sábado, 6 de julho de 2019

473 - Para Compreender os Manuscritos do Mar Morto. Hershel Shanks



Os Manuscritos do Mar Morto constituem a mais importante e mais empolgante descoberta de manuscritos ocorrida no século XX. Contudo, para a maioria das pessoas seu significado permanece inacessível, envolto em mistério e ocultado pelo silêncio dos estudiosos. Esta obra, composta de artigos escritos pelos maiores especialistas internacionais nos Manuscritos do Mar Morto, é a fonte essencial para o entendimento dos mesmos e das controvérsias que eles suscitam. Os artigos, extraídos da Biblical Archaeology Review e da Bible Review, foram organizados por Hershel Shanks, que está à frente do movimento internacional que recentemente conseguiu liberar os pergaminhos do grupo de estudiosos que vinha mantendo os textos secretos por mais de trinta e cinco anos.
Esta coletânea se volta para a questão primordial levantada pelos pergaminhos: O que nos dizem os documentos do Mar Morto sobre o cristianismo primitivo e sobre o desenvolvimento do judaísmo rabínico? Jesus era essênio? João Batista viveu com a comunidade de Qumran que escreveu os pergaminhos?
Destes debates sobre os Manuscritos do Mar Morto emerge um consenso: eles constituem um incomparável tesouro arqueológico e histórico; vieram para lançar luz sobre questões críticas do desenvolvimento da tradição judaico-cristã, e não para destruí-la com suas revelações.




Hershel Shanks é o fundador e editor da Biblical Archaeology Review e da Bible Re-view. Presidente da Biblical Archaeology Society e editor de A Preliminary Eaition ofthe Unpublished Dead Sea Scrolls: The Hebrew and Aramaic Texts from Cave Four, Fascide One (1991) e A Faaimile Edition of tbe Dead Sea Scrolls, Volumes l and II (1991). Escreveu The City ofDavid: A Guide to Biblical Jerusalém e Jerusalém in Stone: The Archaeology ofAncient Sy-nagogues e editou Ancient Israel: A Short History from Abraham to the Roman Destruction of the Temple. Possui diplomas do Haverford Colle-ge, da Columbia University e da Harvard School of Law. Vive em Washington, D.C., com sua esposa e duas filhas.

Sumário
CAVERNAS E ERUDITOS: UMA VISÃO GERAL Hershel Shanks
I - O ACHADO
1. A DESCOBERTA DOS MANUSCRITOS Harry Thomas Frank
2. O CONTEXTO HISTÓRICO DOS MANUSCRITOS Frank Moore Cross
II-AS ORIGENS
3. AS ORIGENS SADUCÉIAS DA SEITA DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO Lawrence H. Scbiffman
4. O POVO DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO: ESSÊNIOS OU SADUCEUS? James C. VanderKam
5.  "O PRIMEIRO MANUSCRITO DO MAR MORTO" ENCONTRADO NO EGITO CINQUENTA ANOS ANTES DAS DESCOBERTAS DE QUMRAN Raphael Levy
6. A ORIGEM DOS ESSÊNIOS - PALESTINA OU BABILÓNIA? Hersbel Shanks
III - O PERGAMINHO DO TEMPLO
7. O PERGAMINHO DO TEMPLO - O MAIS LONGO DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO Yigael Yadin
8. AS DIMENSÕES GIGANTESCAS DO TEMPLO IMAGINÁRIO NO PERGAMINHO DO TEMPLO Magen Broshi
9. O PERGAMINHO E AS INTRIGAS Hersbel Shanks
10. SERIA O PERGAMINHO DO TEMPLO UM SEXTO LIVRO DA TORA- DESAPARECIDO DURANTE 2.500 ANOS? Hartmut Stegemann
IV - OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E A BÍBLIA
11. O TEXTO POR TRÁS DO TEXTO DA BÍBLIA HEBRAICA Frank Moore Cross
12. A LUZ DAS CAVERNAS DO MAR MORTO SOBRE A BÍBLIA Frank Moore Cross    
13. QUANDO OS FILHOS DOS DEUSES SE DIVERTIAM COM AS FILHAS DOS HOMENS Ronda S. Hendel
V - OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E O CRISTIANISMO
14. OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E O CRISTIANISMO James C. Vander Kam
15. UM TEXTO INÉDITO DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO PARALELO À NARRATIVA DE INFÂNCIA, DE LUCAS Hershel Skanks
16. JOÃO BATISTA ERA ESSENIO? Otto Betz
VI - OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E O JUDAÍSMO RABÍNICO
17. UMA NOVA LUZ SOBRE OS FARISEUS Lawrence H. Schiffman
VII - O PERGAMINHO DE COBRE
18. O MISTÉRIO DO PERGAMINHO DE COBRE P. Kyle McCarter, Jr.  
VIII - A RECONSTRUÇÃO DOS MANUSCRITOS
19. COMO JUNTAR OS FRAGMENTOS DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO Hartmut Stegemann
IX - CONTROVÉRSIAS SOBRE OS PERGAMINHOS 
20. ENTREVISTA COM O EDITOR-CHEFE DOS MANUSCRITOS, JOHN STRUGNELL Avi Katzman
21. SILÊNCIO, ANTI-SEMITISMO E OS MANUSCRITOS Hershel Shanks
22. ESTARIA O VATICANO IMPEDINDO A PUBLICAÇÃO DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO? Hershel Shanks

Editora Imago
P. 343.

472 - Quem Escreveu os Manuscritos do Mar Morto? Norman Golb




Este livro apresenta uma nova e envolvente interpretação da origem e da significação dos Manuscritos do Mar Morto. Os manuscritos vêm sendo objeto de um infatigável fascínio e de intermináveis controvérsias desde que foram descobertas nas cavernas de Qumran em 1947. Fundamentando suas análises numa cuidadosa leitura dos textos e das descobertas arqueológicas, Golb constrói uma interpretação de fato revolucionária. Trazendo para o estudo dos rolos um vasto conhecimento da história da Antiguidade, ele descreve a rica diversidade de ideias presente nos rolos e oferece uma nova interpretação da importância desses manuscritos para evolução tanto do judaísmo quanto do cristianismo.



Norman Golb, nasceu em 1928, é professor de História da Civilização Judaica no Instituto Oriental da Universidade de Chicago. Fez seus estudos na Universidade Hebraica. Foi professor da Universidade de Harvvard e da Universidade de Tel Aviv.
Golb defende que os Manuscritos do Mar Morto encontrados em Qumran não foram produzidos pelos essênios, mas sim, é produto de muitas seitas e comunidades judaicas do antigo Israel, que ele apresenta neste seu importante livro. Golb fez várias descobertas sobre os manuscritos, e hoje é considerado mundialmente uma das principais autoridades no assunto.  


Editora Imago
P. 562.



David Rubens de Souza

quinta-feira, 13 de junho de 2019

469 - Narratologia: Exegese de Narrativas Bíblicas.



Definição[1]
O termo “narratologia” é uma tradução do termo francês “narratologie”, introduzido por Tzvetan Todorov, linguista búlgaro radicado em Paris. Narratologia tem sua origem na tradição do formalismo russo e do estruturalismo francês.
Método narratológico examina o que as narrativas têm em comum, o que as diferenciam umas das outras enquanto narrativas e, estuda os sistemas específicos de regras que presidem a produção e o processamento narrativo.

Elementos da narrativa
A narrativa pode ser explícita ou implícita:
Explícita como ocorre no caso de um repórter que escreve e apresenta a sua matéria.
Implícita como ocorre na grande maioria dos livros de literatura, onde o narrador é o autor da história, assumindo ou não sua identidade.

Formas de narração: Narrador Clássico
Onisciente: possui o conhecimento completo da narrativa, personagens e situação.
Incluso: também chamado de participante, quando o narrador participa como um dos personagens. Narra em primeira pessoa ou apenas como observador.
Oculto: conhecido também como ausente, ocorre quando o narrador não se mostra.

Formas de Focalização
Focalização Zero: Lucas 7.11. Viúva de Naim. O narrador dispõe de informações que faltaria a um simples espectador. Leitor recebe mais informações do que as testemunhas da cena.
Focalização interna: Lucas 7.11. Viúva de Naim. O Senhor teve grande compaixão dela. O narrador oferece ao leitor a interioridade oculta dos personagens.
Focalização externa: Lucas 7.11. Viúva de Naim. O narrador transmite menos do que o personagem pode saber. Jesus tocou o esquife. 

Narrativas e Personagens
Protagonista: personagem principalgeralmente personifica o “bem”. Defende valores morais de seu narrador.
Antagonista: pode ser um personagem tão importante quanto o protagonistaDe um modo geral personifica o “mal” e vai contra os valores morais defendidos pelo narrador.
Personagens de “efeito”: De um modo geral são amigos ou ajudantes do protagonista ou antagonista.

Análise Narrativa: Ângulos
Em uma narrativa, os eventos da história narrada não são apresentados em uma perspectiva neutra, mas em ângulo particular.

Sinóticos e Variantes de Ponto de Vista
A História da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus. Estratégia narrativa de Marcos, Mateus e Lucas.
Atividade: Comparar relatos da ressureição. As mulheres encontraram o túmulo vazio.

Ponto de Vista: Relação do Autor com a História Narrada
Posicionamento cognitivo:
Marcos – Menos crítico em relação aos judeus.
Mateus – Mais hostil em relação aos fariseus.

Relação do Autor com a História Narrada
João: Judeus uma entidade uniformemente agressiva em relação a Jesus.
O ponto de vista é um posicionamento do narrador aplicado a todos os elementos da narrativa:
 Pessoas;
 Objetos;
 Valores.

Ponto de Vida: O Ponto de Vista, Cinco Dimensões
Espacial
Temporal
Psicológica
Fraseológica
Ideológica

Espacial: O narrador pode assumir várias posições quando descreve a ação
Pode aproximar-se do personagem e descrever a casa quando ele entra em uma casa.
Criar empatia com detalhes: distância; ação; multidão; estrada etc. 
Então mandou à multidão que se assentasse no chão, Mateus 15:35.
E, descendo ele do monte, seguiu-o uma grande multidão, Mateus 8:1.
E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava, Marcos 2:13.
E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo, Marcos 10:10.

Temporal: O narrador pode passar do passado ao presente e propor sincronia
Elipse: Tempo da narração ao tempo da anunciação da narrativa.
E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje. Mateus 28:15.

Psicológica: Verbos de percepção
Ele pensou...
Perguntava-se...
Teve medo...
Teve compaixão...
Pareceu-lhe.
E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo. Mateus 17:6.
E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome, Mateus 21:18.

Fraseológico: A percepção do personagem que o narrador quer criar no leitor
O ponto de vista do narrador impregna o discurso feito pelo personagem.
Quando um doutor da Lei em Lucas pergunta a Jesus: “Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?” Lc 10.25, o narrador exprime uma atitude de respeito da parte do doutor da Lei.
O ponto de vista do narrador constrói a imagem para o leitor.
“Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga”, João 12:42.

Ideologia: Sistema de valores que o narrador apresenta ao longo do seu relato
Marcos associa os discípulos a posições hostis a Jesus.
“Ele, porém, respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram-lhe: Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer?” Marcos 6:37-39.
“E arrazoavam entre si, dizendo: É porque não temos pão.
E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: Para que arrazoais, que não tendes pão? não considerastes, nem compreendestes ainda? tendes ainda o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais”, Marcos 8:16-18.

Prática: Análise Narrativa
Caminhada de Jesus sobre o mar:
Mateus 14.22-33
João 6.16-21

Narrativa mateana: Ponto de vista adotado é o de Jesus
Jesus obriga os discípulos a embarcar para a travessia, 14.22.
Ele está sozinho quando anoitece.
O narrador não fala de medo dos discípulos.
Jesus vai até eles e os exorta à confiança.
O medo de Pedro.
Focalização centrada em Jesus.
O narrador não apresenta a interioridade de Jesus.
Dimensão psicológica: medo e adoração.
O que Jesus está pensando?
O medo dos discípulos é provocado não pela tempestade, mas pelo aparecimento de Jesus, que eles consideram um fantasma, v. 26.

Narrativa joanina: Ponto de vista adotado é o dos discípulos
São os discípulos que embarcam para Cafarnaum: 6.17.
O relato dramatiza a situação de perigo, v. 8.
Jesus é convidado a entrar no barco.

Formar Opinião
A escolha do ponto de vista, está a serviço da reação à leitura do relato que o narrador quer provocar nos seus leitores. O ponto de vista do narrador é constituído por uma temporalidade escolhida, por uma descrição da interioridade dos personagens, por uma escolha da linguagem e por um sistema de valores.

Processo de Análise: Narratologia
1 – Quais são os elementos que indicam o começo e o fim
2 – Quando; Tempo
3 – Onde; Lugares
4 – Personagens
4.1 Individuais e coletivos
5 – Identificar focalizações: Zero; Interna e Externa
6 – Tema
7 – Gênero literário
8 – Contexto Anterior
9 – Contexto Posterior
10 – Tabela de Verificação; Harmonia de narrativas
11 – O que é que o narrador comunica ao leitor
12 – Que sentimentos desperta a narrativa no leitor


Referências
ALETTI, Jean-Noël; GILBERT, Maurice; SKA, Jean-Louis; VULPILLIÈRES, Sylvie de. Vocabulário ponderado da exegese bíblica. São Paulo: Loyola, 2011.
EGGER, Wilhelm. Metodologia do Novo Testamento: Introdução aos métodos linguísticos e histórico-críticos. São Paulo: Loyola, 2015.
GORMAN, Michael J. Introdução à exegese bíblica. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2017. 
LIMA; Maria de Lourdes Corrêa. Exegese Bíblica: Teoria e Prática. São Paulo: Paulinas, 2014.
MARGUERAT, Daniel. O Ponto de Vista: Olhares e Perspectivas nos Relatos dos Evangelhos. São Paulo: Loyola, 2018.
PARMENTIER, Elisabeth. A Escritura viva: interpretações cristãs da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2009.
YOFRE-SIMIAN, Horácio; GARGANO, Innocenzo; SKA, Jean Louis; PISANO, Stephen. Metodologia do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2015.
WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento: Manual de Metodologia. São Leopoldo/RS: EST; Sinodal, 2016.



Exegese do Antigo e Novo Testamento
Prof. David Rubens de Souza
drubenssouza@hotmail.com
Pindamonhangaba-SP
FABAD - 2019






[1] Material didático preparado para Disciplina de Exegese do Antigo e Novo Testamento. Curso: Bacharel em Teologia – FABAD, 1º Semestre de 2019. SOUZA, David Rubens. Narratologia: Exegese de Narrativas Bíblicas. Pindamonhangaba-SP: FABAD, 2019.    

domingo, 26 de maio de 2019

468 - Paulo: Uma Teologia em Construção. Andreas Dettwiler; Jean-Daniel Kaestli; Daniel Marguerat



Paulo: Uma Teologia em Construção, esta obra é fruto de um programa de pesquisa do Novo Testamento realizado em Grisões, na Suíça, de novembro de 2002 a maio de 2003. A obra reuni o trabalho dos principais exegetas da atualidade. Livro muito atual.
Belíssimo livro, recomendo a leitura.
Loyola
P. 517
2011




Andreas Dettwiler











Jean-Daniel Kaestli











Daniel Marguerat

467 - Paulo Apóstolo: um trabalhador que anuncia o Evangelho. Carlos Mesters



Carlos Mesters, é com toda certeza um dos maiores biblistas do Brasil. Mesters produziu uma obra gigantes, são vários livros, todos direcionados a formação das comunidades de base. Muito mais do que nos ensinar a ler a Bíblia, Mesters nos ensina a lutar contra toda forma de injustiça.
Tive o prazer de dividir o mesmo ônibus com Carlos Mesters em viagens. Tenho aprendido muito com esse mestre da leitura popular da Bíblia.
No livro sobre Paulo, Mesters apresenta detalhes da vida do Apóstolo Paulo:
1º Período: O judeu praticante, do nascimento aos 28 anos.
2º Período: O convertido Fervoroso, dos 28 aos 41 anos.
3º Período: O missionário itinerante, dos 41 aos 53 anos.
4º Período: O prisioneiro e o organizador, dos 53 até à morte 62 anos.
Editora Paulus
11ª edição, 2008
P. 144



466 - Paulo de Tarso, um Apóstolo para as Nações. Pedro L. Vasconcellos de Pedro Paulo A. Funari




Para quem gosta de livros de poucas páginas e rico em informações, vai uma dica: Paulo de Tarso, um Apóstolo para as Nações, escrito por dois pesquisadores conhecidos, Pedro L. Vasconcellos e Pedro Paulo A. Funari. O livro apresenta a vida e obra do Apóstolo Paulo, uma leitura fácil, prazerosa e formativa.
Conheço e respeito muito os autores.
Paulus
P. 104
2013











Pedro L. Vasconcellos









Pedro Paulo A. Funari


Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.