domingo, 26 de fevereiro de 2017

371 - Jürgen Moltmann: “Mesmo sendo barthiano, igualmente resisti à tentação de encarar a Dogmática eclesial de Karl Barth como uma fortaleza”.




Há sistemas teológicos que não pretendem apenas estar livres de contradições internas, mas também ficar livres de interpelação externa. A teologia transforma-se, para eles, numa estratégia de auto-imunização. Tais sistemas são como fortalezas em que não se consegue penetrar, mas das quais tampouco se consegue escapar e que, por isso, são derrotadas à míngua pelo desinteresse público. Não alimento o desejo de viver numa fortaleza dessas, e, mesmo sendo barthiano, igualmente resisti à tentação de encarar a Dogmática eclesial de Karl Barth como uma fortaleza desse tipo. Ela não o é, mesmo que alguns barthianos deixem Karl Barth pensar por eles para se sentirem seguros, e outros o declarem como “neo-ortodoxo para não terem de lê-lo e se ocupar com ele. Minha imagem da teologia não é “Castelo forte é nosso Deus...”, mas o êxodo do povo de Deus no seu caminho para a terra prometida da liberdade, onde habita Deus. Para mim, a teologia não é uma dogmática intra-eclesial ou pós-moderna apenas para a própria comunidade de fé. Ela tampouco é, para mim, a ciência cultural da religião civil da sociedade burguesa. A teologia surge da paixão pelo Reino de Deus e sua justiça e está paixão surge da comunhão com Cristo.


MOLTMANN, Jürgen. Experiência de reflexão teológica: caminhos e formas da teologia cristã. Vale do Rio dos Sinos, RS: Unisinos, 2004. p. 12.

David Rubens

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