxelas, na paróquia Sacré-Coeur, onde trabalha especialmente com os jovens. No período de 1950 a 1957, trabalha como professor de Escrituras Sagradas no CIBE (Centre d’instruction pour brancardiers ecclésiastiques) em Alost, instituição para jovens seminaristas e religiosos belgas que faziam o serviço militar em conjunto com os estudos teológicos.
No entanto, novos planos já eram pensados por Comblin. Em 1955, após a publicação da Encíclica Fidei Donum, atendendo ao pedido – por parte do Cardeal Van Roye – de padres que pudessem trabalhar como missionários, conhecendo a experiência de seu irmão André que era religioso dos Padres Brancos na África, e com um sentimento pessoal de falta de futuro para a Igreja na Europa, Comblin envia a primeira solicitação de partida para a América Latina. Não obtendo resposta, envia uma segunda solicitação em 1957, que foi finalmente aceita. Diferentemente do objetivo de Pio XII, que era enviar padres europeus à América Latina para lutar contra o comunismo, ele desejava antes fazer parte de uma Igreja na qual via ainda um futuro. E Comblin cumpre seu objetivo.
Requisitado para a Igreja de Campinas (São Paulo), Comblin inicia no Brasil, em 1957, sua caminhada como padre e teólogo pelo continente latino-americano. Passados os primeiros cinco anos, em que inicia ao mesmo tempo seu trabalho como professor no Seminário Menor em Campinas e na Escola de Teologia dos Dominicanos (Studium Theologicum dos Dominicanos) em São Paulo, recebe o convite de Marcos McGrath em 1962 para ser professor na Faculdade de Teologia de Santiago do Chile por três anos. Ao final desse período, convidado por D. Hélder Câmara, volta ao Brasil e, em 1965, chega ao Recife, onde desenvolverá trabalhos pastorais e acadêmicos como professor e coordenador do ITER (Instituto Teológico do Recife) até 1972, quando é impedido pelos militares de entrar no país. Por essa razão, retorna ao Chile e lá permanece até 1980, sendo expulso pelo regime de Augusto Pinochet. Dessa vez, regressa ao Brasil, onde se instalará até sua morte em 27 de março de 2011, residindo inicialmente no Estado da Paraíba (ligado à Arquidiocese de João Pessoa) e finalmente no Estado da Bahia, na Diocese de Barra.


Teologia
O período vivido no continente latino-americano permitiu a Comblin entrar em contato de maneira mais profunda com a realidade e a teologia latino-americana, que se constituía naqueles anos como a teologia da libertação. Realiza inúmeras viagens por quase todos os países do continente, formando uma rede de contatos com bispos e teólogos latino-americanos ligados a essa linha teológica. Isso lhe deu a possibilidade de participar das mudanças na Igreja da América Latina, proporcionadas pelo Concílio Vaticano II, consolidadas pela Conferência de Medellín e confirmadas em Puebla.
O deslocamento geográfico, cultural, social e teológico realizado pelo nosso autor é convergente com a consolidação da teologia latino-americana, que se constitui fora da centralidade europeia. Esses dois fatos serão refletidos em sua obra teológica. De suas primeiras publicações, eminentemente ligadas ao contexto europeu, em que falava de revolução e paz, os temas foram cada vez mais deslocados para a realidade latino-americana.
A nosso ver, essa “nova etapa de produção”, marcada pela dinâmica da teologia latino-americana da libertação, permitiu a Comblin revelar três características que identificam seu fazer teológico. A primeira pode ser definida pela permanente busca inicial, ampla e profunda, de compreensão da realidade para, num segundo momento, emitir um discurso teológico. Se fizermos uma analogia com o método V-J-A (Ver-Julgar-Agir) e estabelecermos uma graduação entre as três vertentes, afirmaremos que o forte de Comblin se situa no Ver.
A segunda característica é a centralidade antropológica, que marca sua construção teológica. Comblin escreve e pensa sua teologia com um objetivo preciso: ajudar o homem a transformar-se e tornar-se aquilo para que fora chamado por Deus (ser cada vez mais humano).
A centralidade do humano em sua obra é essencial, o que o leva a afirmar: “A humanidade não é um tema entre os outros dentro da Teologia, mas é o tema que é central”. Na dinâmica da teologia latino-americana, Comblin assume a compreensão do humano a partir da opção preferencial pelos pobres. Daí em diante, abandona o projeto de oferecer um modelo de humanidade e trabalha considerando as necessidades e demandas humanas para, uma vez baseado em sua análise contextualizada, ter condições de oferecer alguma reflexão teológica que possa colaborar na restauração do respeito ao “não-homem”.
No giro epistemológico de sua abordagem antropológica, Comblin encontra o rosto do humano que sua teologia deve tocar: é o rosto do homem pobre latino-americano. Uma vez situado na América Latina, Comblin assume o pobre como o protagonista bíblico, que é definido em Puebla como “as grandes maiorias que não conseguem satisfazer suas necessidades básicas de alimentação, saúde, habitação, educação e emprego. A pobreza deve ser compreendida no sentido concreto e material. Não se trata de disposições psicológicas interiores”.
Levando-se em consideração sua história (contexto social e eclesiológico), podemos afirmar que Comblin se encontra em uma situação peculiar que podemos dizer “de fronteira”, ou seja, está situado entre dois contextos históricos: o europeu, em que se formou teologicamente, e o latino-americano, em que produz sua teologia de maneira contextualizada.
Daí decorre a terceira característica, que neste artigo é de essencial compreensão: a obra de Comblin é evolutiva. Sua base de formação teórica e a experiência pastoral e teológica latino-americana lhe permitem ressituar os temas de que trata ao longo dos anos. Ou seja, um mesmo tema pode ser retomado em períodos e épocas diferentes, e, por estar ligado à realidade, reflete em si mesmo sua transformação.


Livros

Coleção: Espiritualidade bíblica


Evangelizar

Evangelizar é o centro da missão da Igreja. Mas o que é evangelizar? É anunciar e publicar a mensagem dos evangelhos. Ora, a mensagem dos evangelhos consiste nisto: o anúncio de Jesus Cristo. E Jesus Cristo foi o evangelizador por excelência: anunciou o advento do reino do Pai, que é vida e liberdade para as criaturas humanas. A fonte última da evangelização é, portanto, o Evangelho que foi anunciado por Jesus, a mensagem que foi proclamada na Palestina por Jesus, Filho de Deus e homem verdadeiro. Compreender o Evangelho é vivê-lo de novo, reinventá-lo a cada situação que surge, recebê-lo como resposta a uma interrogação da vida presente.
p. 144



A fé no evangelho

A fé é bem diferente daquilo que se ensinava há poucos anos. Ensinava-se que a fé consiste em acreditar em toda a doutrina proposta pelo magistério eclesiástico. Insistia-se muito no caráter misterioso da fé. Os dogmas eram apresentados de tal maneira que pareciam puros mistérios incompreensíveis. A fé era justamente crer no inacreditável. Já faz tempo que os teólogos procuraram mudar essa longa prática catequética. A fé não é ato intelectual. A fé consiste em entregar a vida a Jesus. Ele proclama uma nova vida, um novo mundo e convida a trabalhar com ele nessa tarefa. A fé consiste em nos entregar a Jesus sem saber por onde passará o caminho pelo qual nos conduz. É ato de confiança e ato que compromete a vida toda. Pois a fé é entrar num caminho novo, desconhecido. A fé abre novos horizontes para a vida. Não é um sacrifício: é um imenso benefício. Doravante, os discípulos de Jesus sabem aonde vai a sua vida, qual será a sua tarefa.
p. 104


Jesus de Nazaré

Pretendemos meditar sobre a vida humana, simplesmente humana, de Jesus Cristo. Queremos abordar esse Jesus de Nazaré tal como os discípulos o conheceram e o compreenderam - ou não o compreenderam - quando caminhavam com ele pelas estradas da Galileia, percorrendo os povoados de Israel, quando ainda não o conheciam como Senhor e Filho de Deus. Desejamos ver esse Jesus tal como ele aparecia quando ainda não manifestava sua relação pessoal com Deus; quando, aos olhos dos discípulos, ele ainda era um homem, simplesmente homem.
P. 120




A liberdade cristã

A liberdade está no centro da mensagem cristã. Jesus é um homem livre e abre caminho para que todos se libertem. O evangelho é o anúncio do reino de Deus, e o reino de Deus é a liberdade dos seres humanos. A humanidade nova que Jesus anuncia é a humanidade em que todos se ajudam a viver mais e melhor. Nas nossas chamadas democracias se diz que a lei e a vontade dos cidadãos. Será assim na prática? Como funciona a lei na prática? Ela serve para justificar e defender a situação atual com todas as suas injustiças. O evangelho serve para refletir sobre a organização política. Mas serve também para fazer a reflexão sobre a organização eclesiástica. O direito da Igreja ajuda realmente a promover e libertar os pobres?
p. 136



A oração de Jesus

As orações de Jesus são o modelo perfeito para a oração dos discípulos. Não podemos garantir que as orações que se encontram nos evangelhos reproduzem literalmente a palavra de Jesus, já que foram escritas pelos evangelistas muito tempo depois de pronunciadas. Mas elas expressam a forma como a oração de Jesus foi transmitida e entendida pelas gerações sucessivas de discípulos. Foram escritas com a intenção de fornecer os modelos da aceitação de um desafio. Jesus deve aceitar o seu papel profético. A fidelidade à sua missão vai até o fim. A oração é de aceitação tanto no jardim como na cruz. É de fidelidade à sua missão de revelar Deus aos pobres e ignorantes. A oração consiste em aceitar com confiança algo humanamente incompreensível. É uma entrega ao Pai, para que ele realize o seu desígnio.
p. 104



Jesus, enviado do Pai

O tema Enviado do Pai é o eixo do evangelho segundo João. A missão de Jesus na terra foi revelar o Pai. João condensa toda a sua mensagem nisto: dar a conhecer o que é Deus. Deus quis mostrar o que ele é realmente. Ele tem uma palavra que tudo diz, e essa palavra é Jesus. A vida de Jesus na terra mostra o que é Deus: "Quem me vê, vê o Pai". Pois Jesus não lhe dá o nome de Deus, mas o nome de Pai, o que já anuncia a grande diferença em relação a todas as religiões do mundo. O Pai está com Jesus e em Jesus, e tudo o que Jesus fez mostra o que é o Pai. A verdadeira glória de Deus está na vida de Jesus, na cruz e na ressurreição. O leitor encontrará aqui algumas meditações sobre os diversos aspectos do Pai que a vida de Jesus mostrou. Com elas, poderemos corrigir nossos erros ou melhorar nosso conhecimento do verdadeiro Deus, e não do Deus inventado pela imaginação ou pela razão humana.
p. 112



Viver na esperança

A esperança cristã está fundada no anúncio do Reino de Deus por Jesus. O Reino de Deus já está presente, e a própria vida de Jesus mostra essa presença. Os discípulos foram encarregados de anunciar da mesma maneira o Reino de Deus. Não se trata de discursos, e sim de suas vidas. Com esses discípulos, um novo mundo aparece, uma nova humanidade. A esperança já tem uma existência neste mundo. Os pobres são os encarregados de anunciar o Reino de Deus, pela sua vida animada pelo Espírito. A prova da autenticidade da esperança exige que a pessoa faça realmente a experiência da realidade da vida. Viva plenamente a vida presente nesta terra.
p.112



O Espírito Santo no mundo

Estamos acostumados a pensar que tudo o que diz ou faz a Igreja é obra do Espírito Santo. Mas não é bem assim. Pensamos que entendemos os evangelhos e o que Jesus nos ensinou pela sua vida, pelos seus atos e pelas sua palavras. Mas não é bem assim, Precisamos que venha o Espírito para que possamos descobrir os nossos erros sobre Jesus e o projeto de Jesus, porque sempre nos desviamos desse projeto. O projeto de Jesus é a realização das promessas feitas a Abraão. Jesus veio para criar um povo novo, conforme à verdadeira humanidade. Jesus envia e acompanha os seus discípulos na construção desse povo. Para realizar essa missão, os discípulos não recebem nenhum poder terrestre, nem dinheiro, nem poder político, nem superioridade cultural. O poder que lhes confere o Espírito é somente a força do testemunho. O testemunho não é imposição, não é violência, não é conquista, mas apelo. Apelo para a liberdade. A conquista da liberdade é o sinal da chegada do Reino de Deus. 

p. 136


Coleção: Temas de Atualidade


O povo de Deus

Muitos acham que a tarefa mais significativa de um novo pontificado seria restaurar a eclesiologia do Vaticano II ressuscitando o conceito de povo de Deus. Paradoxalmente, o maior adversário do conceito de povo de Deus foi aquela pessoa que acabava de publicar um livro sobre "O novo povo de Deus". Os defensores mostraram-se menos rigorosos do que os opositores. Evidentemente, ninguém podia rejeitar abertamente um Concílio Ecumênico, mas as críticas tendiam a relativizar o valor dos documentos, pôr em evidência as insuficiências ou as contradições. Depressa espalhou-se o rumor de que o Vaticano II estava superado, que fora influenciado por circunstâncias históricas que já pertenciam ao passado, que os bispos se tinham deixado levar por emoções sem olhar criticamente o mundo com o qual queriam caminhar. Bem depressa também a oposição concentrou os seus ataques contra a ideia de 'o povo de Deus'. Na realidade, muitos estavam espantados pela perspectiva de mudar alguma coisa nas estruturas ou nas condutas tradicionais da Igreja, e temiam que o conceito de povo de Deus fosse usado para pedir reformas. Aceitavam ideias, com a condição de que não se tirassem delas consequências práticas. Ou então esperavam resultados imediatos permitindo um novo triunfalismo e, quando viram que os triunfos não chegavam, voltaram para trás.
p. 416



A vida: Em busca da liberdade

O ensaio de pneumatologia de José Comblin, que se completa com este livro, procura sondar o que faz o Espírito Santo no mundo a partir de cinco temas bíblicos fundamentais relacionados a ele e nos quais se concentra o seu agir no mundo: o agir ou a ação, a palavra, a liberdade, o povo de Deus e a vida. Se nos perguntamos: "o que faz o Espírito Santo?", a resposta é: ele dá vida, liberdade, dom da palavra, força para agir e cria o povo de Deus.
p. 184







Vocação para a liberdade

Este livro parte de uma encruzilhada em que convergem quatro preocupações. Em primeiro lugar, na América Latina, os movimentos de libertação descobriram a liberdade. Acabou o conflito ideológico entre liberdade de libertação descobriram a liberdade. Acabou o conflito ideológico entre liberdade e libertação. A teologia cristã da liberdade pode iluminar e orientar a busca de uma nova teoria da libertação. Em segundo lugar, desde a década de 80, a Igreja latino - americana anda buscando uma identidade perdida. Teve identidade clara nos tempos de Medellín e de Puebla. Logo em seguida, essa identidade dói diluindo - se e, na atualidade, parece ter -se perdido. Consciente ou conscientemente, muitos trabalham como se quisessem refazer a cristandade, procurando apagar trinta anos de história. Em terceiro lugar, durante, durante séculos, o evangelho permaneceu muitas vezes recoberto por revestimentos culturais que ocultavam aspectos importantes. No segundo milênio, sobretudo a partir do século XIV, o evangelho da liberdade ficou quase esquecido diante do triufo de um catolicismo clerical, patriarcal, verticalista e de inspiração imperial. Esse tipo de catolicismo foi enfrentado pelo Vaticano II, que não pôde vencê-lo. Em quarto lugar, muitos católicos estão cada vez mais coscientes de que não se pode anunciar o evangelho da liberdade, isto é, o evangelho que proclama a vocação humana para a liberdade.
p. 319



O Caminho: Ensaios sobre o seguimento de Jesus

Neste ensaio, Comblin trata não da religião, mas do caminho de Jesus. Este é um dos mais belos livros de já li.












Comentário Bíblico Latinoamericano

José Comblin, um dos principais idealizadores do projeto. Comentário sobretudo prático, pastoral, e que reforça a caminhada dos pobres.



Atos dos Apóstolos.














Epístola aos Colossenses e Epístola a Filêmon.













Epístola aos Efésios.













Epístola aos Filipenses.














Segunda Epístola aos Coríntios.












Livros em Homenagem a José Comblin.





























Padre José Comblin. Uma vida guiada pelo Espírito

Monica Maria Muggler

A vida do profeta José Comblin narrada por Monica Maria Muggler que compilou e organizou em livro a história viva e provocante. Ela também missionária que se tornou nordestina e disponível para o que fosse julgado mais necessário para o processo de evangelização estilo Vaticano II.

Dom José Maria Pires 

Título: Padre José Comblin. Uma vida guiada pelo Espíritoítulo: 
Assunto: Biografia, teologia da Libertação, projeto de Jesus 
Autora: Monica Maria Muggler
Formato: 17x24
Número de páginas: 256
Editora: Nhanduti Edito


   















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