quinta-feira, 22 de agosto de 2024

575 - Monoteísmo e poder: A construção de Deus na Bíblia Hebraica. Thomas Römer.


Compreender o fenômeno monoteísta envolve necessariamente compreender suas origens. Este profundo exercício de elucidação destas origens realizado pelo prof. Thomas Römer tem o mérito de mostrar o monoteísmo, com clareza, como um fenómeno de síntese religiosa de diversos pensamentos de vários povos, fora dos estreitos limites da Terra Santa. Não em vão, expresso nas designações atuais, Abraão era iraquiano, Moisés egípcio, Esdras iraniano e São Paulo turco. Precária é, portanto, a reivindicação de sua paternidade com reivindicações de exclusividade. A experiência religiosa, está provado mais uma vez, é um cadinho humano. Diversas culturas convergem e está presente, sem que se possa medir o grau de presença, o valioso contributo de uma experiência humana acumulada que capta, num património comum, algumas das intuições filosóficas e arquétipos culturais mais relevantes da história da humanidade.

  


Dr. Thomas Römer é um dos exegetas mais proeminentes em todo o mundo por sua contribuição à pesquisa histórica do Antigo Testamento. Ele ocupa a Cátedra Milieux Bibliques no College de France, Paris, bem como o cargo de professor titular de Bíblia Hebraica na Faculté de Théologie et Sciences des Religions, da Universidade de Lausanne, Suíça.

 

Editora‏: ‎ Sebila (8 agosto 2018)

Idioma: ‎ Espanhol

Capa comum: ‎ 216 páginas


sábado, 22 de junho de 2024

574 - Docetismo em João.

 


O capítulo 17 do Evangelho de João é dominado pela palavra-chave “glorificação”. Com esta palavra-chave oferece não somente a mensagem central do cap.17, mas do evangelho todo; digamos, a angulatura própria, bastante diferente da tradição comum, a ponto de tornar-se enigmática a recepção do quarto evangelho no cânon. O tema da glória, e daí o evangelho todo, já é expresso em 1.14. Mas o centro deste versículo não é: “O Logos se fez carne” e sim: “Nós vimos a sua glória”. O interesse não é a encarnação, que também não precisa ser concebida como paradoxo. O interesse está na “Glória” que preexiste e permanece presente e imutável também na encarnação. A carne é, no fundo, somente o invólucro. O mundo terreno no qual era necessário o Logos se inserir para se mostrar a nós é o teatro da presença da manifestação da glória, mas de toda maneira nada mais que um lugar que lhe permanece estranho e substancialmente indiferente. Esta ótica acompanha e dirige inteiramente o modo como João concebe a história do Logos. Tomemos a Paixão: Cristo continua livre diante da Paixão, ele arreda os seus inimigos; tal não é a reação de uma pessoa normal. Conforme João, a paixão não seria aquilo que merece a glorificação, como em Paulo. Para João, a glória já está presente durante a Paixão; a paixão é a manifestação da glória. É o modo como a glória se manifesta numa situação de contradição, numa situação que não lhe é própria, que é estranha ao divino. Do mesmo modo concebe-se a obediência de Cristo: não recebeu a glória porque obedeceu, mas obedeceu porque tinha a glória.


terça-feira, 4 de junho de 2024

573 - Morreu Jürgen Moltmann (1926-2024).

 

Morre aos 98 anos o último grande teólogo do séc. XX.


Jürgen Moltmann (8 de abril de 1926 - 3 de junho de 2024), importante teólogo reformado alemão, foi professor emérito de teologia sistemática na Universidade de Tübingen, ficou conhecido mundialmente por seus livros Teologia da Esperança; O Deus Crucificado.

 Moltmann descreveu sua própria teologia como uma extensão das obras teológicas de Karl Barth, especialmente a Dogmática da Igreja, e descreveu seu próprio trabalho como Pós-Barthiano. Recebeu doutorados honorários em diversas Universidades.

 Tive a honra de apresentar um trabalho sobre Moltmann com a presença do próprio Moltmann no evento.


Momento inesquecível, está ao lado de Jürgen Moltmann, um dos maiores teólogos de todos os tempos, o último da famosa safra de teólogos alemães do século XX, conhecidos como teólogos dialéticos: Karl Barth; Rudolf Bultmann; Emil Brunner; Friedrich Gogarten; Oscar Cullmann; Wolfhart Pannenberg.




 

Vitória-ES, 20 de setembro de 2016


sábado, 27 de janeiro de 2024

572 - O que é fundamentalismo cristão?

 


O fundamentalismo é a imposição sobre a Bíblia de determinada tradição religiosa humana, e a utilização da Bíblia como instrumento de poder para garantir o sucesso e influência dessa religião. Os fundamentalistas discordam violentamente entre si sobre a correta interpretação de certas passagens das escrituras. A maior parte das seitas cristãs existentes hoje se autodeclaram fundamentalista.

Os fundamentalistas não são literalistas bíblicos. Só tomam a Bíblia ao pé da letra quando lhes convém. Em outras palavras, olham para a Bíblia através de seus óculos particulares e eliminam da visão o que não desejam ver.

O fundamentalismo alimenta a intolerância ao levar as pessoas a pensar que conhecem absolutamente a mente e a vontade de Deus sobre qualquer coisa que lhes interesse.

O que os fundamentalistas têm em comum não é um conjunto de crenças específicas, mas a atitude de mente. É a convicção de que possuem o conhecimento absoluto da verdade da qual se tornam guardiões divinamente ordenados.

O fundamentalismo apodera-se das mentes humanas e as cega, aprisiona as pessoas em sistemas de crenças tão rígidos que elas não conseguem mais se libertar.    


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

571 - Erhard Gerstenberger (1932-2023).

 


Professor Gerstenberger foi um especialista na área do Antigo Testamento e como tal um teólogo amplamente reconhecido em nível internacional.
De 1975 a 1981 Erhard Gerstenberger atuou como professor de Antigo Testamento na então Faculdade de Teologia, hoje Faculdades EST, em São Leopoldo / RS, tendo tido assim significativo número de ministros e ministras da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) como seus alunos e alunas. Teve também um breve período de ensino acadêmico na PUC do Paraná.

Erhard Gerstenberger nasceu em 20 de junho de 1932 em Hochemmerich, Alemanha, em família de recursos nada abundantes. Em sua infância e começo da adolescência experimentou a ascensão do nacional socialismo alemão e os horrores da guerra, seguidos pelas agruras do pós-guerra. Essa experiência muito pesada viria a influenciá-lo profundamente, com uma notável sensibilidade para com o sofrimento de pessoas. Um de seus muitos livros, em parceria com o professor alemão de Novo Testamento Wolfgang Schrage, mas de sua parte redigido quando no Brasil, leva por título “Por que sofrer?” Em igual parceria publicou livro com o título “Mulher e Homem”, com o que ele foi um dos primeiros propulsores na IECLB do reconhecimento de igual dignidade entre mulheres e homens. No Brasil também foi publicado seu livro sobre Deus no Antigo Testamento, em que aborda as múltiplas referências no Antigo Testamento a divindades e sua relação com o Deus Javé. De particular importância na pesquisa teológica são suas obras sobre os Salmos e o Decálogo. Já avançado em idade, octogenário, mas sempre pesquisador arguto, dedicou-se a estudar o antiquíssimo idioma sumério e escreveu minucioso estudo acerca da teologia do louvor em hinos sumérios até então não pesquisados.

Estudou teologia em várias universidades alemãs e na renomada Universidade de Yale nos Estados Unidos. O doutorado obteve-o em Bonn em 1961, a habilitação para docência acadêmica em 1970, em Heidelberg, ambas na Alemanha. De 1965 a 1975 atuou como pastor de comunidade em Essen-Frohnhausen. Sua estada no Brasil e na Faculdade de Teologia a partir de 1975 lhe proporcionou o contato com a Teologia da Libertação (TdL), com a qual estabeleceu uma relação de diálogo frutífero. Nos anos após sua volta à Alemanha, empenhou-se por uma recepção positiva dessa teologia latino-americana naquele contexto, por exemplo numa publicação alemã acerca da Hermenêutica, juntamente com o colega do Novo Testamento Ulrich Schoenborn, que também atuou na Faculdade de Teologia de São Leopoldo. Nas últimas décadas atuou como professor nas Universidades de Giessen e Marburg, na Alemanha.

Faleceu no dia 15 de abril de 2023, na cidade de Giessen, Alemanha, aos 90 anos, vitimado por uma pneumonia. 

Livros publicados no Brasil:






















sábado, 30 de dezembro de 2023

569 - História primitiva de Deus. Mark S. Smith.

 


Nesta história notável e aclamada do desenvolvimento do monoteísmo, Mark S. Smith explica como a religião de Israel evoluiu de um culto a Yahweh como uma divindade primária entre muitos a uma fé monoteísta totalmente definida com Yahweh como único deus. Repudiando a visão tradicional de que Israel era fundamentalmente diferente em cultura e religião de seus vizinhos cananeus, este livro provocador argumenta que a religião israelita se desenvolveu, pelo menos em parte, a partir da religião de Canaã. Com base em fontes epigráficas e arqueológicas, Smith demonstra convincentemente que a religião israelita não era uma rejeição total dos deuses pagãos estrangeiros, mas, antes, era o resultado do estabelecimento progressivo de uma identidade israelita distinta.

 

SUMÁRIO

Preâmbulo à segunda edição, 11

Preâmbulo à segunda edição, 14

1 Pesquisas recentes sobre divindades, 14

2 Tendências importantes desde 1990, 19

3 Desafios teóricos, 25

4 Asherah/asherah: nova discussão, 35

5 Retrospectiva, 42

Agradecimentos (primeira edição), 45

Abreviaturas e siglas, 49

Introdução, 55

1 A questão da compreensão da religião israelita, 55

2 Pressupostos para este estudo, 70

 

1 Deidades em Israel no período dos Juízes, 77

1 Herança “cananeia” de Israel, 77

2 Yahweh e El, 91

3 Yahweh e Baal, 103

4 Yahweh e Asherah, 109

5 Convergência das imagens divinas, 117

6 Convergência na religião israelita, 120

7 Israel e seus vizinhos, 123

 

2 Yahweh e Baal, 129

1 Adoração a Baal em Israel, 129

2 Imagens de Baal e Yahweh, 146

3 O papel da monarquia, 159

4 Excurso: Yahweh e Anat, 170

 

3 Yahweh e Asherah, 178

1 Distribuição no registro bíblico, 178

2 O símbolo da Asherah, 182

3 As evidências epigráficas, 189

4 Asherah – uma deusa israelita?, 197

5 A assimilação das imagens de Asherah, 206

6 Excurso: linguagem de gênero para Yahweh, 211

 

4 Yahweh e o Sol, 224

1 O registro bíblico, 224

2 O papel da monarquia, 230

3 A assimilação das imagens solares, 236

 

5 Práticas cultuais javistas, 237

1 Lugares e símbolos cultuais javistas, 237

2 Práticas associadas aos mortos, 239

3 O sacrifício mlk, 250

 

6 As origens e o desenvolvimento do monoteísmo israelita, 263

1 O período dos Juízes, 265

2 A primeira metade da monarquia, 266

3 A segunda metade da monarquia, 272

4 O exílio, 274

5 O monoteísmo israelita em perspectiva histórica, 278

 

7 Post-scriptum – Retratos de Yahweh, 284

1 Processos que levaram a retratos divinos em Israel, 284

2 A ausência de alguns papéis canaanitas divinos no registro bíblico, 287

Índice de textos, 293

Citações bíblicas, 293

 

P. 326.

Editora. Vozes.

Lançamento. 2023.

 


Mark S. Smith
é o Professor de Literatura e Exegese do Antigo Testamento no Seminário Teológico de Princeton. Depois de obter mestrado na Universidade Católica da América, na Universidade de Harvard e na Universidade de Yale, ele obteve seu doutorado em Yale. Antes de vir para o Seminário de Princeton, ele atuou como Professor de Bíblia Hebraica e Estudos do Antigo Oriente Próximo na Universidade de Nova York, e também lecionou em Yale e na Universidade de Saint Joseph. Leigo católico romano, Smith também atuou como professor visitante no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Smith é especialista em religião israelita e na Bíblia Hebraica, bem como na literatura e religião de Ugarit da Idade do Bronze Final. É autor de 15 livros e mais de 100 artigos. Sua pesquisa atual inclui um comentário sobre o livro dos Juízes, de coautoria com Elizabeth M. Bloch-Smith.


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

568 - Introdução ao Acadiano: Richard Caplice/ Daniel Snell.

 



A Introdução ao Acadiano de Richard Caplice, padre jesuíta e assiriologista que se especializou no estudo de línguas próximo-orientais antigas no Instituto Oriental da Universidade de Chicago, foi publicada pela primeira vez em 1980, e, durante algum tempo, foi um dos poucos métodos de estudo de acadiano disponíveis aos especialistas em língua inglesa. No Brasil, o estudo do acadiano e das civilizações próximo-orientais carece de um manual padrão de estudo de acadiano em português, o que dificulta a formação de quadros especializados. Espera-se que o presente volume possa contribuir para ampliar, no Brasil, o conhecimento sobre os antigos mesopotâmicos, permitindo a aplicação de cursos de acadiano nas universidades ou, ainda, seu estudo de forma independente, de maneira a fomentar um contato direto com as fontes cuneiformes que inauguraram a técnica da escrita na história da humanidade. A Introdução ao Acadiano familiariza o estudante com símbolos cuneiformes desde a primeira lição, e conta com exercícios em todas as lições.

 

Paulus, 2023

P. 184.



Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.