sábado, 21 de julho de 2018

422 - José Comblin. Vida e Teologia.



Vida


José Comblin nasce em 1923, em Bruxelas. Primeiro dos cinco filhos de uma família simples, realiza sua formação básica em humanidades clássicas e, aos 17 anos, entra no Seminário Léon XIII (que havia sido criado pelo Cardeal Mercier para acolher de diferentes dioceses belgas os estudantes que mais se destacaram intelectualmente), concluindo aí os estudos de Filosofia.
Em 1944, começa seus estudos de Teologia em Malines, entre o Seminário Saint-Joseph e o Grande Seminário. Posteriormente realiza os estudos de doutorado em Teologia Bíblica na cidade de Louvain. Ordenado em 1947, é nomeado vigário em Bruxelas, na paróquia Sacré-Coeur, onde trabalha especialmente com os jovens. No período de 1950 a 1957, trabalha como professor de Escrituras Sagradas no CIBE (Centre d’instruction pour brancardiers ecclésiastiques) em Alost, instituição para jovens seminaristas e religiosos belgas que faziam o serviço militar em conjunto com os estudos teológicos.
No entanto, novos planos já eram pensados por Comblin. Em 1955, após a publicação da Encíclica Fidei Donum, atendendo ao pedido – por parte do Cardeal Van Roye – de padres que pudessem trabalhar como missionários, conhecendo a experiência de seu irmão André que era religioso dos Padres Brancos na África, e com um sentimento pessoal de falta de futuro para a Igreja na Europa, Comblin envia a primeira solicitação de partida para a América Latina. Não obtendo resposta, envia uma segunda solicitação em 1957, que foi finalmente aceita. Diferentemente do objetivo de Pio XII, que era enviar padres europeus à América Latina para lutar contra o comunismo, ele desejava antes fazer parte de uma Igreja na qual via ainda um futuro. E Comblin cumpre seu objetivo.
Requisitado para a Igreja de Campinas (São Paulo), Comblin inicia no Brasil, em 1957, sua caminhada como padre e teólogo pelo continente latino-americano. Passados os primeiros cinco anos, em que inicia ao mesmo tempo seu trabalho como professor no Seminário Menor em Campinas e na Escola de Teologia dos Dominicanos (Studium Theologicum dos Dominicanos) em São Paulo, recebe o convite de Marcos McGrath em 1962 para ser professor na Faculdade de Teologia de Santiago do Chile por três anos. Ao final desse período, convidado por D. Hélder Câmara, volta ao Brasil e, em 1965, chega ao Recife, onde desenvolverá trabalhos pastorais e acadêmicos como professor e coordenador do ITER (Instituto Teológico do Recife) até 1972, quando é impedido pelos militares de entrar no país. Por essa razão, retorna ao Chile e lá permanece até 1980, sendo expulso pelo regime de Augusto Pinochet. Dessa vez, regressa ao Brasil, onde se instalará até sua morte em 27 de março de 2011, residindo inicialmente no Estado da Paraíba (ligado à Arquidiocese de João Pessoa) e finalmente no Estado da Bahia, na Diocese de Barra.


Teologia
O período vivido no continente latino-americano permitiu a Comblin entrar em contato de maneira mais profunda com a realidade e a teologia latino-americana, que se constituía naqueles anos como a teologia da libertação. Realiza inúmeras viagens por quase todos os países do continente, formando uma rede de contatos com bispos e teólogos latino-americanos ligados a essa linha teológica. Isso lhe deu a possibilidade de participar das mudanças na Igreja da América Latina, proporcionadas pelo Concílio Vaticano II, consolidadas pela Conferência de Medellín e confirmadas em Puebla.
O deslocamento geográfico, cultural, social e teológico realizado pelo nosso autor é convergente com a consolidação da teologia latino-americana, que se constitui fora da centralidade europeia. Esses dois fatos serão refletidos em sua obra teológica. De suas primeiras publicações, eminentemente ligadas ao contexto europeu, em que falava de revolução e paz, os temas foram cada vez mais deslocados para a realidade latino-americana.
A nosso ver, essa “nova etapa de produção”, marcada pela dinâmica da teologia latino-americana da libertação, permitiu a Comblin revelar três características que identificam seu fazer teológico. A primeira pode ser definida pela permanente busca inicial, ampla e profunda, de compreensão da realidade para, num segundo momento, emitir um discurso teológico. Se fizermos uma analogia com o método V-J-A (Ver-Julgar-Agir) e estabelecermos uma graduação entre as três vertentes, afirmaremos que o forte de Comblin se situa no Ver.
A segunda característica é a centralidade antropológica, que marca sua construção teológica. Comblin escreve e pensa sua teologia com um objetivo preciso: ajudar o homem a transformar-se e tornar-se aquilo para que fora chamado por Deus (ser cada vez mais humano).
A centralidade do humano em sua obra é essencial, o que o leva a afirmar: “A humanidade não é um tema entre os outros dentro da Teologia, mas é o tema que é central”. Na dinâmica da teologia latino-americana, Comblin assume a compreensão do humano a partir da opção preferencial pelos pobres. Daí em diante, abandona o projeto de oferecer um modelo de humanidade e trabalha considerando as necessidades e demandas humanas para, uma vez baseado em sua análise contextualizada, ter condições de oferecer alguma reflexão teológica que possa colaborar na restauração do respeito ao “não-homem”.
No giro epistemológico de sua abordagem antropológica, Comblin encontra o rosto do humano que sua teologia deve tocar: é o rosto do homem pobre latino-americano. Uma vez situado na América Latina, Comblin assume o pobre como o protagonista bíblico, que é definido em Puebla como “as grandes maiorias que não conseguem satisfazer suas necessidades básicas de alimentação, saúde, habitação, educação e emprego. A pobreza deve ser compreendida no sentido concreto e material. Não se trata de disposições psicológicas interiores”.
Levando-se em consideração sua história (contexto social e eclesiológico), podemos afirmar que Comblin se encontra em uma situação peculiar que podemos dizer “de fronteira”, ou seja, está situado entre dois contextos históricos: o europeu, em que se formou teologicamente, e o latino-americano, em que produz sua teologia de maneira contextualizada.
Daí decorre a terceira característica, que neste artigo é de essencial compreensão: a obra de Comblin é evolutiva. Sua base de formação teórica e a experiência pastoral e teológica latino-americana lhe permitem ressituar os temas de que trata ao longo dos anos. Ou seja, um mesmo tema pode ser retomado em períodos e épocas diferentes, e, por estar ligado à realidade, reflete em si mesmo sua transformação.


Livros

Coleção: Espiritualidade bíblica


Evangelizar

Evangelizar é o centro da missão da Igreja. Mas o que é evangelizar? É anunciar e publicar a mensagem dos evangelhos. Ora, a mensagem dos evangelhos consiste nisto: o anúncio de Jesus Cristo. E Jesus Cristo foi o evangelizador por excelência: anunciou o advento do reino do Pai, que é vida e liberdade para as criaturas humanas. A fonte última da evangelização é, portanto, o Evangelho que foi anunciado por Jesus, a mensagem que foi proclamada na Palestina por Jesus, Filho de Deus e homem verdadeiro. Compreender o Evangelho é vivê-lo de novo, reinventá-lo a cada situação que surge, recebê-lo como resposta a uma interrogação da vida presente.
p. 144



A fé no evangelho

A fé é bem diferente daquilo que se ensinava há poucos anos. Ensinava-se que a fé consiste em acreditar em toda a doutrina proposta pelo magistério eclesiástico. Insistia-se muito no caráter misterioso da fé. Os dogmas eram apresentados de tal maneira que pareciam puros mistérios incompreensíveis. A fé era justamente crer no inacreditável. Já faz tempo que os teólogos procuraram mudar essa longa prática catequética. A fé não é ato intelectual. A fé consiste em entregar a vida a Jesus. Ele proclama uma nova vida, um novo mundo e convida a trabalhar com ele nessa tarefa. A fé consiste em nos entregar a Jesus sem saber por onde passará o caminho pelo qual nos conduz. É ato de confiança e ato que compromete a vida toda. Pois a fé é entrar num caminho novo, desconhecido. A fé abre novos horizontes para a vida. Não é um sacrifício: é um imenso benefício. Doravante, os discípulos de Jesus sabem aonde vai a sua vida, qual será a sua tarefa.
p. 104


Jesus de Nazaré

Pretendemos meditar sobre a vida humana, simplesmente humana, de Jesus Cristo. Queremos abordar esse Jesus de Nazaré tal como os discípulos o conheceram e o compreenderam - ou não o compreenderam - quando caminhavam com ele pelas estradas da Galileia, percorrendo os povoados de Israel, quando ainda não o conheciam como Senhor e Filho de Deus. Desejamos ver esse Jesus tal como ele aparecia quando ainda não manifestava sua relação pessoal com Deus; quando, aos olhos dos discípulos, ele ainda era um homem, simplesmente homem.
P. 120




A liberdade cristã

A liberdade está no centro da mensagem cristã. Jesus é um homem livre e abre caminho para que todos se libertem. O evangelho é o anúncio do reino de Deus, e o reino de Deus é a liberdade dos seres humanos. A humanidade nova que Jesus anuncia é a humanidade em que todos se ajudam a viver mais e melhor. Nas nossas chamadas democracias se diz que a lei e a vontade dos cidadãos. Será assim na prática? Como funciona a lei na prática? Ela serve para justificar e defender a situação atual com todas as suas injustiças. O evangelho serve para refletir sobre a organização política. Mas serve também para fazer a reflexão sobre a organização eclesiástica. O direito da Igreja ajuda realmente a promover e libertar os pobres?
p. 136



A oração de Jesus

As orações de Jesus são o modelo perfeito para a oração dos discípulos. Não podemos garantir que as orações que se encontram nos evangelhos reproduzem literalmente a palavra de Jesus, já que foram escritas pelos evangelistas muito tempo depois de pronunciadas. Mas elas expressam a forma como a oração de Jesus foi transmitida e entendida pelas gerações sucessivas de discípulos. Foram escritas com a intenção de fornecer os modelos da aceitação de um desafio. Jesus deve aceitar o seu papel profético. A fidelidade à sua missão vai até o fim. A oração é de aceitação tanto no jardim como na cruz. É de fidelidade à sua missão de revelar Deus aos pobres e ignorantes. A oração consiste em aceitar com confiança algo humanamente incompreensível. É uma entrega ao Pai, para que ele realize o seu desígnio.
p. 104



Jesus, enviado do Pai

O tema Enviado do Pai é o eixo do evangelho segundo João. A missão de Jesus na terra foi revelar o Pai. João condensa toda a sua mensagem nisto: dar a conhecer o que é Deus. Deus quis mostrar o que ele é realmente. Ele tem uma palavra que tudo diz, e essa palavra é Jesus. A vida de Jesus na terra mostra o que é Deus: "Quem me vê, vê o Pai". Pois Jesus não lhe dá o nome de Deus, mas o nome de Pai, o que já anuncia a grande diferença em relação a todas as religiões do mundo. O Pai está com Jesus e em Jesus, e tudo o que Jesus fez mostra o que é o Pai. A verdadeira glória de Deus está na vida de Jesus, na cruz e na ressurreição. O leitor encontrará aqui algumas meditações sobre os diversos aspectos do Pai que a vida de Jesus mostrou. Com elas, poderemos corrigir nossos erros ou melhorar nosso conhecimento do verdadeiro Deus, e não do Deus inventado pela imaginação ou pela razão humana.
p. 112



Viver na esperança

A esperança cristã está fundada no anúncio do Reino de Deus por Jesus. O Reino de Deus já está presente, e a própria vida de Jesus mostra essa presença. Os discípulos foram encarregados de anunciar da mesma maneira o Reino de Deus. Não se trata de discursos, e sim de suas vidas. Com esses discípulos, um novo mundo aparece, uma nova humanidade. A esperança já tem uma existência neste mundo. Os pobres são os encarregados de anunciar o Reino de Deus, pela sua vida animada pelo Espírito. A prova da autenticidade da esperança exige que a pessoa faça realmente a experiência da realidade da vida. Viva plenamente a vida presente nesta terra.
p.112



O Espírito Santo no mundo

Estamos acostumados a pensar que tudo o que diz ou faz a Igreja é obra do Espírito Santo. Mas não é bem assim. Pensamos que entendemos os evangelhos e o que Jesus nos ensinou pela sua vida, pelos seus atos e pelas sua palavras. Mas não é bem assim, Precisamos que venha o Espírito para que possamos descobrir os nossos erros sobre Jesus e o projeto de Jesus, porque sempre nos desviamos desse projeto. O projeto de Jesus é a realização das promessas feitas a Abraão. Jesus veio para criar um povo novo, conforme à verdadeira humanidade. Jesus envia e acompanha os seus discípulos na construção desse povo. Para realizar essa missão, os discípulos não recebem nenhum poder terrestre, nem dinheiro, nem poder político, nem superioridade cultural. O poder que lhes confere o Espírito é somente a força do testemunho. O testemunho não é imposição, não é violência, não é conquista, mas apelo. Apelo para a liberdade. A conquista da liberdade é o sinal da chegada do Reino de Deus. 

p. 136


Coleção: Temas de Atualidade


O povo de Deus

Muitos acham que a tarefa mais significativa de um novo pontificado seria restaurar a eclesiologia do Vaticano II ressuscitando o conceito de povo de Deus. Paradoxalmente, o maior adversário do conceito de povo de Deus foi aquela pessoa que acabava de publicar um livro sobre "O novo povo de Deus". Os defensores mostraram-se menos rigorosos do que os opositores. Evidentemente, ninguém podia rejeitar abertamente um Concílio Ecumênico, mas as críticas tendiam a relativizar o valor dos documentos, pôr em evidência as insuficiências ou as contradições. Depressa espalhou-se o rumor de que o Vaticano II estava superado, que fora influenciado por circunstâncias históricas que já pertenciam ao passado, que os bispos se tinham deixado levar por emoções sem olhar criticamente o mundo com o qual queriam caminhar. Bem depressa também a oposição concentrou os seus ataques contra a ideia de 'o povo de Deus'. Na realidade, muitos estavam espantados pela perspectiva de mudar alguma coisa nas estruturas ou nas condutas tradicionais da Igreja, e temiam que o conceito de povo de Deus fosse usado para pedir reformas. Aceitavam ideias, com a condição de que não se tirassem delas consequências práticas. Ou então esperavam resultados imediatos permitindo um novo triunfalismo e, quando viram que os triunfos não chegavam, voltaram para trás.
p. 416



A vida: Em busca da liberdade

O ensaio de pneumatologia de José Comblin, que se completa com este livro, procura sondar o que faz o Espírito Santo no mundo a partir de cinco temas bíblicos fundamentais relacionados a ele e nos quais se concentra o seu agir no mundo: o agir ou a ação, a palavra, a liberdade, o povo de Deus e a vida. Se nos perguntamos: "o que faz o Espírito Santo?", a resposta é: ele dá vida, liberdade, dom da palavra, força para agir e cria o povo de Deus.
p. 184







Vocação para a liberdade

Este livro parte de uma encruzilhada em que convergem quatro preocupações. Em primeiro lugar, na América Latina, os movimentos de libertação descobriram a liberdade. Acabou o conflito ideológico entre liberdade de libertação descobriram a liberdade. Acabou o conflito ideológico entre liberdade e libertação. A teologia cristã da liberdade pode iluminar e orientar a busca de uma nova teoria da libertação. Em segundo lugar, desde a década de 80, a Igreja latino - americana anda buscando uma identidade perdida. Teve identidade clara nos tempos de Medellín e de Puebla. Logo em seguida, essa identidade dói diluindo - se e, na atualidade, parece ter -se perdido. Consciente ou conscientemente, muitos trabalham como se quisessem refazer a cristandade, procurando apagar trinta anos de história. Em terceiro lugar, durante, durante séculos, o evangelho permaneceu muitas vezes recoberto por revestimentos culturais que ocultavam aspectos importantes. No segundo milênio, sobretudo a partir do século XIV, o evangelho da liberdade ficou quase esquecido diante do triufo de um catolicismo clerical, patriarcal, verticalista e de inspiração imperial. Esse tipo de catolicismo foi enfrentado pelo Vaticano II, que não pôde vencê-lo. Em quarto lugar, muitos católicos estão cada vez mais coscientes de que não se pode anunciar o evangelho da liberdade, isto é, o evangelho que proclama a vocação humana para a liberdade.
p. 319



O Caminho: Ensaios sobre o seguimento de Jesus

Neste ensaio, Comblin trata não da religião, mas do caminho de Jesus. Este é um dos mais belos livros de já li.












Comentário Bíblico Latinoamericano

José Comblin, um dos principais idealizadores do projeto. Comentário sobretudo prático, pastoral, e que reforça a caminhada dos pobres.



Atos dos Apóstolos.














Epístola aos Colossenses e Epístola a Filêmon.













Epístola aos Efésios.













Epístola aos Filipenses.














Segunda Epístola aos Coríntios.












Livros em Homenagem a José Comblin.





























Padre José Comblin. Uma vida guiada pelo Espírito

Monica Maria Muggler

A vida do profeta José Comblin narrada por Monica Maria Muggler que compilou e organizou em livro a história viva e provocante. Ela também missionária que se tornou nordestina e disponível para o que fosse julgado mais necessário para o processo de evangelização estilo Vaticano II.

Dom José Maria Pires 

Título: Padre José Comblin. Uma vida guiada pelo Espíritoítulo: 
Assunto: Biografia, teologia da Libertação, projeto de Jesus 
Autora: Monica Maria Muggler
Formato: 17x24
Número de páginas: 256
Editora: Nhanduti Edito


   















quarta-feira, 20 de junho de 2018

421 - Deus: Uma história humana. Reza Aslan




Do mesmo autor de Zelota, best-seller internacional, uma história concisa e fascinante do nosso entendimento de Deus
O aclamado escritor e estudioso de religião Reza Aslan desafia o ponto de vista dominante a respeito da nossa relação com o mundo espiritual. Com um texto claro, envolvente e desafiador, ele faz aqui um relato sobre o modo como o conceito de Deus se desenvolveu ao longo da história - das pinturas ancestrais nas cavernas até os dias de hoje.
A história da religião é vista por Aslan como uma busca surpreendentemente coesa de entender o sagrado dando a ele traços e emoções humanas. Esse desejo inato de humanizar Deus está arraigado em nossos cérebros, diz o autor, tornando-se uma característica central de quase todas as tradições religiosas. Para Aslan, Deus é que foi feito à imagem do homem, e não o contrário. "Independentemente de acreditarmos ou não, o que a grande maioria de nós pensa quando pensamos em Deus é uma versão divina de nós mesmos".
Mas isso tem consequências. Nós conferimos a Deus não apenas tudo o que é bom na natureza humana, como a compaixão ou a sede de justiça, mas também tudo o que é ruim - a ganância, o fanatismo, a propensão à violência. Todas essas qualidades estão na base de nossas religiões, culturas e governos.
Um livro ousado, abrangente e provocativo que coloca em xeque muitas certezas, inclusive a nossa compreensão da vida e da morte - e até mesmo a própria essência da existência humana. Se você acredita em um deus, muitos deuses ou nenhum deus, este livro desafiará a maneira como você pensa o divino e seu papel em nossas vidas diárias.
P. 248
Zahar



quinta-feira, 7 de junho de 2018

420 - Joseph Ratzinger e a Vida de Jesus de Nazaré.



Joseph Aloisius Ratzinger (1927), Papa Emérito Bento XVI, foi papa e bispo de Roma de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013, quando oficializou sua abdicação.
Em 1943, com dezesseis anos, foi incorporado, pelo alistamento obrigatório, no Exército Alemão, numa divisão da Wehrmacht encarregada da bateria de defesa antiaérea da fábrica da BMW nos arredores de Munique. Foi dispensado em 1944, dias depois foi enviado a um campo de trabalho em Burgenland, na fronteira da Áustria com a Hungria e a Checoslováquia para realizar trabalhos forçados, daí sendo enviado ao quartel de infantaria em Traustein, de onde desertou pouco tempo depois.
Com a rendição alemã em 8 de maio de 1945, Ratzinger ficou preso no campo de concentração de prisioneiros das forças aliadas em Bad Aibling, com mais de quarenta mil prisioneiros. Foi libertado em 19 de junho, aos dezoito anos.
Com o irmão, Georg Ratzinger, Joseph entrou para um seminário católico. Em 1951, foram ambos ordenados sacerdotes.
A partir de 1952 iniciou a sua atividade de professor na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Frisinga lecionando teologia dogmática e fundamental. Em 1953, obteve o doutoramento em teologia com a tese “Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho”. Sob a orientação do professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, obteve a habilitação para a docência apresentando para isto dissertação com título de “A teologia da história em São Boaventura”.
Lecionou em Bonn (1959 - 1963); em Münster (1963 - 1966) e em Tubinga (1966 - 1969) onde foi colega de Hans Küng e confirmou uma certa visão tradicionalista como oposição às tendências marxistas dos movimentos estudantis dos anos 1960. A partir de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde chegou a ser Vice-Reitor.
No Segundo Concílio do Vaticano (1962 – 1965), Ratzinger assistiu como  especialista em teologia do Cardeal Joseph Frings de Colónia.
Fundou em 1972, junto com os teólogos Hans Urs von Balthasar (1905-1988) e Henri De Lubac (1896-1992), a revista Communio, para dar uma resposta positiva à crise teológica e cultural que despontou após o Segundo Concílio do Vaticano.



Jesus de Nazaré - A Infância

Não temais! Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um salvador, que é Cristo Senhor, na cidade de Davi. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas deitado numa manjedoura. — LUCAS 2, 10-12 Finalmente posso entregar nas mãos do leitor o pequeno livro, há muito prometido, sobre as narrativas da infância de Jesus. Não se trata de um terceiro volume, mas de uma espécie de pequena “antecâmara” dos dois volumes anteriores sobre a figura e a mensagem de Jesus de Nazaré. Nele procurei interpretar, em diálogo com exegetas do passado e do presente, aquilo que Mateus e Lucas narram sobre a infância de Jesus, no início dos seus Evangelhos. É minha convicção que uma interpretação correta requer dois passos. Por um lado, é preciso interrogar-se sobre o que pretendiam dizer com os seus textos os respectivos autores, na sua época histórica: é a componente histórica da exegese. […] A segunda pergunta que o exegeta autêntico deve fazer-se é: o que foi dito é verdade? Tem a ver comigo? Se for assim, de que modo me diz respeito? No caso de um texto como o da Bíblia, cujo autor último e mais profundo– segundo a nossa fé – é o próprio Deus, a questão da relação do passado com o presente faz parte, inevitavelmente, da própria interpretação. […] Preocupei-me em dialogar, nesse sentido, com os textos. Entretanto, estou bem ciente de que esse diálogo, na ligação entre passado, presente e futuro, não poderá jamais dar-se por completo e de que toda interpretação fica aquém da grandeza do texto bíblico. Espero que este pequeno livro, apesar dos seus limites, possa ajudar muitas pessoas no seu caminho para Jesus e com Jesus. — Bento XVI
 Resenha da editora



Jesus de Nazaré - do Batismo No Jordão À Transfiguração 

Quis tentar representar o Jesus dos Evangelhos como o Jesus real, como o ‘Jesus heróico’ no sentido autêntico. Estou convencido, e espero que o leitor possa ver, que esta figura é mais lógica e historicamente considerada mais compreensível do que as reconstruções com as quais fomos confrontados nas últimas décadas. Penso que precisamente este Jesus o dos Evangelhos é uma figura racional e manifestamente histórica. Só quando se deu algo de extraordinário, quando a figura e as palavras de Jesus radicalmente ultrapassaram a média de todas as esperanças e expectativas, é que se esclarece a sua crucificação e também a sua ação. Cerca de vinte anos depois da morte de Jesus, já encontramos no grande hino cristológico da Carta aos Filipenses (Fl 2,6-11) uma cristologia plenamente desenvolvida, na qual se proclama que Jesus era igual a Deus, mas que se desfez de si mesmo, se fez homem, se humilhou até a morte na cruz, e que agora Lhe é devida a veneração cósmica, a adoração que Deus anunciou no profeta Isaías (Is 45,23) como devida apenas a Ele. A pesquisa crítica faz a si mesma, com razão, esta pergunta: o que é que aconteceu nestes vinte anos desde a crucificação de Jesus? A ação de representações de comunidades anônimas, cujos portadores procura descobrir-se, não esclarece nada na realidade. Como é que grandezas coletivas desconhecidas podiam ser criativas? Convencer e, assim, se impor? Não é então, mesmo historicamente, muito mais lógico que o grandioso se encontre no princípio e que a figura de Jesus na realidade acabe com todas as categorias disponíveis e que apenas a partir do mistério de Deus se deixe entender?
 Resenha da editora



Jesus de Nazaré - da Entrada Em Jerusalém Até A Ressureição

No gesto das mãos abençoadoras exprime? Se a relação duradoura de Jesus com os seus discípulos, com o mundo. Enquanto parte, Ele vem levantar-nos acima de nós mesmos e abrir o mundo a Deus. Por isso os discípulos puderam transbordar de alegria quando voltaram de Betânia para casa. Na fé, sabemos que Jesus, abençoando, tem as suas mãos estendidas sobre nós. Tal é a razão permanente da alegria cristã.
 Resenha da editora

terça-feira, 5 de junho de 2018

419 - Pentateuco: Livros sobre o Pentateuco. Bibliografia Básica para entender os 5 primeiros livros da Bíblia.



Introdução à leitura do Pentateuco - Chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia

Para estudar o Pentateuco, o autor serve-se do método histórico-crítico. Com esse instrumento, descreve-o em sua forma canônica atual. Percorre fontes, redações e autores a fim de saber dos elementos que o compõem. Apresenta um resumo da história da pesquisa e posiciona-se quanto aos problemas referidos, propondo soluções. Situa a formação do livro pós-exílio em seu quadro histórico e comenta sua relação com o Novo Testamento.
Jean-Louis Ska, jesuíta belga, é professor no Instituto Bíblico de Roma. Publicou por Edições Loyola: O Deus oleiro, dançarino e jardineiro, Introdução à leitura do Pentateuco e A Palavra de Deus nas narrativas dos homens.
Loyola
P. 304



Pentateuco: da formação à recepção: Contribuições ao VII Congresso ABIB - UMESP

Este livro é resultado do VII Congresso da ABIB (Associação Brasileira de Pesquisa Bíblia), realizado em 2016 na UMESP, com o tema: Pentateuco - da formação à recepção.
Os textos das conferências principais de Jean-Louis Ska (Itália) e Thomas Römer (Suíça/França) abordam questões fundamentais da formação do Pentateuco e dos papéis nele atribuídos a Moisés. 
Os demais textos reproduzem conferências de pesquisadores de diferentes regiões e instituições no Brasil e em outros países da América Latina. Aqui encontramos recortes como análises literárias e interdisciplinares de determinados textos e temas, bem como questões da recepção do material, dentro e para além da cultura judaica. 
A obra reflete a preocupação da ABIB em promover a pesquisa bíblica da maneira mais ampla possível, e cremos que a fomentará decisivamente, pois reflete o que há de mais atual e relevante nas pesquisas sobre o Pentateuco.
Autores: Monika Ottermann,Marcelo da Silva Carneiro,Telmo José Amaral de Figueiredo



O Canteiro do Pentateuco: Problemas de composição e de interpretação/Aspectos literários e teológicos. Jean-Louis Ska.

O Pentateuco é um "canteiro sempre aberto", como demonstram os estudos bíblicos das últimas décadas. 
Esta obra, do renomado biblista Jean-Louis Ska, compõe-se de duas partes interligadas e complementares. A primeira abrange seis capítulos e é dedicada ao estudo dos problemas de composição e de interpretação dos cinco livros que compõem o Pentateuco; a segunda descreve, ao longo de sete capítulos, os aspectos literários e teológicos presentes e subjacentes no texto bíblico do Pentateuco.
Trata-se de uma obra de referência para o estudo e a compreensão do projeto dos cinco primeiros livros da Bíblia. Muitas das pesquisas bíblicas sobre o Pentateuco e a análise narrativa dos textos bíblicos, desenvolvidas no Brasil, consideram atentamente as contribuições e, pode-se dizer, possuem a marca dos critérios e argumentos presentes nas obras do Prof. Jean-Louis Ska, que se tornaram obrigatórias e de referência para uma adequada e criteriosa abordagem dos textos bíblicos, particularmente do Pentateuco. 
Jean-Louis Ska
Paulinas
P. 282


O Pentateuco - Coleção Introdução Ao Estudo Da Bíblia Vol. 3.

O Pentateuco é o centro da Bíblia hebraica e parte essencial da Bíblia cristã. Grande composição literária, integrada por narrações e leis, os personagens principais, que aparecem nesses cinco primeiros livros do Velho Testamento, desenvolvem-se, por via de regra, num marco espacial e temporal muito amplo, quando não o transcende, como no caso de Javé. Escrita com competência, esta obra notável, parte da coleção "Introdução ao Estudo da Bíblia”, dirige-se ao mundo universitário e aos leitores interessados na Bíblia.
Ave Maria
P. 328




O Pentateuco: Uma Introdução. Edgard Leite

O Centro de História e Cultura foi criado com o objetivo de oferecer a todos um espaço laico, que servisse de fórum para o debate de alto nível e sob diversas óticas da história, do pensamento e das tradições judaicas, oferecendo palestras, debates e cursos, sempre mediado por pessoas de notório saber.
Como um dos resultados desta proposta, surge a obra de Edgard Leite, O Pentateuco: Uma Introdução, dirigida para aqueles que procuram respostas para muitas dúvidas sobre a Torá, ou Cbumasb, palavras em hebraico para designar os cinco livros conhecidos como Pentateuco.
Questões relativas à historicidade do relato, à objetividade e materialidade das descrições, aos limites entre a memória subjetiva nelas evocada e a plausibilidade de sua factualidade no mundo real e objetivo, além das fronteiras entre o fato e a alegoria são abordadas por meio de uma análise histórica e sociológica dos fatos, dos contextos, das ideias e das alegorias do texto Pentateuco – independentemente do grau da fé do leitor.
O autor demonstra que o Pentateuco não é apenas um retrato memorial de uma trajetória definidora, mas também de um roteiro que se prolongará além de seu âmbito e de seu tempo.
Imago
P. 128



O Pentateuco em Questão: As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes

Na minha opinião, este é um dos melhores livros sobre o Pentateuco já publicado no Brasil. Na verdade o livro é uma tradução de artigos produzidos pelos maiores estudiosos do Antigo Testamento da atualidade e apresentados em um seminário organizado pelas Universidades de Friburgo, Genebra, Lausanne e Neuchâtel.
Organizadores:
Samuel Amsler
Erhard Blum
Frank Crüsemann
Albert de Pury
Rolf Rendetorff
Thomas Römer
Martin
Rose
Hans Heinrich Schmid
Horst Seebass
Jacquer Vermeylen
Erich Zenger 

Vozes
P. 324



Uma Leitura do Pentateuco

Este livro compões a coleção Cadernos Bíblicos. Foi elaborado para oferecer ao leitor um para leitura e estudos dos livros do Pentateuco. Livro de fácil leitura.

Paulus









O Pentateuco

Livro da Coleção Resenha Bíblica. O livro apresenta um resumo muito bem elaborado do Pentateuco. O texto foi organizado por Féliz García Lópes e conta com a participação de outros importantes estudiosos do Pentateuco. A obra é composta por dez artigos.

Paulinas
P. 135.






Pentateuco

Nº 23 – 1996/1. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana. O presente número da RIBLA procura abranger todo o Pentateuco, em seus principais problemas e temas, numa perspectiva latino-americana. Este número foi organizado pelo grande teólogo brasileiro Milton Schwantes.

Ribla/Vozes
P. 200,





quarta-feira, 16 de maio de 2018

416 - O Livro da sabedoria. Justiça e sabedoria como estilo de vida. Luiz Alexandre Solano Rossi.



Este livro aborda o tema do Mês da Bíblia de 2018. Trata-se de um subsídio simples e didático, ótimo para quem deseja aprofundar o tema da sabedoria, a partir do texto bíblico que traz este nome. 

O Livro da Sabedoria é por demais surpreendente. A leitura de seus versos encanta e leva o leitor rapidamente à reflexão. Certamente que o autor deseja encontrar respostas para os complexos problemas que atormentavam o povo de Deus em sua época. Mas, também, suas palavras rompem as fronteiras do espaço e do tempo e chegam até nós com um frescor inegável de Palavra de Deus, que continua animando seu povo e sua missão. Numa beleza literária incrível, o autor conduz o leitor a "olhar" a história e perceber nela os "sinais dos tempos", assim como conduz o leitor a "olhar" para fora da história, a fim de compreender o projeto global de Deus. Aproxima-se da Sabedoria pela prática da justiça. Amar a justiça, portanto, é se fazer discípulo da Sabedoria. Duas realidades que se unem, terra e céu, num só projeto. Céu e terra ligados de uma tal maneira que a Justiça se apresenta como o fruto sobre-excelente da Sabedoria. Justiça e sabedoria são apresentadas como realidades complementares, a fim de proteger a integridade dos justos/pobres.
p. 200
Paulinas

Luiz Alexandre Solano Rossi.

terça-feira, 15 de maio de 2018

415 - O rei, o profeta e a mulher - Olhares sobre os primeiros reis de Israel. André Wénin.


Loyola, Lançamento 2018

Quem não ouviu falar dos primeiros grandes reis de Israel? Saul, personagem trágico Davi, figura do valente e do valoroso, mas que não hesita em mandar matar um fiel soldado para tomar-lhe a mulher, Betsabé Salomão, famoso por sua sabedoria, mas cujo reinado se conclui na ambiguidade, prelúdio da divisão do reino.
Neste livro propõe-se uma leitura dos textos bíblicos dedicados aos inícios da realeza em Israel, valorizando o papel da ficção no estudo das narrativas de aparência histórica, pois, quando se trata de desvelar o verdadeiro do humano que está em jogo nos acontecimentos da história, a ficção é infinitamente mais pertinente que o relatório de fatos singulares.
O autor salienta não apenas o papel determinante dos profetas nessas histórias de eleição, poder e inveja, mas também o lugar que nelas assumem as mulheres, desde as que entoam um refrão de louvor a Davi até Betsabé, que apoiará seu filho, Salomão, quando de sua ascensão ao trono.



André Wénin é biblista. Ensina exegese do Antigo Testamento e hebraico na Universidade Católica de Louvain e teologia bíblica na Universidade Gregoriana de Roma.


Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.