terça-feira, 8 de novembro de 2016

358 - Livro, Jesus Histórico: O Caminho do Amor e do Cuidado. David Rubens de Souza


Como Jesus foi visto ao longo da história? Em cada período Jesus foi interpretado de forma muito particular. Diante disso surgem algumas questões: seria possível reconstruir o verdadeiro Jesus histórico? O que os evangelhos ensinam sobre o Homem de Nazaré? Qual foi sua mensagem? Como foi seu ministério? Com quem ele andava? Será que os evangelhos apresentam respostas para esses dilemas? 
O movimento criado por Jesus há cerca de dois mil anos atrás continua até hoje, mas seria possível reconhecer a mensagem e a prática de Jesus no movimento que leva o seu nome? Qual a relação da igreja atual com o caminho de Jesus relatado nos evangelhos? 
É preciso saber quem foi Jesus para entender qual é a missão dos cristãos hoje.

Apresentação: Brochura 
Formato: 12 x 18cms 
ISBN: 978-85-5507-379-3
Páginas: 110 
Edição: 1ª 
Ano Publicação: 2016
Editora: Prismas

 Jesus Histórico: O caminho do amor e do cuidado 
David Rubens de Souza

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sábado, 5 de novembro de 2016

357 - Estudos no Livro de Eclesiastes.

Eclesiastes na Contramão da Sabedoria Tradicional





Introdução
Coélet representa o lado cético da sabedoria israelita. Ele não rejeita o movimento da sabedoria, mas desafia algumas de suas mais estimadas crenças. Ele acredita em Deus e no temor de Deus (3.14; 5.6) e em um código ético e no julgamento divino do comportamento humano (11.9); e, tal qual seus contemporâneos, não aborda a questão da vida após a morte (9.10).
Ele compartilha com os sábios algumas crenças: Deus concede tudo no tempo oportuno (3.1-11); Deus concede a habilidade de desfrutar (2.25-26, etc.); o que Deus decretou não se pode mudar (1.13; 3.14-15; 6.10; 7.13; 11.3); a insensatez de muitas palavras 4.17-5,6; 6.11; 10.12-15); e, se eles não são sua criação, ele endossa um número de provérbios tradicionais (1,18; 4,5-6,9-12; 5,7-11; 6,9; 7,7-12; 9,17-10,1; 10,8-11,4; 11,7).

Experiências de “Tenda”
A luta de Coélet é com qualquer teologia que ignore a experiência de vida, “tenda”, desse modo, a se tornar irreal. Assim ele ataca as declarações simplistas da tradicional teologia da retribuição (3.16-18; 7.15; 8.12-14; 9.1-3) porque a mesma não se ajusta à experiência; Deus julga, mas como isto funciona é um mistério.
Ele ataca declarações verbais sem fundamentos sólidos sobre as vantagens da sabedoria, porque a experiência mostra que a mesma sorte vem sobre o sábio tanto quanto sobre o tolo (2.13-16; 9.1-3.11), porque o sábio não pode predizer o futuro (3.22; 6.12; 8.7; 9.1-11,6) especialmente a época de infortúnio (9.12), e porque a sabedoria é vulnerável a uma pequena dose de insensatez (9.13-10). Tampouco ele é otimista sobre o sucesso da busca humana pela sabedoria (1.13-18; 3.11; 7.13; 8.17; 11.5). Ele rejeita os conselhos que recomendam focar-se na morte e na adversidade (7.1-14), evitar extremos éticos (7.15-24), e conselho que recomenda obediência simplista à autoridade (8.1-14), porque a experiência indica que estas não são posturas louváveis.
Coélet rejeita a ênfase da tradição da sabedoria na diligência, se isto significar total absorção no trabalho, visto que, tal trabalho febril rouba a alegria das pessoas (2.22-23; 4.7-8; 5.11,16), porque as perspectivas do êxito do trabalho são duvidosas (3.1-11), porque o destino da riqueza acumulada é incerto (2.18-21; 4.7-8; 5.12-16), e porque a labuta não traz nem o lucro, nem o progresso, nem a novidade, nem tampouco a lembrança (1.3-11). Coélet não acredita na preguiça, mas acredita que uma mão repleta de trabalho árduo e uma outra cheia de descanso são melhores do que duas mãos tomadas de labuta (4.5-6).

Natureza Transitória da Vida
Tremendamente impressionado pela natureza transitória (vaidade) de todas as coisas, ele acredita que o pleno regozijo é, na vida, o item a ser focado, e não uma desenfreada perseguição pelo luxo, porque não vale a pena o trabalho envolvido nisso (2.1-11), mas uma aceitação das alegrias normais que Deus considera apropriadas para nos dar (afirmado sete vezes no livro, 2.24; 3.12, 22; 5.17; 8.15; 9.7-9; 11.9-10). Aprecie o dia bom e aceite o dia mau como Deus dando variedade, de modo que não se pode encontrar culpa nele (7.14). Aprecie o que está à mão e não anseie pelo que é inalcançável (6.9). Participe da vida com vivacidade (9.10); providencie para o futuro (11.1); mantenha várias opções em face da incerteza (11.2); não seja demasiadamente cauteloso (11.4); e aproveite enquanto puder, porque a idade avançada e a morte estão chegando (11.7-12.8).

O Trabalho Árduo é Arriscado (3,1-4,6)
Coélet afirma que tudo tem um tempo estabelecido (1-8). Ele imediatamente aplica o poema ao contínuo tópico da labuta (v. 9). Não há nenhum lucro na labuta porque Deus reservou um momento para todas as coisas, mas não equipou seres humanos com a habilidade de determinar os tempos apropriados para sincronizar com eles. A labuta é então arriscada, porque pode não resultar em nada (vv. 10-11). Ele conclui mais uma vez em favor da felicidade, recordando uma vez mais que esta é um presente (12-13) e que o que é, é, e que não há nada que se possa fazer para mudá-lo (14-15).

Conclusão
Ideias de temor, de mandamentos e de julgamento não é o foco de Coélet, ele discute o problema concreto de como especificamente deve-se conduzir a vida.  

Bibliografia
CAMPOS, Haroldo. Qohélet – o que sabe: Eclesiastes. São Paulo: Perspectiva, 1991.
RAD, Gerhard von. Teologia do Antigo Testamento. 2. ed. São Paulo: Aste; Targumim, 2006.
SHREINER, Josef. Palavra e Mensagem do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004.
VERAZ, Lilia Ladeira. Um primeiro contato com o livro do Eclesiastes ou livro Coélet. RIBLA 52. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. p. 119.
VV. AA. Os Salmos e os Outros Escritos. São Paulo: Paulus, 1996.  
WESTERMANN, Claus. Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Academia Cristã, 2005.
WOLFF, Hans Walter. Bíblia Antigo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003.



David Rubens de Souza
https://biblicoteologico.blogspot.com.br/
Novembro 2016


sábado, 24 de setembro de 2016

354 - As Visitas de Jürgen Moltmann ao Brasil: 1977; 2008; 2011; 2016.

Por David Rubens de Souza

O teólogo alemão reformado Jürgen Moltmann é um dos pensadores europeus de maior destaque no século XX, é também o que tem mais contato com o Brasil. Suas quatro visitas ao país (1977, 2008, 2011, 2016) possibilitaram uma ampla discussão nos meios acadêmicos acerca de sua obra que tem, desde então, desfrutado de amplo trânsito dentro dos mais diversos segmentos da tradição cristã.


Primeira Visita: 1977

Visitas a seminários e institutos teológicos no Brasil. Depois de uma visita a São Leopoldo, setembro, foi para Rudge Ramos, em São Paulo. Onde estava o antigo prédio do seminário metodista. Foi realizado o evento com três dias de duração, o tradutor da conferência foi o professor Duncan A. Reily. Naquela ocasião Moltmann visitou um seminário no centro da cidade e também a Igreja “O Brasil para Cristo”. No Rio de Janeiro visitou o Instituto Bennett. Em Recife, foi recebido por Dom Hélder Câmara. Onde ouve uma discussão sobre direitos humanos.




Segunda visita: 2008 

A Universidade Metodista de São Paulo acolheu o teólogo alemão Jürgen Moltmann do dia 29 a 31 de outubro de 2008.
Como parte do evento a Universidade Metodista de São Paulo ofereceu a Jürgen Moltmann o título de Dr. Honoris Causa como reconhecimento pelo conjunto de sua obra teológica e atuação no campo da educação.
Dia 30 – quinta-feira às 19h30 Concessão do título de Doutor Honoris Causa a Jürgen Moltmann - Edifício Beta. Salão Nobre
Dia 31 de outubro - sexta-feira - Edifício Beta. Salão Nobre.
8h Conferência: “O seu Nome é Justiça: a justiça de Deus para as vítimas e para os agressores”. Jürgen Moltmann

A contribuição de Jürgen Moltmann

A contribuição inestimável do Dr. Moltmann para a reflexão teológica, tanto quanto para a presença e ação pública das Igrejas na sociedade contemporânea, transcende as fronteiras da Europa e é universalmente reconhecida. Suas obras, traduzidas para diversas línguas, estão entre as mais influentes e o projetam entre os mais importantes teólogos dos séculos XX e XXI. A seriedade de sua interpretação da mensagem cristã, a sua profundidade filosófica, a sua permanente abertura para as angustiantes questões contemporâneas, a sua aguçada sensibilidade social e política, o seu compromisso com as causas dos Direitos Humanos, da justiça e da paz, da ecologia e do ecumenismo, entre outras, aliada à sua fecunda produção intelectual justificam, sem dúvida, a outorga do título de Doutor Honoris Causa.
Vale lembrar que, no ano de 1977, o Dr. Jürgen Moltmann, já mundialmente célebre em vista da publicação de sua Teologia da Esperança, esteve, a convite da Fateo, com o apoio da ASTE (Associação de Seminários Teológicos Evangélicos), no Brasil quando proferiu diversas conferências em distintas regiões do país, publicadas posteriormente sob o título Paixão pela Vida (São Paulo: ASTE, 1978). Nessa oportunidade, houve um diálogo tenso, porém fecundo, com a teologia da libertação latino-americana.



Terceira Visita: 2011

Nos dias 31 de agosto e 01 de setembro de 2011 o Centro Universitário Metodista Bennett recebeu a visita do Teólogo Jürgen Moltmann para realização de duas conferências. Moltmann realizou um diálogo no Bennett com o igualmente conhecido Teólogo brasileiro Leonardo Boff. Ambos ministraram a Aula Magna de abertura do segundo semestre letivo tratando da temática da ecologia e dos direitos humanos sob a inspiração da fé cristã. Moltmann lançou também, em parceria com o coordenador do Curso de Teologia na Faculdade de Teologia César Dacorso Filho e no Bennett, Prof. Levy Bastos, o livro “O futuro da criação”, no qual estão presentes as reflexões de ambos os teólogos sobre meio-ambiente e fé cristã.

Tema

O tema central foi o papel do ser humano como parte da criação e diante do seu sofrimento. Na sua primeira palestra, Jürgen Moltmann descreveu sua compreensão de uma “teologia ecológica” capaz de acompanhar o novo paradigma da sustentabilidade. Para isso, propôs uma leitura sustentável de Gênesis 1 (a criação do ser humano como último mostra a sua dependência de tudo que foi criado antes), problematizou o pensamento linear da modernidade e explicitou a sua compreensão de uma ética da criação (reconsiderando a ética do sábado como sétimo dia da criação).
Leonardo Boff apontou dez temas relacionados com o assunto, entre eles: o paradigma da interdependência, a importância da biodiversidade e diversidade cultural, a necessidade de uma ciência mais consciente e universidades promovendo uma aliança de saberes, a busca do bem comum, tanto da terra como da humanidade, e a substituição da ditadura da razão por uma razão sensível ou cordial.
O auditório do Bennett ficou duas vezes lotado e precisava-se de mais do que uma hora para atender às filas de pessoas em busca de um autógrafo nos livros de Jürgen Moltmann e do seu lançamento junto com Levy Bastos, diretor da Faculdade de Teologia do Bennett.


Quarta visita: 2016

Jürgen Moltmann veio ao Brasil para participar do Seminário Internacional de Teologia. Promovido pela Faculdade Unida, o encontro aconteceu de 19 a 21 de setembro, em Vitória, ES.
Com o tema “Vida, Esperança e Justiça: Jürgen Moltmann e a América Latina”, o encontro ofereceu aos participantes vários seminários temáticos, tais como: “Religião e Esfera Pública”, “Protestantismos e Sociedade”, “O Pensamento de Jürgen Moltmann”, “Religião, Gênero, Violências e Direitos Humanos”, “Narrativas Sagradas: Justiça e Esperança” e “Diversidade Religiosa e Étnico-Racial”.
Outros palestrantes que participaram do seminário: Dr. Craig Barnes, presidente do Seminário Teológico de Princeton, Dra. Uta Andrée da Missionsakademie de Hamburgo (Alemanha), Dr. Rudolf von Sinner, professor da Faculdades EST e o Dr. Levy da Costa Bastos, diretor do Seminário Metodista César Dacorso Filho.










Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.