domingo, 3 de janeiro de 2021

533 - Jesus - A enciclopédia. Joseph Doré.


 

O cristianismo tem em Jesus a figura emblemática de seu fundador, e, por mais que se discuta qual é o seu papel na origem do cristianismo, torna-se
inegável a sua influência, sobretudo a dos evangelhos, na constituição grupal dos cristãos. Também é certo que os evangelhos não são textos históricos, por mais que tenham elementos históricos. Então, o que é possível afirmar sobre Jesus? Esta não é uma pergunta que se limita à cristologia ou à teologia cristã, mas faz do homem de Nazaré um objeto da história, seja ela em âmbito da história geral, seja a história da Palestina da época de Jesus.

Para a reconstrução dos textos bíblicos a obra Jesus – A enciclopédia faz uso de dois importantes instrumentos: a história e a exegese. Eles possibilitam
um melhor e mais acertado entendimento dos textos bíblicos e, consequentemente, de sua interpretação. Justamente a história e a exegese possibilitam que esta obra dialogue com os vários textos de teologia espalhados pelo Brasil, sejam eles de graduação, sejam eles de pós. Estes podem contar com textos de autores já conhecidos do público brasileiro como Marie- Françoise Baslez, Christoph Theobald e Daniel Marguerat, entre outros. Ao leitor não acadêmico ou de outras áreas, que não a teologia, esta obra, que conta com dezenas de autores, mostra-se um itinerário que percorre os textos bíblicos ou as situações vividas pelo cristianismo, de modo a oferecer leituras e perspectivas. Figuram entre os autores nomes conhecidos como André Comte-Sponville e Edgar Morin.

p. 840

Vozes


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

531 - Pentateuco: História, composição e aspectos teológicos. David Rubens de Souza.



Esta obra visa desenvolver uma reflexão sobre os temas e aspectos mais acentuados de cada livro do Pentateuco. A autor faz uma introdução detalhada da origem de Israel e os principais temas de cada livro do Pentateuco. Para facilitar o estudo, o livro está dividido em quatro unidades, todas apresentam cinco capítulos.

Primeira unidade: história de Israel, origem e formação do povo de Deus; geografia da terra de Israel, os antepassados de Israel e as teorias sobre o processo de conquista de Canaã; Método Histórico-Crítico e a formação do Pentateuco; as unidades literárias dos cinco primeiros livros da Bíblia.

Segunda unidade: origem do monoteísmo; relacionamento de Deus com a raça humana; a responsabilidade humana pelo pecado; narrativas dos patriarcas.

Unidade três: estudo dos livros de Êxodo e Levítico; Israel no Egito, a missão de Moisés e a libertação do povo Hebreu; a teologia do Êxodo e a aliança de Deus com Israel.

Unidade quatro: introdução aos livros de Números e Deuteronômio; o Deus que renova e inspira seu povo; os mandamentos do Senhor e o monoteísmo como princípio da aliança de Deus com Israel; direito civil. 

Páginas: 223

Formato: 16 X 23

ISBN: 978 85 60068 56 2

Ano: 2020


530 - História da Igreja: Origem e desenvolvimento da fé cristã. David Rubens.

 


Esta obra tem por objetivo apresentar a história de dois mil anos da Igreja cristã. A caminhada começa com uma apresentação do mundo cultural, político e religioso que antecedeu o nascimento de Jesus. O leitor terá a oportunidade de conhecer a origem e o desenvolvimento do Império Romano, verá a influência da cultura helenística, filosofia e religião, na sociedade que precedeu o advento do cristianismo.

Alguns temas abordados na obra: cenário de Jerusalém no tempo de Jesus; atuação de grupos religiosos e revolucionários; Pais Apostólicos, surgimento de grupos heréticos as terríveis perseguições impetradas por imperadores romanos; cismas a Igreja na Idade Média; Reforma Protestante e o árduo processo de expansão do protestantismo na Europa; as missões católicas na América e no Oriente; estrutura da Igreja Ortodoxa Oriental; chegada e desenvolvimento do protestantismo no Brasil

Páginas: 230

Formato: 16 X 23

ISBN: 978 856006859 3

Ano: 2020

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

529 - A Terra se defende. Leonardo Boff.


Nós, esquecendo que somos uma porção da própria Terra, começamos a saquear suas riquezas no solo, no subsolo, no ar, no mar e em todas as partes. Buscava-se realizar um projeto ousado de acumular o mais possível bens materiais para o desfrute humano, na verdade, para a subporção poderosa e já rica da humanidade. Em função desse propósito se criou a ciência e a técnica.

Atacando a Terra, atacamos a nós mesmos que somos Terra pensante. Levou-se tão longe a cobiça deste grupo pequeno voraz, que ela atualmente se sente exaurida a ponto de terem sido tocados seus limites intransponíveis. É o que chamamos tecnicamente de “Sobrecarga da Terra” (the Earth overshoot). Tiramos mais do que ela pode dar. Agora não consegue repor o que lhe subtraímos. Então dá sinais de que adoeceu, perdeu seu equilíbrio dinâmico, aquecendo-se de forma crescente, formando tufões e terremotos, nevascas nunca dantes vistas, estiagens prolongadas e inundações devastadoras.

De repente, acordamos assustados e perplexos: esta porção da Terra que somos nós, pode desaparecer. Em outras palavras, a própria Terra se defende contra a parte rebelada e doentia dela mesma. Pode sentir-se obrigada a fazer uma amputação como fazemos de uma perna necrosada. Só que desta vez, é toda esta porção tida por inteligente e amante, que a Terra não quer mais que lhe pertença e acabe eliminando-a.

Será assim o fim desta espécie de vida que, com sua singularidade de autoconsciência, é uma entre milhões de outras existentes, também partes da Terra. Esta continuará girando ao redor do sol, empobrecida, até que ela faça surgir outro ser que também é expressão dela, capaz de sensibilidade, de inteligência e de amor.

 

Link. Link. Artigo completo.





quinta-feira, 8 de outubro de 2020

528 - Lançamento: O Apocalipse de São João. Pierre Prigent.



O Apocalipse faz plenamente jus ao seu nome: ele traz uma “revelação” e, como suas primeiras palavras o indicam, é a revelação de Jesus Cristo. No fim do século I de nossa era, o autor visionário desse escrito do NT realiza uma obra profética: ele revela para seus irmãos — e para nós — a verdadeira realidade, que não deve ser confundida com as aparências. O Império Romano aparecia como soberano do mundo. Como sua cabeça, o imperador exercia um poder absoluto, que inclusive pretendia a divindade. Mas subjacente a esta aparência há a realidade que Deus criou: o verdadeiro poder pertence a Cristo e aos que o seguem. Já aqui na Terra são testemunhas de um mundo novo, que nada nem ninguém consegue aniquilar. Então tudo é transformado, tanto na história dos indivíduos como na história do mundo: o céu visitou a Terra dos seres humanos, e a eternidade habita o tempo. Exegeta do Novo Testamento, Pierre Prigent propõe uma versão completamente revisada de seu comentário ao livro do Apocalipse, em que a primeira edição data de quase 40 anos. De lá para cá as pesquisas exegéticas, históricas e sociológicas ampliaram o conhecimento do Apocalipse. O autor leva isso em consideração e propõe aqui um comentário aprofundado — sem equivalente na língua francesa — de um livro do Novo Testamento que não deixa de fascinar.

 

Sobre o Autor: Pierre Prigent, nascido em 1928, foi professor de Novo Testamento na faculdade de teologia protestante da Universidade de Ciências Humanas de Strasbourg. Publicou, entre outros, L’image dans le judaïsme (1991) e Jésus au cinéma (1997).

 

Características:

Dimensões: 16.00cm x 23.00cm x 3.50cm

Data de Publicação: 01/10/2020

ISBN: 9786555040388

Páginas: 664

 


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

527 - Escrita Cuneiforme persa antigo



Introdução

O rei Dario I (550-486 a.C.) reivindica o crédito pela invenção do antigo cuneiforme persa em uma inscrição em um penhasco em Behistun, no sudoeste do Irã. A inscrição data de 520 a.C., e está em três idiomas - elamita, babilônico e persa antigo. Alguns estudiosos são céticos sobre as afirmações de Dario, outros as levam a sério, embora pensem que Dario provavelmente encarregou seus escribas de criar o alfabeto, em vez de inventá-lo ele mesmo.

 

Características notáveis

Tipo de sistema de escrita: misto (parcialmente alfabético, parcialmente silábico e parcialmente logográfico). O sentido da escrita é variável. Existem cinco logogramas que representam palavras comumente usadas.

 

A língua e a escrita

Persa antigo, a língua usada nas inscrições cuneiformes da dinastia quemênida e o vernáculo da elite quemênida. O persa antigo era falado no sudoeste da Pérsia, uma área conhecida como Persis, e pertence ao ramo iraniano ou à família de línguas indo-arianas.

 

Alfabeto




 

 

Numerais

 




 

Texto de amostra

 


 

Transliteração e tradução

  


526 - Deuteronômio: Apelo à conversão ao Deus oficial do Estado


 

Introdução

A palavra grega Deuteronômio significa “Segunda Lei”, frase retirada do próprio livro em 17.18. O título em hebraico significa “Palavra”. O livro não tem um autor único, ele foi atribuído a Moisés com o único objetivo de dar credibilidade ao texto. A parte mais antiga, do capítulo 12 ao 16, têm sua origem no período tribal de Israel de 1200 a 1000 a.C. O livro se formou aos poucos, o processo de produção, feito por várias mãos, durou quase quatro século, de 750 a 400 a.C. A tradição ganhou um novo formato durante a monarquia no Reino Norte, século VIII a.C., pelo movimento profético em denúncia a dominação e exploração do Estado.

Com a queda de Samaria em 722 a.C., alguns israelitas se refugiaram em Judá, levando consigo suas tradições. O material acabou servindo de base para a reforma do rei Ezequias, 2Rs 18. A tradição foi revista e ampliada pelos escribas do rei, para legitimar a política nacionalista e expansionista do rei Josias, 2Rs 23.2.

Posteriormente, no período do exílio e do pós-exílio, o texto foi mais uma vez editado, recebendo uma introdução, capítulos 1-4; e uma conclusão, capítulos 29-34, com a finalidade de incluir o texto no conjunto de Leis, Pentateuco. O livro ocupou papel preponderante no Reino do Sul, chegando a construir um movimento chamado “Escola Deuteronomista”, que continuou produzindo até o final do exílio Babilônico, sendo os responsáveis por importantes obras: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis.

 

Israel tribal e o culto a várias divindades  

O núcleo mais antigo do Deuteronômio, período pré-estatal, 1200 a.C., transparece uma organização comunitária: “Abre mão em favor do seu irmão, do seu pobre e do seu necessitado, na terra onde você está”, Dt 15.11.

Com o passar do tempo, uma lei foi estabelecida e partilhada entre os clãs, Dt 22.6-7. Essas leis eram recitadas nos cultos na família e no santuário, onde se manifestava a fé em divindades protetoras. Os primeiros israelitas prestavam culto a várias divindades, cultuadas na sociedade de Canaã:

El: o Deus supremo;

Elohim: o Deus dos pais,

Baal: o deus da chuva;

Aserá: a deusa da fertilidade;

Yahweh: Deus da guerra.

 

Reino Norte e o Santuário do rei: opressão e exploração

Já no período estatal, em 783, Israel passou por um tempo de prosperidade, e para manter o desenvolvimento, a corte estabeleceu uma política de centralização. Um dos meios foi a centralização do culto, das festas e do sacrífico no santuário de Betel, “santuário do rei”, Am 7.13.

Com a centralização do culto no santuário do rei, a religião sofreu mudanças; Yahweh tornou-se o Deus oficial do Estado. As outras divindades, El e Baal, foram condenadas. Nesse período, a maioria da população camponesa sofria com injustiça, violência e exploração pela elite de Samaria.

Com a queda de Samaria em 735, sob o Império Assírio, grande número de pessoas fugiram para Judá, levando consigo as diversas tradições de Israel Norte, por exemplo, Yahweh como o Deus oficial do Estado.

 

Judá e a centralização do poder e da riqueza

Com a destruição do Reino Norte, Judá começou a florescer como Estado, sendo incluído no comércio internacional assírio.

Para aumentar a riqueza e controle, o rei Ezequias fortaleceu o culto a Yahweh, Deus nacional de Judá, destruiu os santuários do interior e centralizou o culto em Jerusalém, Dt 12.5; e perseguiu as outras divindades, Dt 13.6; 2Rs 18.4.

Os escribas do rei, editaram as leis sociais e religiosas para legitimar a reforma de Ezequias. A reforma foi interrompida pela invasão Assíria. Em 620 a.C., a Assíria entrou em crise por causa da guerra contra a Babilônia. O rei Josias, de Judá, aproveitou o momento e retomou as reformas de Ezequias.

Josias fortaleceu o culto oficial do Estado, e perseguiu brutalmente a religiosidade popular dos camponeses, 2Rs 23.24. Destruiu os santuários do interior, os sacerdotes do interior foram mortos ou reduzidos a uma categoria inferior. Tanto a reforma de Josias como a de Ezequias tinham o objetivo político de centralizar o poder e a riqueza em benefício da elite de Jerusalém.

O desastre de Judá ocorreu com Joaquim, 609-597 a.C., e Sedecias, 597-587 a.C., atingidos pela Babilônia, 2Rs 23.36; 25.21. Jerusalém foi destruída, os sobreviventes perguntavam: quem foi o culpado? Yahweh, o Deus nacional abandonou seu povo? Os escribas começaram a organizar as atividades religiosas nas ruínas de Jerusalém, Jr 41.5; convocando o povo ao arrependimento e da obediência à Lei para restabelecer a aliança com Yahweh, Dt 30.15-16.

O surgimento do Império Persa, 538-400 a.C., a elite judaíta retornou do exílio babilônico, os escribas e sacerdotes reassumiram suas funções no templo e Jerusalém tornou-se o centro religioso e administrativo, explorando e oprimindo a população rural que permanecera na Palestina durante o exílio, Is 56.10; 58.1-7.

 

Templo e manutenção da elite de Jerusalém

A única forma de participar da sociedade e do templo era fazer sacrifícios, que incluía a entrega de ofertas. Dessa forma, o templo e a Lei tornaram-se os principais mecanismos de arrecadação de tributos e manutenção da teocracia de Jerusalém, que repassava uma parte da arrecadação ao Império Persa.

 

Conclusão

O conjunto da obra deuteronomista quer ser um apelo à conversão ao Deus oficial do Estado. A versão final do Deuteronômio, a serviço do templo, exalta a Lei, o sacrifício e a segregação através da política de puro e impuro.

 

Referência

NAKANOSE, Shigeyuki; MARQUES, Maria Antônia. A Lei a favor da vida? Entendo o livro do Deuteronômio. São Paulo: Vida Pastoral, ano 61 – Número 335, 2020.

Link para o texto completo em pdf de Nakanose e Maria Antônia: https://405ebfd9-4e56-42ff-8afc-6d275aee974c.filesusr.com/ugd/a34265_2c6fd3f18bdd472ca2262703b42365f4.pdf  

RÖMER, Thomas. A chamada história deuteronomista: introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008.

BORTOLINO, José. Pentateuco e História Deuteronomista. Aparecida: Santuário, 2018.

ILDO, Bohn Gass. Uma introdução à Bíblia: Formação do Povo de Israel. São Paulo: Paulus; Cebi, 2002.

 

 


Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.