História da Igreja: Origem e Desenvolvimento da Fé Cristã.
SOUZA, David Rubens. História da Igreja. 1. ed. Pinda/SP: IBAD, 2020. ISBN - 978-85-60068-59-3.
História da Igreja: Origem e Desenvolvimento da Fé Cristã.
SOUZA, David Rubens. História da Igreja. 1. ed. Pinda/SP: IBAD, 2020. ISBN - 978-85-60068-59-3.
Pentateuco: História, composição e aspectos teológicos.
SOUZA, David Rubens. Pentateuco: História, composição e aspectos teológicos. Pinda/SP: IBAD, 2020. ISBN - 978-85-60068-56-2.
David
Friedrich Strauss (1808-1874). Estudante em Tübingen, foi chamado para lecionar
em Zurique em 1839, contudo, por causa da oposição de conservadores, foi
aposentado antes de poder ensinar. Passou o restante de sua vida como autor
independente. Seu mais famoso livro, e o que originou oposição a ele, foi seu “A
vida de Jesus” (1835). Nessa obra, ele demonstrou uma marcante preferência por
interpretações sobrenaturalistas de Jesus às interpretações racionalistas e
afirmou que era impossível escrever uma história normal sobre sua vida. De todo
modo, argumentou Strauss, a história não é importante. O que importa é o mito
envolvendo o homem, pois é isso que mudou o mundo. Ele afirmou que Marcos era
um epítome de Mateus, que tentou transformar a narrativa do evangelho em
história, mas fracassou. Atacou os racionalistas pela sua opinião elevada sobre
João, que ele considerava como incoerente com seus princípios, visto que João
era o Evangelho menos histórico de todos. Por causa de sua preferência por
mitologia não histórica, Strauss não tinha interesse algum em escatologia.
Strauss tinha pouco senso crítico e ignorava completamente o problema da origem
da igreja. No entanto, seu livro levantou novas questões e obrigou os
estudiosos a reexaminarem suas pressuposições nas pesquisas dos Evangelhos. Ele
representou um ponto de inflexão nos estudos do Novo Testamento.
Christian
Hermann Weisse (1801-1866). Ensinou em Leipzig a partir de 1828, com exceção de
uma breve interrupção (1837-1841), e foi um filósofo idealista em uma época em
que o idealismo estava saindo de moda na Alemanha. Em sua “História do
evangelho” (1838), defendeu a hipótese das duas fontes em relação às origens
dos Evangelhos em que tanto Mateus como Lucas usaram Marcos e mais uma fonte.
Essa foi a primeira vez que alguém havia proposto a existência do documento que
agora chamamos de “Q” Quelle, palavra alemã traduzida por “fonte”. Ele
considerava João não histórico, mas afirmou que seu tom era principalmente
hebraico, e não helenista. Ele também acreditava que Jesus havia rejeitado a
literatura apocalíptica judaica espiritualizando-a. De acordo com Weisse, Jesus
ficou consciente de que era o Messias quando foi batizado. A ressurreição, no
entanto, era uma convicção psicológica da comunidade cristã primitiva, e não um
fato histórico.
Ferdinand
Christian Baur (1792-1860). Possivelmente o maior estudioso do Novo Testamento
do século 19, foi certamente um dos mais influentes. A partir de 1826, lecionou
história da igreja e dogmática em Tübingen, onde formou uma geração inteira de
estudiosos. Seguidor da filosofia de G. W. F. Hegel, acreditava que o
cristianismo primitivo era uma síntese criada a partir do conflito de forças
opostas. Desenvolveu esse tema no livro “Investigações a respeito das chamadas
Epístolas Pastorais de Paulo”, publicado em 1835. Mais tarde, escreveu mais um
livro sobre Paulo, “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo”, publicado em 1845 e
traduzido para o inglês só em 1873-1875. Nessa obra, ele negou a autoria
paulina de todas as epístolas com exceção de Gálatas, 1 e 2Coríntios e Romanos.
Também negou a origem apostólica (e, portanto, a essência da historicidade) de Atos.
Em 1847, publicou sua última obra de crítica do Novo Testamento, “Investigações
críticas a respeito dos Evangelhos canônicos”. Acreditava que Mateus era o primeiro
dos Evangelhos a ter sido escrito, pois era o que melhor refletia o contexto
judaico do cristianismo. Em contrapartida, acreditava que o Evangelho de João
refletia as controvérsias gnósticas e montanistas do final do segundo século e
não tinha nenhum valor histórico.
Gottfried
Christian Friedrich Lücke (1791-1855). Lecionou em Bonn a partir de 1818 e em Göttingen
a partir de 1827. Publicou comentários do Evangelho de João, das epístolas
joaninas e de Apocalipse, mas sua obra mais importante foi “Esboço de
hermenêutica do Novo Testamento”, publicada em 1817, um fiel reflexo das ideias
de Schleiermacher. Lücke defendeu que a exegese histórico-gramatical não era
suficiente para a compreensão do Novo Testamento; também era necessário
explicar o elemento religioso. Rejeitou, portanto, a ideia de que a Bíblia
podia ou devia ser lida “como qualquer outro livro”.
Johann Karl
Ludwig Gieseler (1792-1854). Lecionou em Bonn (1819) e Gõttingen (1831). Defendeu
a ideia de que havia um “evangelho primitivo” oral que havia sobrevivido em
aramaico, mas ao desenvolver essa hipótese acabou revelando suas graves
dificuldades, notavelmente o fato de que ela não podia explicar as semelhanças
verbais entre os Evangelhos Sinóticos em grego. Sua obra principal sobre o tema
foi publicada em 1818.
Christian Gottlob Wilke (1786-1854). Pastor até sua demissão em 1837, escreveu um livro “O primeiro evangelista” em 1838, em que defendeu a prioridade de Marcos, seguido por Lucas e Mateus. Em 1846, tornou-se católico romano.
Johannes
Martin Augustinus Scholz (1794-1852). Reitor da faculdade católica em Bonn. Foi
pioneiro na pesquisa sobre o texto grego do Novo Testamento, embora se
inclinasse à aceitação do Textus receptus, um fato que fez estudiosos
posteriores desconsiderarem grande parte de sua obra. No entanto, Scholz não
estava completamente ligado à tradição eclesiástica e, perto do fim de sua
vida, repudiou muitas de suas concepções anteriores a favor da opinião
científica contemporânea.
Karl
Lachmann (1793-1851). Lecionou filologia clássica em Königsberg (1825) e depois
em Berlim (1827). As técnicas de crítica textual de Lachmann introduziram uma
nova era nos estudos bíblicos. Sua classificação de manuscritos ainda é
geralmente aceita, e suas edições do Novo Testamento grego (1831 e 1847-1850) foram
as primeiras a se basear inteiramente nas mais antigas tradições de
manuscritos. Nesse aspecto, sua obra foi precursora da obra de Westcott e Hort.
Também defendeu, com base em um estudo preciso das evidências textuais, que
Marcos foi o primeiro Evangelho a ter sido escrito.
Heinrich
Eberhard Gottlob Paulus (1761-1851). Ensinou em Jena (1789), em Würzburg (1803)
e em Heidelberg (1811). Foi uma importante ligação entre os neologistas e
racionalistas do século 18 e a geração de críticos seguinte. Escreveu diversos
comentários, incluindo três comentários dos Evangelhos Sinóticos (1830-1833),
mas é lembrado hoje mais pela “A vida de Jesus” (1828), em que rejeitou os
milagres como eventos naturais. Manteve-se um racionalista clássico da antiga
escola até o fim da vida.
Karl
Heinrich Venturini (1768-1849). Adotou a tese de que Jesus poderia ser
entendido somente se revestisse de carne sua mensagem espiritual. Seus
“milagres” eram somente curas normais e a ressurreição de Lázaro foi de um
coma, não da morte. No Domingo de Ramos, Jesus proclamou a si mesmo como
Messias a fim de tentar destruir a superstição popular, mas seu conluio
fracassou e, em vez disso, ele foi crucificado. Sua obra principal foi
“A
história natural do grande Profeta de Nazaré” (1800-1802).
Karl
Gottlieb Bretschneider (1776-1848). Escrevendo em latim a fim de evitar ofender
o público geral, Bretschneider sugeriu (1820) que João era um Evangelho com
origens helenistas, muito distante da atmosfera do judaísmo palestino. Essa
visão se tornaria comum no século XIX.
Johann
Leonhard Hug (1765-1846). Foi o mais importante estudioso católico da Bíblia do
século 19 e lecionou no seminário católico em Freiburg (1792). Sua grande obra
foi a magistral “Introdução ao Novo Testamento” (1808; TI 1827). Ela faz pleno
uso dos métodos histórico-críticos, mas chega a conclusões previsivelmente
conservadoras em todos os casos. Mesmo assim, é necessário creditar a Hug o
fato de ter aberto a Igreja Católica Romana à crítica bíblica protestante da
época.
Hermann
Olshausen (1796-1839). Ele ensinou em Königsberg (1821) e Erlangen (1834) e
escreveu prolificamente sobre temas do Novo Testamento, principalmente de uma
perspectiva doutrinária. Suas obras incluem “A genuinidade dos quatro
Evangelhos canônicos” (1823),
“Uma
palavra sobre o significado mais profundo das Escrituras” (1824), “Exposição
das Escrituras bíblicas” (1825) e seu grande “Comentário bíblico do Novo
Testamento” (1830-1840; 1847-1860). Olshausen foi um forte defensor da crítica
bíblica, mas a usou para alcançar conclusões muito conservadoras. Por exemplo,
ele acreditava que Pedro ditou suas duas epístolas em hebraico; a diferença
entre elas podia ser atribuída a diferentes tradutores gregos, o segundo dos
quais fez uso de Judas no decorrer da sua obra.
Hermann
Heimart Cludius (1754-1835). Afirmou (1808) que o Evangelho de João representa
um cristianismo muito diferente do cristianismo dos Sinóticos e, portanto, não
pode ser obra de uma testemunha ocular. De acordo com ele, as contradições
internas no texto deixam claro que o Evangelho foi elaborado por uma série de
redatores diferentes.
Baur
Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher (1768-1834). Professor em Halle (1894) e
Berlim (1810), ficou conhecido como o pai da teologia liberal alemã no século
XIX. Schleiermacher combinou uma abordagem crítica de questões textuais e
históricas com uma sensibilidade religiosa herdada do pietismo. Em seus
discursos sobre a religião (1799), defendeu que a religião era o estudo do lado
não racional dos seres humanos, que era simplesmente tão importante quanto o
lado racional, e que o cristianismo era a forma mais elevada de religião que
havia se desenvolvido até então. Foi o primeiro a fazer preleções sobre a vida
do Jesus histórico, mas seus pensamentos sobre o tema foram publicados somente
em 1864, quando foram seriamente criticados.