terça-feira, 6 de setembro de 2016

345 - A origem de Javé: o Deus de Israel e seu nome. Thomas Römer


Sinopse
Se o judaísmo e, em seguida, o cristianismo e o islã proclamam a unidade de um deus reinando sozinho, desde toda a eternidade, sobre o céu e a terra, a própria Bíblia Hebraica dá testemunho, para quem a lê com atenção, de suas raízes politeístas. De fato, o “deus de Abraão” ao qual se referem as três religiões do Livro, cada uma à sua maneira, não foi único desde sempre. Como é que um deus entre os outros se tornou Deus? Eis o enigma que este mergulho nas fontes do monoteísmo se propõe elucidar, percorrendo, ao longo de um milênio, as etapas de seu desenvolvimento. De onde vem esse deus e por que viés se revelou ele a “Israel”? Quais eram os seus atributos e qual era o seu nome antes de se tornar impronunciável? Quando chegou ele à situação de deus tutelar dos reinos de Israel e Judá? Sob que formas era venerado e representado? Por que decaíram as outras divindades, ao lado de quais ele reinava? No fim de que processo e em reação a quais acontecimentos se impôs o culto exclusivo que, progressivamente, lhe foi dado? À luz da crítica histórica, filológica e exegética, e das mais recentes descobertas da arqueologia e da epigrafia, Thomas Römer responde a essas questões com uma pesquisa rigorosa e apaixonante sobre os traços de uma divindade da tempestade e da guerra erigida, depois da “vitória” sobre as suas rivais, em deus único, universal e transcendente.

Introdução
Na paisagem religiosa da humanidade, o judaísmo é considerado a mais antiga religião monoteísta, professando que só existe um deus que é, ao mesmo tempo, o deus específico do povo de Israel e o deus de todo o universo. Essa ideia de um deus único difundiu-se, depois, no cristianismo e no islã, que a expressam cada um à sua maneira. Ao lermos as Bíblias judaica e cristãs,1 bem como o Corão, tem-se a impressão de que esse deus esteve sempre lá, pois é ele o criador do céu e da Terra. Mas, olhando mais de perto, encontramos textos que admitem a existência de outros deuses, como naquela história do conflito entre um tal de Jefté, chefe militar de uma tribo israelita, e Seon, rei dos vizinhos de Israel a leste, que foi relatada no livro dos Juízes. Para resolver o conflito territorial, Jefté utiliza um argumento teológico: “Não possuis o que Camos, teu deus, te fez possuir? E tudo o que o Senhor, nosso Deus, nos entregou em posse, não o possuiríamos nós?” (Jz 11,24). Aqui, o deus de Jefté é considerado como o deus tutelar de uma tribo ou de um povo, à semelhança de Quemós, o deus tutelar de Seon. Continuando a leitura da Bíblia hebraica,2 descobrimos outros textos curiosos. Os destinatários do Deuteronômio são, por exemplo, muitas vezes exortados a não seguir outros deuses, sem que a existência, ou seja, a realidade deles, seja negada. Assim, a Bíblia guarda traços da existência no Levante, até mesmo em Israel, de uma pluralidade de divindades e de que o Deus de Israel, cujo nome se pronunciava talvez Javé ou Yahou (questão que será abordada no primeiro capítulo), não era, de modo algum, o único deus a ser venerado pelos israelitas.

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p. 256
Paulus




344 - VII Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica (ABIB)


Evento promovido pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Metodista e a Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). (29 ago - 01 set, 2016)

O teólogo belga Jean-Louis Ska falou sobre as tendências do estudo do Pentateuco nos últimos dez anos. Ska é uma autoridade no assunto, além de ser professor de Exegese do Antigo Testamento no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, já escreveu diversos livros, incluindo “Introdução à Leitura do Pentateuco”, publicado no Brasil pela editora Loyola.
Ska ressaltou que com o livro Deuteronômio, reencontramos a lei e o mundo jurídico da Torá, tema pelo qual Eckart Otto trabalhou para devolver importância, pois acredita que a solução dos problemas do Pentateuco não vem das narrativas, mas sim das leis. Por outro lado, John Van Seters sustenta que o Código da Aliança seja mais recente do que o Código Deuteronômico e que a Lei de Santidade.

Ska explica que duas tendências importantes da pesquisa são a reforma de Josias e a natureza de Deuteronômio. No passado, a reforma de Josias foi considerada historicamente importante, porque teria acontecido a purificação de elementos estranhos e centralização do culto em Jerusalém, por meio da destruição dos cultos rivais.
A mesa “Pentateuco: História, Tradução e Exegese”, contou com a participação de Vicente Artuso, da PUC do Paraná, que coordenou a mesa e Telmo Figueiredo, membro da ABIB, que realizou a tradução do italiano para o português.


O exegeta suíço Thomas Römer foi o convidado da conferência de quarta-feira (31) do VII Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica.
Thomas Römer, da Université de Lausanee, falou a respeito dos papéis de Moisés no Pentateuco. Nos livros, ele aparece como legislador, rei, chefe e juiz de Israel, mas de acordo com Römer, o papel mais importante de Moisés é o de legislador.
Moisés: legislador, rei e juiz
“No Antigo Oriente, o rei é o mediador tradicional entre os deuses e o povo. Na Mesopotâmia, o governante político é frequentemente também o primeiro de todos os sacerdotes, devido à sua relação especial com uma divindade particular”, diz. O rei era também considerado o pastor de seu povo, legislador e juiz, como responsável pela ordem do país.




quarta-feira, 24 de agosto de 2016

342 - Em busca de Jesus de Nazaré: Uma análise literária. Eduardo Hoornaert


A leitura da Bíblia praticada nas Igrejas continua seguindo o modelo dos Padres da Igreja, que foram os intelectuais cristãos do primeiro milênio. É um modelo que dispensa investigação histórica e literária dos textos. Na Idade Média, não encontrou contestação e só começou a ser questionado a partir da Renascença (século XVI), com estudiosos como Erasmo, por exemplo, que passou a estudar as línguas originais da Bíblia e sua contextualização. Essa nova leitura causou pânico entre os comentaristas tradicionais e, com o tempo, instalou-se um clima de suspeita e discriminação mútua entre eclesiásticos (“tradicionalistas”) e modernos (“descrentes”). Efetivamente, se não há como desconsiderar o valor pedagógico da leitura ortodoxa (e descontextualizada) da Bíblia, demonstrado ao longo dos séculos, fica claro que uma leitura contextualizada dos textos pode abrir caminho para uma fé mais consistente. Alguém que se declara “sem religião”, toma distância de Jesus Cristo, sem abandonar o seguimento de Jesus de Nazaré, é cristão ou não? É com essa pergunta em mente que escrevi este livro.

Eduardo Hoornaert. Padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, mais de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens do cristianismo.

p. 216
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Paulus

2016

domingo, 14 de agosto de 2016

340 - VII Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica – Abib. Pentateuco da Formação à Recepção



O Congresso irá acontecer em São Bernardo do Campo, na Universidade Metodista de São Paulo, entre os dias 29 de agosto a 1 de setembro. O tema do Congresso é “Pentateuco: da formação à recepção”. Presença de Jean-Louis Ska e Thomas Römer, duas autoridades no assunto.

















Lançamento: Livro do congresso, “Pentateuco - Da Formação à Recepção”, com o texto em português das conferências principais, bem como das mesas que serão expostas em diversos momentos, por pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e América Latina.














Grupos Temáticos do VII Congresso ABIB – Lista das Comunicações aprovadas no seite da ABIB - http://abiblica.org.br/


GT 1 - TEORIA DE MEMÓRIA, LINGUAGEM E CULTURA: PERSPECTIVAS PARA LEITURA DAS NARRATIVAS CRISTÃS PRIMITIVAS
Coordenação: Paulo Nogueira / Kenner Terra

GT 2 - UNIDADE E DIVERSIDADE NO JUDAÍSMO DO SEGUNDO TEMPLO
Coordenação: Fernando Mattioli

GT 3 - MÉTODOS DE LEITURA E HERMENÊUTICAS DA BÍBLIA
Coordenação: Valmor da Silva e João Luiz Correa Junior

GT 4 - BÍBLIA, ARQUEOLOGIA E HISTÓRIA DE ISRAEL
Coordenação: José Ademar Kaefer, Tércio Siqueira e Suely Xavier

GT 5 - BÍBLIA E LITERATURA
Coordenação: José Adriano Filho

GT 6 – ENFOQUES DE GÊNERO E SEXUALIDADE
Coordenação: Lilia Marianno

GT 7 - TRADUÇÃO DA BÍBLIA: FERRAMENTAS, VIOLÊNCIAS E DESAFIOS
Coordenação: Johan Konings e Luiz José Dietrich

GT 8 - LEITURAS LATINO AMERICANAS SOBRE O PENTATEUCO
Coordenação: Mercedes Lopes

GT 9 – PESQUISA BÍBLICA: POR UM DIÁLOGO ENTRE AS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS E A TEOLOGIA
Coordenação: Alexandre Campos Coelho

GT 10 – RELIGIÃO, SOCIEDADE E IMAGINÁRIO NO MUNDO BÍBLICO
Coordenação: Silas Klein e Élcio Mendonça

GT 11 – TEMÁTICA LIVRE
Coordenação: Marcelo Carneiro

MINICURSO - COMISERAÇÃO E LIBERTAÇÃO DOS EGÍPCIOS - (EX 3,20-21; 11,2-3; 12,36)
Mathias Grenzer

Programação




Conferencistas  

Thomas Römer é professor atualmente em Lausanne, Suiça e no College de France, em Paris, no programa “Ambientes Bíblicos”. Jean-Louis Ska é professor no Instituto Bíblico de Roma. 










sábado, 13 de agosto de 2016

339 - Jorge V. Pixley


Jorge V. Pixley, nasceu em Chicago em 1937, mas passou a maior parte de sua vida na América Latina. Sua infância e parte de sua juventude foi passada na América Central, onde fez seus primeiros estudos. Estudou na Faculdade Batista de Manágua, onde recebeu diploma de bacharel em 1955. Continuou seus estudos na Wheaton College, em Illinois e Michigan College, em Kalamazoo, cidade onde se casou Jayne Babcock. Obteve seu doutorado em Estudos Bíblicos na Faculdade de Teologia da Universidade de Chicago.
Em 1963 Pixley foi para Porto Rico como professor de Bíblia no Seminário Evangélico de Puerto Rico. Em 1969 foi convidado para dar aulas no ISEDET de Buenos Aires, onde viveu por dez anos com sua família. Em 1985 voltaram para o Estados Unidos, mas com o triunfo da Revolução Sandinista na Nicarágua decidiu retornar para Manágua.
Foi professor no Seminário Batista do México, e Professor de História de Israel do Instituto Teológico de Estudos Superiores da Cidade do México. Pastor batista desde 1963.
Pixley está entre os principais teólogos libertação.


O Deus libertador na Bíblia: Teologia da libertação e Filosofia processual

Este livro faz uso, frequentemente, da filosofia processual ou filosofia orgânica, cuja base é constituída pelos escritos do filósofo inglês/estadunidense Alfred North Whitehead. Para o autor, essa filosofia, que afirma ser a criatividade o elemento mais básico da realidade, esclarece muitos outros pontos acerca do Deus da Bíblia, sendo não só compatível com a teologia da libertação, mas também nela encontrando sua melhor expressão teológica. Nas palavras de Pixley, “não pretendemos que a filosofia processual demonstre nada. Ela simplesmente nos ajuda a entender a realidade diária”. Desse modo, o objetivo é mostrar, com a presente obra, como essa filosofia pode tornar mais real e convincente o Deus da libertação que encontramos em nossas Sagradas Escrituras.
p. 144
Paulus


A História de Israel a Partir dos Pobres

Este trabalho apresenta uma breve história de Israel desde o Êxodo até a segunda guerra judaica (135 a.C). Preocupado apenas com os grupos humanos que se instalaram na Palestina, o autor mostra Israel, durante todo o livro, como um projeto de reação camponesa que luta para sobreviver e para criar estruturas sociais e políticas mais justas.
p. 133
Vozes



Vida no Espírito

Pixley toma como fio condutor deste denso ensaio a presença e atuação do Espírito na comunidade dos discípulos e discípulas que crêem no Senhor Jesus e o proclamam Filho de Deus, Mêssias e Salvador. Assuntos em pauta; A experiência do Espírito no movimento formado por Jesus Cristo, morto e ressuscitado; Lendo as Sagradas Escrituras desde a comunidade do Espírito; Reflexos do Espírito na antropologia bíblica; Elaboração trinitária da experiência cristã de Deus; O Espírito e a ciência; A vida no Espírito.
Vozes
P. 288


David Rubens

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

338 - Aula Profetismo no Antigo Israel; Profetas Maiores ou Profetas Posteriores. Prof. David Rubens

Aula que preparei para a disciplina de Profetas Maiores no curso de Teologia. Nos próximos dois meses estaremos estudando o movimento profético no Antigo Israel.




Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.