sábado, 12 de julho de 2014
136 - Jesus saiu do Egito, o novo Moisés
Mateus faz Jesus fugir
do Egito para escapar do massacre de Herodes, não porque isso aconteceu, mas
porque cumpre as palavras do profeta Oseias: “Do Egito chamei meu filho.”
(Oseias 11.1) A narrativa não tem a intenção de revelar qualquer fato a
respeito de Jesus; ela pretende revelar esta verdade: que Jesus é o novo
Moisés, que sobreviveu ao massacre dos filhos dos israelitas pelo faraó e saiu
do Egito com uma nova lei de Deus (Êxodo 1.22).
135 - Jesus e o nascimento em Belém
Lucas coloca o nascimento
de Jesus em Belém não porque ele ali ocorreu, mas por causa das palavras do
profeta Miqueias: “E tu, Belém... de ti sairá para mim um governante em Israel.”
(Miqueias 5.2) Lucas quer dizer que Jesus é o novo Davi, o rei dos judeus,
colocado no trono de Deus para reinar sobre a Terra Prometida.
As narrativas da infância
nos evangelhos não são relatos históricos, nem foram feitas para serem lidas
como tal. São afirmações teológicas do status de Jesus como o ungido de Deus. O
descendente do rei Davi. O messias prometido.
134 - Rei dos Judeus
A placa que os romanos
colocaram acima da cabeça de Jesus enquanto ele se contorcia de dor – “Rei dos
Judeus” – era chamada de titulus, e,
apesar da percepção comum, não era para ser sarcástica. Todo criminoso que era
pendurado em uma cruz recebia uma placa declarando o crime específico pelo qual
estava sendo executado. O crime de Jesus, aos olhos de Roma, foi o de buscar o
poder político de um rei (ou seja, traição), o mesmo crime pelo qual foram
mortos quase todos os outros aspirantes messiânicos da época.
133 - Os evangelhos, testemunhos de fé
Os evangelhos não são, nem foram, jamais pensados para ser uma documentação histórica da vida de Jesus. Eles não são relatos de testemunhas oculares das palavras e atos de Jesus. Eles são testemunhos de fé compostos por comunidades de fé e escritos muitos anos depois dos acontecimentos que descrevem. Simplificando, os evangelhos nos dizem sobre, o Cristo, e não sobre Jesus, o homem.
132 - Paulo um guia pobre para se descobrir o Jesus Histórico
O primeiro testemunho escrito que temos sobre
Jesus de Nazaré vem das epístolas de Paulo, um dos primeiro seguidores de
Jesus, que morreu por volta de 66 d.C. (a primeira epístola de Paulo, 1
Tessalônicos, pode ser datada por volta de 66 d.C. cerca de duas décadas depois
da morte de Jesus). O problema com Paulo, no entanto, é que ele exibe uma
extraordinária falta de interesse pelo Jesus Histórico. Apenas três cenas da
vida de Jesus são mencionadas em suas epístolas: a Última Ceia (1Coríntios
11.23-26), a crucificação (1Coríntios 2.2), e, mais importante para Paulo, a
ressurreição, sem a qual, segundo ele, “a nossa pregação é vazia e sua fé em
vão” (1Coríntios 15.14). Paulo pode ser uma excelente fonte para os
interessados na formação inicial do cristianismo, mas é um guia pobre para se
descobrir o Jesus Histórico.
131 - O movimento de Jesus
É difícil enquadrar
Jesus de Nazaré em qualquer um dos movimentos político-religiosos conhecidos de
seu tempo. Ele era um homem de contradições profundas, um dia pregando uma
mensagem de exclusão racial (“Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de
Israel”, Mt 15.24), no outro, de benevolente universalismo (“Ide e fazei
discípulos de todas as nações”, Mt 28.19); às vezes clamando por paz incondicional
(“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”,
Mt 5.9), às vezes proclamando violência
e conflitos (“Se tu não tens uma espada, vai vender teu manto e compra uma”, Lc
22.36).
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Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.






