terça-feira, 8 de julho de 2014

130 - John Dominic Crossan

John Dominic Crossan (nascido em Nenagh, Condado de Tipperary, Irlanda em 1934) é um teólogo conhecido por ser o co-fundador do controverso Jesus Seminar. Crossan é uma figura importante no campo da arqueologia bíblica, antropologia, Novo Testamento e Alta Crítica. É também conhecido por ter participado de documentários sobre Jesus e a Bíblia. Ele é especialmente influente no campo dos estudos sobre o Jesus histórico, embora receba muitas críticas por parte de outros estudiosos por causa de sua metodologia. Entre 1950 e 1969, foi membro da Ordem dos Servos de Maria (servitas). Largou o ofício religioso por querer se casar e devidos aos constantes conflitos que tinha com o arcebispo cardeal de Chicago.
Crossan foi ordenado sacerdote em 1957; em 1959 recebeu o Doutorado em Divindade no St Patrick's College (Maynooth) (Irlanda); entre 1959 e 1961 estudou no Pontifício Instituto Bíblico em Roma; entre 1965 e 1967 estudou na Escola Bíblica de Jerusalém.
Entre 1969 e 1995 integrou o corpo docente da DePaul University, em Chicago; entre 1985 e 1996 foi co-presidente do Jesus Seminar; entre 1972 e 1976 presidiu o Seminário Parábolas; entre 1980 e 1986 foi editor da “Semeia” uma publicação de crítica bíblica; entre 1993 e 1998 foi presidente da Seção Jesus Histórico da Sociedade de Literatura Bíblica, uma associação internacional para o estudo acadêmico da Bíblia com sede nos Estados Unidos; recebeu prêmios de excelência acadêmica da Academia Americana de Religião, em 1989; da DePaul University, em 1991 e em 1995; e um doutorado honorário da Stetson University (DeLand, Flórida), em 2003.
Crossan escreveu 27 livros que abordam principalmente o Jesus Histórico, o Apóstolo Paulo e o Cristianismo Primitivo. O núcleo acadêmico de sua obra é a trilogia de:
- “O Jesus Histórico: A Vida de um Camponês Judeu no Mediterrâneo” (1991);
- “O Nascimento do Cristianismo” (1998);
- “Em Busca de Paulo” (2004), em co-autoria com o arqueólogo Jonathan L. Reed.
Também merecem destaque os livros que escreveu em conjunto com Marcus Borg:
- “A Última Semana, um Relato Detalhado dos Dias Finais de Jesus” (2006);
- “O Primeiro Natal” (2007) e
No livro “A Última Semana, um Relato Detalhado dos Dias Finais de Jesus”, utiliza o Evangelho de Marcos como fonte para defender a tese de que Jesus foi um radical que morreu na cruz não para redimir nossos pecados, mas para servir de modelo de combate ao mal. E o mal, tanto poderia ser o antigo Império Romano quanto qualquer governo que oprima um povo por meio da política ou da exploração econômica. Trata-se de um ponto de vista polêmico, pois se opõe a tese mais aceita entre os cristãos que afirma que Jesus morreu pelos pecados do mundo.

Outros livros de Crossan publicados no Brasil.


- Em Busca de Jesus;












- Jesus: uma biografia revolucionária;











- Quem matou Jesus?











- O Essencial de Jesus.
















sexta-feira, 4 de julho de 2014

129 - José Antonio Pagola e John Paul Meier

John P. Meier é um sacerdote católico, especialista na análise dos evangelhos, tendo estudado na Universidade Gregoriana e no Instituto Bíblico de Roma, e agora é professor, dá conferências e escreveu vários livros. José Antonio Pagola estudou nessas mesmas instituições e, além disso, na Escola Bíblica de Jerusalém, e também é professor, dá conferências e escreve livros. Ambos coincidem especialmente no fato de terem escrito uma obra sobre Jesus com uma finalidade muito semelhante: uma aproximação histórica.
Entre essas duas obras, existe uma diferença que pode se dever à diferença de currículo de seus autores. Enquanto Meier se dedicou exclusivamente à pesquisa, Pagola foi durante muitos anos vigário-geral da diocese, o que o obrigou a dedicar menos tempo à pesquisa de livros para se entregar a tarefas que envolvem o contato cotidiano com as pessoas e os problemas do mundo real.
Assim, a obra de Meier é eminentemente científica e especializada. Na realidade, ele já publicou quatro tomos da obra na edição inglesa e provavelmente fará alguns mais. Por outro lado, o livro de Pagola é um só tomo que, sem diminuição do rigor científico, é mais pastoral e acessível. Mas o enfoque e a metodologia de ambos são os mesmos.
As dimensões da obra de Meier permitem-lhe expor extensamente essa metodologia em seu primeiro tomo, desde a página 1 até a 201, o que Pagola faz de forma resumida. Assim diz Meier nas primeiras linhas da introdução (vol. 1, p.1): “Por Jesus histórico, entendo o Jesus que podemos recuperar, recobrar ou reconstruir utilizando os instrumentos científicos da pesquisa histórica moderna”. “Esse Jesus histórico sempre será um construto científico, uma abstração teórica que não coincide nem pode coincidir com a plena realidade de Jesus de Nazaré”. “Meu método segue uma regra simples: dispensa o que a fé cristã ou o ensinamento posterior da Igreja dizem sobre Jesus” (Cito edição portuguesa da obra “Um Judeu Marginal”, vol. 1, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1993; vol. 2, 1996; vol. 3, 2001; vol. 4, 2009).
Então, qual é a finalidade de seu trabalho de recuperação dessa “abstração histórica”? Para explicar isso, Meier imagina um “conclave não papal” de quatro historiadores especialistas do século I (um católico, um protestante, um judeu e um agnóstico), aos quais ele tranca em uma biblioteca, da qual não sairão até que, baseando-se em fontes e argumentos históricos, tenham concordado sobre um documento sobre quem foi Jesus e quais foram suas intenções em seu próprio tempo e lugar.
Obter-se-ia assim, diz, um documento redutivo, sim, e minimalista, mas que estaria aberto à verificação de toda pessoa que utilize unicamente os métodos históricos. Teríamos um rascunho do que “toda pessoa razoável” poderia dizer sobre o Jesus histórico. “Essa limitada declaração de consenso”, acrescenta Meier, “é o modesto objetivo deste trabalho”.

Essa metodologia de aproximação histórica, que Meier explica extensamente no tomo 1 (p. 1-201), ele volta a lembrar no começo dos tomos 2 (p. 4-6) e 3 (p. 9-12), enquanto que no tomo 4, como se estivesse contestando os detratores de Pagola, ele insiste que esse Jesus histórico não pretende ser “o Jesus real (a realidade total de tudo o que ele disse e fez durante sua vida), nem o Jesus teológico, objeto da reflexão sistemática baseada na fé cristã” (tomo 4, p. 12). Ele tenta ser a figura histórica sobre a qual os especialistas do “conclave não papal” estariam de acordo.
E dá um exemplo. Esses especialistas estariam de acordo que Jesus “padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, palavras que figuram na confissão de fé da Igreja, mas que testemunham também um fato histórico afirmado pelos historiadores romanos Flávio Josefo e Tácito, além de numerosas fontes cristãs independentes entre si. O que eles não aceitariam como historiadores é que “por nós, homens, e para a nossa salvação, foi crucificado”.
Com esses pressupostos, Meier apresenta uma imagem do Jesus histórico que é muito semelhante à da “aproximação histórica” de Pagola. Além disso, em alguns pontos “delicados”, como os irmãos de Jesus ou a virgindade de Maria depois do parto, pode ser até mais radical. Ambos os autores utilizam a mesma metodologia. Meier analisa de forma mais detalhada as fontes históricas e todos os episódios da vida de Jesus para extrair dessas fontes o que é possível remontar até os anos mais próximos desse tempo. Pagola faz isso de forma mais resumida, mas citando em suas abundantes notas as opiniões dos pesquisadores mais importantes que trataram desses temas.
O documento de consenso, o que toda pessoa razoável – crente ou não – poderia admitir como conclusão desse crivo histórico, isto é, a imagem do Jesus histórico à qual ambos os autores chegam, é praticamente o mesmo: um homem de seu tempo que, baseando-se em uma viva experiência de Deus e de intimidade com Ele, anuncia que, em sua pessoa e nas obras que realiza, faz-se presente o Reino de Deus, que consiste principalmente na acolhida dos pecadores e excluídos, a libertação e a cura das pessoas e a esperança de uma vida plena de Deus.
Evidentemente, essa frase não pretende resumir os importantes traços históricos que aparecem nos quatro tomos de Meier, nem os amáveis matizes de Jesus que Pagola destaca, mas, na realidade, são essas características não eclesiásticas da pessoa de Jesus, historicamente comprováveis, que incomodam os censores.
Pois bem, todos sabemos o que aconteceu com o livro de Pagola, a perseguição à qual foi submetido e, por último, a retirada do livro por ordem de... quem? Por outro lado, da obra de Meier, publicaram-se quatro tomos nos EUA com o imprimatur da diocese de Nova York (o do quarto tomo tem a data do dia 16 de dezembro de 2008), e seus três primeiros tomos foram traduzidos para o espanhol e publicados em quatro tomos pela editora católica do Verbo Divino, com todas as permissões e sem que nenhum membro da hierarquia espanhola tenha dito alguma coisa.
A que se deve essa diferença? Por que as autoridades eclesiásticas espanholas aprovam a publicação da tradução da obra de Meier, o que implica que, como as norte-americanas, entendem e aceitam sua metodologia, mas, por outro lado, acendem suas fogueiras inquisitoriais contra o livro de Pagola?
Cabe pensar que não é provável que algum membro da citada hierarquia tenha tido a paciência suficiente para engolir os quatro tomos de Meier com suas milhares notas. Uma característica comum dos censores é a preguiça intelectual: não é preciso ler muito para condenar.
Fonte: ihu.unisinos
Postagem anterior: biblicoteologico - 2014/07/um-judeu-marginal 

128 - Reza Aslan: “Jesus era como os outros messias”

 Reza Aslan afirma que o filho de Maria foi o maior revolucionário de todos os tempos.

 O historiador iraniano-americano Reza Aslan ficou mundialmente famoso após bater boca com Lauren Green, âncora da emissora americana Fox News, em julho do ano passado. Ele fora convidado a falar sobre seu livro Zelota – A vida e a época de Jesus de Nazaré (308 páginas, Zahar editora, R$ 36), um polêmico ensaio em que afirma que Jesus foi um revolucionário. Aslan teve de explicar por que um muçulmano como ele escrevera sobre Cristo. Há mais de 20 anos, ele se dedica à pesquisa de religiões, com foco na vida de Jesus.

ÉPOCA – O senhor defende em seu livro uma tese polêmica: o Jesus histórico foi um revolucionário. O senhor acredita que Jesus estava mais para Che Guevara que para Ghandi?
Reza Aslan – Jesus foi o maior revolucionário de todos os tempos. As pessoas têm dificuldade de compreender isso porque veem o Cristo da religião com o olhar do nosso tempo. No tempo de Jesus, não havia separação entre política e religião. Ambas eram a mesma coisa. É incorreto dizer que Jesus era só um líder espiritual ou só um líder político. Ele era os dois. Toda e qualquer palavra proferida por Jesus tinha implicações políticas, por mais espirituais que fossem. Nesse livro, tento tirar as camadas de teologia, misologia, lenda e doutrina que se sobrepuseram ao Jesus histórico. Quis compreender o mundo em que Jesus viveu. Meu livro é sobre as implicações das palavras de Jesus em seu mundo, em seu tempo. É também sobre as diferenças entre Jesus de Nazaré e o Cristo da fé, criado pelos Evangelhos e pela Igreja.

ÉPOCA – Qual a diferença entre o Cristo histórico e o da fé?
Aslan – O Jesus da história era um judeu pregando o judaísmo para outros judeus. O Cristo da fé, aquele que lemos nos Evangelhos e na teologia cristã, é alguém divorciado do judaísmo, alguém pregando uma nova fé, uma nova religião. Jesus proclamava-se o messias, mas, quando dizia isso, se referia ao messias do judaísmo. Se Jesus de fato pensasse ser o Deus encarnado, teria sido o primeiro judeu da história a pensar assim. Porque o conceito de um homem divino viola 5 mil anos de história, tradição e religião judaicas. Isso quer dizer que é impossível que Jesus se considerasse um Deus encarnado? Não. Só não é plausível. Sobram duas opções: Jesus nunca disse isso e era como todas as outras centenas de messias de seu tempo. Ou então Jesus acreditava nisso e era absolutamente único, diferente de todos os judeus que vieram antes ou depois dele. Como historiador, acredito que Jesus era como todos os outros messias de seu tempo e nunca disse ser o Deus encarnado do Novo Testamento.

ÉPOCA – E por que Jesus inspirou tantos a segui-lo?
Aslan – Isso tem menos a ver com espiritualidade e mais com os ensinamentos de Jesus. São ensinamentos únicos e extraordinários. Jesus teve uma visão de uma nova ordem mundial, em que ricos e pobres trocariam de lugar. Os primeiros se tornariam os últimos, e os últimos se tornariam os primeiros. O apelo dessa mensagem depois da morte de Jesus se perpetuou menos pelo que Jesus disse ou fez e mais pelo que seus discípulos escreveram e disseram sobre ele.

ÉPOCA – Então a mensagem de Cristo foi reinventada?
Aslan – Os seguidores de Jesus, os homens que escreveram os Evangelhos anos ou décadas depois de sua morte, tentaram esconder ou amenizar o aspecto político da vida de Jesus. Primeiro, porque Jesus falhou em sua missão. O que sabemos de fato sobre Jesus? Que ele era judeu, que começou um movimento judaico no século I e, como resultado desse movimento, foi condenado à morte na cruz por crimes contra o Estado (Roma). As ambições políticas de Jesus falharam. A definição de messias, no tempo de Jesus, era um descendente do rei Davi, que restabeleceria o Reino de Davi na Terra. Se você diz ser um messias e morre sem restabelecer o Reino de Davi, você não é um messias. Todos os outros messias, e foram centenas, prometeram restabelecer o reino de Davi. Foram tão bem-sucedidos quanto Jesus. Nenhum cumpriu a promessa, e todos foram chamados de falsos messias. A diferença é que os seguidores de Jesus tentaram dar sentido a sua falha, mudaram o significado de messias, o deixaram menos judeu, mais espiritual. Quando fizeram isso, o tornaram mais atraente para os não judeus.


ÉPOCA – De que forma?
Aslan – Jesus foi condenado à crucificação por crimes contra o Estado. Roma reservava a crucificação a crimes contra o Estado. Como convencer Roma a aceitar um movimento de um homem que pretendia tirar Roma do poder? Basta dizer que o reino prometido por Jesus não era o terreno, mas sim o divino, que Jesus não tinha ambições políticas, não ameaçava o Império Romano. Assim, você diz que é possível ser cristão sem ser uma ameaça ao Estado. Todas essas mensagens foram incorporadas ao cristianismo e ajudaram em sua expansão. Décadas depois da morte de Jesus, os seguidores não judeus de Cristo superaram os seguidores judeus. Cem anos depois, não havia quase ligação alguma entre cristianismo e judaísmo. E, pelos últimos 2 mil anos, o cristianismo tem sido uma religião que confortavelmente se casa com o Estado. Como faz isso? Proclamando que não tem interesse em governar este mundo, não se apega às coisas terrenas. “Os Evangelhos não são história, não são fato. São argumentos teológicos”.

ÉPOCA – As críticas mais contundentes a seu livro dizem que o senhor usou as fontes de pesquisa que melhor se adaptavam a suas teses e descartou as demais. Qual foi seu critério?

Aslan – Essa é uma crítica feita por não especialistas. Os leigos olham para os Evangelhos e acham que tudo o que está escrito em Mateus, Marcos, Lucas e João é igualmente válido. Isso é absurdo. Há 200 anos definiu-se uma metodologia de estudo para saber o que é confiável do ponto de vista histórico nos Evangelhos. Para o leigo, parece que escolho apenas o que me interessa. Mas fui metódico. Não usei os Evangelhos de João como fonte de pesquisa, porque ele são tardios, escritos quase um século depois da morte de Jesus. Usei apenas o Evangelho de Marcos, visto universalmente como o mais preciso historicamente. Os Evangelhos não são história, não são fato. São argumentos teológicos. Minhas fontes foram os documentos históricos sobre o tempo em que Jesus viveu e partes comprováveis dos Evangelhos. Rejeito as histórias da natividade, a fuga da família de Jesus para o Egito e outros acontecimentos imprecisos. Tais histórias são lendas e mitos.
fonte: epoca.globo

Outra Postagem: biblicoteologico - 2013/11/

127 - Reza Aslan

O outro Jesus. Entrevista com Reza Aslan

Reza Aslan, 41 anos, leciona na Universidade da Califórnia. Escritor e jornalista nascido no Irã, chegou aos Estados Unidos com a família depois da revolução de Khomeini. O livro no banco dos réus foi publicado na Itália agora com o título Gesù il ribelle (Rizzoli) e nos EUA ele domina as listas dos mais vendidos há meses, começando pela do New York Times, que se levantou em defesa do autor.
A ideia é de contar a figura de Cristo, separando a verdade histórica do mito posterior. Uma operação amplamente explorada por outros no passado, mas convincente, com uma narrativa fluida, sem nunca ferir a sensibilidade do leitor, mesmo o mais religioso. Não há provocação, não há sarcasmo, mas apenas a vontade de entender.

Entrevista.
Por que, como estudioso, você optou por se ocupar de Jesus Cristo, sobre o qual já há uma vasta produção literária?
É a pessoa mais importante dos últimos 2 mil anos, está na base da civilização ocidental. Eu queria separar a sua realidade histórica do mito religioso, que é posterior. Eu queria explicar como um agricultor pobre e analfabeto conseguiu fundar um movimento revolucionário em defesa dos deserdados e dos marginalizados, chegando a desafiar de maneira direta o poder romano e das hierarquias judaicas. Interessava-me imergir Cristo na sua época, ver as suas ações relacionadas com os eventos daquele período: ações e reações. Porque, se pensarmos na sua dimensão religiosa, é óbvio que não existe o tempo, as suas palavras e as suas ações são eternas, valem sempre e para sempre. Eu queria contar o homem, não Deus.

Como você trabalhou?
Eu comecei as pesquisas há 20 anos: primeiro como estudante e depois como professor. Usei as fontes diretas da época, traduzi as versões originais do Novo Testamento: me movimentei segundo os critérios científicos que geralmente usamos na universidade para qualquer pesquisa. Depois, coloquei tudo o que eu encontrei no relato, tentando fascinar o leitor, levá-lo para dentro da fantástica vida de Jesus. Mas cada linha que eu escrevi está documentada.

Que relação você tem com a religião?
Eu a estudo desde sempre, é a minha vida. Eu acredito em Deus, o propósito das religiões é fornecer uma linguagem para ajudar as pessoas a definir a própria fé. Depois de ter sido educado no cristianismo, agora me sinto mais próximo de Islã. Eu não acho que seja mais justo ou que anuncie verdades mais fortes, simplesmente sinto os seus mitos e as suas metáforas mais em concordância com o meu mundo.

Você acompanha a ação do Papa Francisco?
Certamente, sou um entusiasta. Fui formado pelos jesuítas, e o método que eles me ensinaram me levou a me apaixonar pelo Jesus histórico, antes ainda do que o religioso. O meu livro está alinhado com a sua formação: ele relata um Cristo atento principalmente aos pobres, à sua libertação, à sua salvação. Se o papa conseguir, como está conseguindo, se manter fiel às suas origens, ele trará à Igreja uma transformação nunca antes vista. É o retorno a uma vida sob o sinal da vocação, longe da burocracia do poder: o seu exemplo será revolucionário. Eu tenho certeza disso.

Você já está trabalhando em um novo livro?
Eu gostaria de escrever sobre as origens de Deus, sobre como evoluiu a sua figura ao longo da história da humanidade, como mudou a concepção que os homens têm dele.

Você gostaria de responder a uma pergunta nunca feita?

A minha mãe é cristã, assim como minha esposa e o meu irmão. Aos 15 anos, depois de ter me deparado com Jesus ouvindo a sua história em um acampamento de férias, eu fiquei tão extasiado saí pelas ruas parando os desconhecidos, narrando-lhes a boa notícia: tipo um jovem pregador. Achavam que eu era louco. Os meus pais se preocupavam. Eu nunca poderia escrever um livro contra os meus valores, contra as pessoas que eu amo e nas quais eu acredito. Eu só queria entender. Só entender.

Fonte: ihu.unisinos


Pagina de Reza Aslan


terça-feira, 1 de julho de 2014

126 - Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico

Um judeu marginal. Nova visão do Jesus histórico I
As raízes do problema e da pessoa

Entre outras questões difíceis neste livro aborda algumas tão fundamentais como: Jesus foi concebido virginal? Será que ele tem irmãos e irmãs? Ele era casado ou solteiro? Analfabeto ou dominava o grego e hebraico, além de aramaico? O tratamento rigorosamente científico e abrangente do Jesus histórico deste livro é uma contribuição marcante.

SIGLAS
APRESENTAÇÃO
uma palavra de agradecimento
INTRODUÇÃO
PARTE: raízes do problema 
Capítulo 1: Conceitos Básicos: o verdadeiro Jesus histórico e o Jesus 
Capítulo 2: FONTES: Os livros canônicos do Novo Testamento 
Capítulo 3: Fontes: Josefo 
Capítulo 4: Fontes: Outras pagãs e escritos judaicos 
Capítulo 5: FONTES: Agrapha e evangelhos apócrifos 
Capítulo 6: CRITÉRIOS: Como é que vamos decidir o que vem de Jesus? 
Capítulo 7: CONCLUSÃO DA PARTE 
Capítulo 8: No início... ORIGENS de Jesus de Nazaré 
Capítulo 9: No INTERN... língua, educação e sócio-econômicas ESTATUTO 
Capítulo 10: NA INTERN: família, estado civil 
Capítulo 11: “quinze anos...” Cronologia da vida DE JESUS
​ESCRITURA INDEX 
autores índice 
ÍNDICE DE ASSUNTOS 


Um judeu marginal. Nova visão do Jesus histórico II / Parte 1
João e Jesus. O reino de Deus

Neste volume o tratamento direto das palavras e atos de Jesus relacionado com o começo de seu ministério público. Ele é dividido em três partes principais: “mentores”, “mensagem”, e “milagres”, aludindo claramente a títulos de conteúdo.

SIGLAS 
uma palavra de agradecimento 
Introdução 
Parte I: JUAN JESUS ​​E 
Capítulo 12: João e Jesus. Batista e rito batismal 
Capítulo 13: JESUS ​​COM JUAN E SEM
Parte II: O Reino de Deus
Capítulo 14: O REINO DE DEUS, a vinda de Deus com poder para reinar.
PARTE I: FUNDAMENTOS
Capítulo 15: O REINO DE DEUS, a vinda de Deus com poder para reinar.
PARTE III: JESUS ​​PROCLAMAÇÃO DE REINO FUTURO
Capítulo 16: O REINO DE DEUS. A vinda de Deus com poder para reinar.
PARTE III: O REINO E PRESENTE 


Um judeu marginal. Nova visão do Jesus histórico II / Parte 2
Milagres

2 ª parte do Volume II. Nele, John P. Meier, estuda muito bem o assunto de milagres. Através de sua pesquisa, é possível aproximar-se da pessoa de Jesus, dois mil anos depois de seu tempo na terra.

Capítulo 17: MILAGRES E a mente moderna: Como devemos tratar os contos de um historiador de milagres, o que é um milagre?
 Capítulo 18: milagres e velha mentalidade: Milagre e mágicos, tradições pagãs sobre Apolônio de Tiana, Milagres na literatura dos milagres do Mar Morto em Josefo.
Capítulo 19: historicidade dos milagres de Jesus: a questão global LA historicidade: milagres e da historicidade de toda a questão, a conclusão. 
Capítulo 20: exorcismos: tipos de milagres, exorcismos
Capítulo 21: A CURA: paralíticos Cura e aleijados, a cura do cego, pessoas que sofrem de curas “lepra” Vários dos termos de um único caso. O caso especial da cura do servo do centurião.
Capítulo 22: ressurreições: observações preliminares, o conteúdo ea forma de as histórias de ressurreição, a tradição de Marcos, a tradição Lucan, a tradição joanina, a tradição Q: “os mortos”
Capítulo 23: os milagres da Nature Calls: Os “milagres sobre a natureza”, uma categoria duvidosa, categorias alternativas, o imposto do templo, a maldição da figueira, a pesca milagrosa, Jesus caminhando sobre as águas, a acalmar da tempestade a conversão da água em vinho...
Conclusão de Volume II 


Um judeu marginal. Nova visão do Jesus histórico III
Parceiros e concorrentes

John P. Meier lida neste terceiro volume com uma rede decisiva do judeu Marginal. O relacionamento de Jesus Cristo com grupos judeus, muitas vezes negligenciadas em trabalhos sobre os indivíduos históricos de Jesus. Mas além de colocar ênfase na relação de Jesus, este terceiro volume está inextricavelmente entrelaçado com um segundo aspecto chave, que também tem sido negligenciado em alguns trabalhos modernos sobre o Jesus histórico natureza essencialmente judaica desses relacionamentos.

SIGLAS 
AGRADECIMENTOS 
Introdução ao Volume III:
JESUS, O JUDEU nas suas relações com outros judeus.
Ponto central do Volume III Jesus judeu em suas relações com outros indivíduos e grupos judaicos viajar II.
Mapa Volume III. Lembrete das regras que regem esse trabalho para a introdução
Notas Parte I: Jesus, o Judeu Judeus e seus seguidores
Capítulo 24 JESUS ​​EM CONEXÃO COM SEUS SEGUIDORES.. 
As multidões I. Introdução: Em busca da designação apropriada 
II. O círculo exterior: as multidões 
Notas
Capítulo 24 
Capítulo 25
RELAÇÃO DE JESUS COM SEUS SEGUIDORES.. 
DISCÍPULOS 
I. Será que os discípulos de Jesus eram históricos?
II. Características dos discípulos de Jesus 
III. As fronteiras pouco claras dos discípulos: as mulheres eram discípulos que seguiram Jesus 
IV. As fronteiras pouco claras dos discípulos: seguidores de Jesus não deixaram suas casas. 
Cartas Capítulo 25 
Capítulo 26. JESUS ​​EM CONEXÃO COM SEUS SEGUIDORES. Existência e natureza DOS DOZE 
I. Discípulos, e os Doze Apóstolos: o problema da terminologia 
II. A existência dos Doze durante o ministério de Jesus e função
III. Natureza dos Doze 
Notas do Capítulo 26 .
Capítulo 27 JESUS ​​EM CONEXÃO com os seus seguidores. MEMBROS dos Doze 
I. As sérias limitações desta pesquisa 
II. Exame dos vários membros dos Doze 
III. Conclusão Jesus em relação a seus seguidores 
Notas ao Capítulo 27 
Parte: Jesus e os judeus CONCORRENTES JUDEUS 
Capítulo 28. JESUS ​​EM CONEXÃO COM CONCORRENTES grupos judaicos. Fariseus 
I. Introdução modo
II. O pano de fundo: Fundo do movimento 
III. O problema de fontes e método 
IV. Os fariseus 
Capítulo 28 Notas 
Capítulo 29 JESUS ​​EM CONEXÃO COM CONCORRENTES grupos judaicos. Os saduceus
I. O problema de identificar os saduceus
II. As disputas com os saduceus sobre a ressurreição dos mortos (Mc 12, 18-27)
Capítulo 29 Notas 
Capítulo 30. JESUS ​​EM CONEXÃO COM GRUPOS CONCORRENTES JUDEUS. Essênios Os outros grupos 
I. Destaques Qumran essênios e samaritanos
II. Os herodianos 
III. Os Zelotes 
Notas do Capítulo 30 


Um judeu marginal. Nova visão do Jesus histórico IV
Lei e amor

Neste volume IV, Meier dirigi uma nova direção sobre os ensinamentos do Jesus histórico relativos a Lei mosaica e da moralidade, com o mesmo rigor que ele mostrou nos volumes corretos anteriores. Depois de equívocos a respeito da Lei Mosaica nos tempos Jesus, este volume aborda os ensinamentos de Jesus sobre questões jurídicas, tais como o divórcio, juramentos, sábado, as leis de pureza e os vários mandamentos de amor contidos nos Evangelhos. O que é o perfil de investigação do Meier é um complicado primeiro século palestino judeu, que, longe de tentar abolir a lei, entrou profundamente em discussões relativas à execução.






John Paul Meier é um dos mais importantes estudiosos da Bíblia da atualidade. Doutor em Sagrada Escritura no Pontifício Instituto Bíblico de Roma (1976), é professor de Novo Testamento no Departamento de Teologia da Universidade de Notre Dame (Indiana, EUA). Foi editor da Bíblica Católica Quarterly e presidente da Associação Bíblica Católica.





Em Português pela Editora Imago




Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.