quarta-feira, 21 de outubro de 2015

278 - Thomas Römer: Pentateuco; História Deuteronomista.


Thomas Römer: Bacharel em Teologia, Universidade de Heidelberg, Alemanha, 1980. Doutorado em Teologia, Universidade de Genebra, Suíça, 1988. Vice-presidente do grupo de investigação bíblica (França). Co-diretor do comitê “história deuteronomista”. Professor da Faculdade de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade de Lausanne. Áreas de pesquisa: A formação do Pentateuco; A posição histórica, sociológica e ideológica do judaísmo no período persa. Estudo das várias tradições que compõem a primeira parte da Bíblia hebraica. A historiografia deuteronomista; Condições de estudo e eras que produziu a primeira obra historiográfica da Bíblia hebraica. O Livro dos Números; Estudo literário e histórico do quarto livro do Pentateuco. O livro de Josué; Estudo literário e histórico. Prêmios e Reconhecimentos: Vencedor do prêmio de melhor papel no campo de estudos judaicos 1992. Desde 2007, professor de Bíblia no College de France, Paris.


A Chamada História Deuteronomista: Introdução Sociológica, Histórica e Literária
Trata-se de um estudo sobre a assim chamada “História Deuteronomista”, que abrange os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2Reis. Na Bíblia Hebraica são chamados “Profetas Anteriores” e nas versões modernas são enumerados entre os livros “históricos”.
Estamos diante de uma introdução de caráter sociológico, histórico e literário, como é especificado no subtítulo da obra.
Pg. 208




Antigo Testamento - História, Escritura e Teologia
Este é um livro que reúne alguns do maiores especialistas em Antigo Testamento e propõem um introdução a cada livro da Escritura, obedecendo à estrutura: Plano e conteúdo, exame do meio histórico de produção, perspectivas de interpretação e indicação bibliográfica. Esta obra de referência servirá a todas as pessoas comprometidas com a leitura rigorosa do Antigo Testamento, seja como instrumento de trabalho ou como programa de formação.
Pg. 848











David Rubens

domingo, 18 de outubro de 2015

277 - Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo - USP



O Museu de Geociências do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo desenvolveu-se a partir do antigo Museu de Mineralogia do Departamento de Mineralogia e Petrologia da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (FFCL). Teve início em 1934, por iniciativa do Prof. Dr. Ettore Onorato, Cadeira de Mineralogia e Petrologia da FFCL-USP no período de 1934 a 1939.
O acervo do Museu foi formado, inicialmente por pequenas coleções de professores, ampliando-se com a integração da coleção Araújo Ferraz, com a aquisição da coleção Luiz Paixão em 1954 e com a doação da coleção C.L.Schnyder em 1984. Atualmente, o acervo vem sendo aumentado, principalmente, por doações feitas por professores, colecionadores particulares, alunos do curso de geologia e, também, pela aquisição de peças individuais.
A orientação inicial do Museu era voltada para os aspectos científicos e didáticos da Mineralogia e da Cristalografia. A partir de 1957, data da criação do curso de geologia na USP, o Museu passou a ser também, um laboratório de aulas práticas para os alunos desse novo curso da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.
A partir de 1981, houve uma grande reestruturação e diversificação no acervo, quando foram incluídas, além das amostras de minerais e cristais, amostras de rochas, gemas, meteoritos e fósseis. O Museu, antes predominantemente mineralógico, transformou-se no atual Museu de Geociências.
Desde 1991, o Museu ocupa uma área de 550 m2, localizada no primeiro andar do edifício principal do Instituto de Geociências. O acervo atual conta com 45.000 peças, das quais cerca de 5.000 estão em exposição permanente. A maior parte do material é nacional e provém de várias regiões brasileiras, enquanto o restante corresponde a amostras de diferentes partes do mundo. Cada uma das categorias - minerais, cristais, rochas, etc - tem critérios próprios de apresentação e particular atenção se dá aos minerais, que por serem mais numerosos, cerca de 5.000 espécies conhecidas atualmente, são cuidadosamente expostas, obedecendo às normas internacionais de classificação.
Visita ao instituto com meus alunos no dia 16 de Outubro de 2015.








276 - Anais do V Congresso da Anptecre disponíveis em PDF.



Textos do momento atual da Ciências da Religião e da Teologia.


275 - Pentateuco: Introdução ao Estudo, David Rubens

Leituras no Pentateuco


Introdução
O Pentateuco não é só um livro de “história” que descreve tudo o que se passou no passado, mas é, ao mesmo tempo, fruto e expressão de todo esse passado vivido, pois ele carrega em si as marcas das diversas épocas. Plantado no mais remoto início do povo, ele foi crescendo, até a forma que hoje possui, nos cinco livros de Moisés. O Pentateuco é como um tapete que se ia enrolando atrás do povo, à medida que este caminhava para a frente.
A proposta deste trabalho é analisar a forma como o Pentateuco vem sendo interpretado deste o fim do século XVIII com o advento dos métodos científicos.

1  História do Estudo do Pentateuco
No período do século XVIII e XIX, sobretudo na Alemanha, os pesquisadores conseguiram resultados significativos para teologia bíblica. Nesse período, havia uma insistência crescente de que o texto bíblico fosse submetido ao estudo mais rigoroso segundo os melhores métodos de análise cientifica. A abordagem racionalista, levou à destruição de sua autoridade. “Ás normas de análise científica não se preocupa com questões de autoridade, não se interessa com o sentido do texto, além de um sentido histórico e científico unidimensional”.[1]
O texto passou a ser controlado pelos peritos. O texto estuda estava sujeito aos seus instrumentos, métodos e conclusões. Negavam ou explicava de maneira diferente aquilo que era considerado como “sobrenatural”.
Houve muitos peritos que se dedicaram a dissecar o texto segundo a metodologia cientifica, mas esse movimento culminou na obra de Julius Wellhausen (1844-1918). A contribuição mais importante da obra de Wellhausen consiste em ter proposto a Hipótese dos Documentos.
Walter Brueggemann explica o método de Julius Wellhausen:

Mediante cuidadosa atenção à forma gramatical, ao estilo, vocabulário e perspectiva religiosa, Wellhausen apresentou a hipótese consistente e persuasiva de que nos primeiros livros do Antigo Testamento (5, 6 ou 9, dependendo do ponto de vista) podemos distinguir quatro camadas literárias diferentes, cada uma moldada por um grupo de escritores diferentes. Cada camada (documento) diferente possui caráter próprio, vocabulário característico, tendências e compreensão da história e da geografia diferente, bem como interesses e pressupostos religiosos próprios.[2]

O centro dessa hipótese situava trechos do Deuteronômio (D) em 621 a.C., com base em 2Reis 22-23. O rolo encontrado ali foi considerado como sendo alguma forma do Deuteronômio. O material mais antigo é constituído por dois empreendimentos literários: um usa o nome “YHWH” para Deus e se intitula J; o outro usa “ELOHIM”, e por isso é chamado E. Cogitou-se numa quarta fonte, posterior ao ano 621 a.C; seu estilo é marcado por formalismos cultuais que deve ter sido escrito por sacerdotes e por isso é chamada de P (do alemão priester, “sacerdote”).

Essa abordagem científica revelou a noção de quatro “Documentos” separados:
Ø Documento ou código Javista (J), onde predomina o nome Javé. Tem estilo simbolista, dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com Salomão (972-932).
Ø O código Eloista (E), predomina o nome Elohim (=Deus). Foi redigido entre 850 e 750 a.C, no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o antropomorfismo do código Javista. Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 para os Assírios, o código E foi levado para o reino de Judá, onde ouve a fusão com o código J, dando origem a um código JE.
Ø O código Deuteronômio (D), teve origem nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,...) repetindo a lei que se obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o reinado de Josias (640-609 a.C), como se vê em 2Rs 22. O código D sofreu modificações e a sua redação final é do século V a.C, quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá.
Ø O código Sacerdotal (P) – provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da Babilônia (587-537 a.C.) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma nação sacerdotal (Êx 19,5s). O código P enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a Aliança. Tudo indica que no século V a.C., um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os códigos JE e P, colocando como apêndice o código D, formando assim o Pentateuco ou a Torá, como a temos hoje.

Outras supostas fontes ou “Documentos”:
Ø Livro da Aliança = Êx 20.22,23.
Ø Código de Santidade = Lv 19.2.

Características de cada “Documento”:
Ø Javista = Teologia antropomórfica;
Ø Eloísta = Teologia do mediador;
Ø Sacerdotal = Teologia da Palavra de Deus;
Ø Deuteronômio = Teologia da Aliança e do nome de Deus.

Brueggemann comenta que: “para realizar sua intenção de escrever um relato histórico e objetivo, Wellhausen reduziu o Pentateuco a um documento não apenas sem autoridade, mas, o que é mais importante, sem relevância, do qual nada se podia separar”.[3]
 O próximo passo importante no estudo do Pentateuco se deu com a obra de Hermann Gunkel (1862-1932). A obra de Gunkel é um esforço para ir além dos pressupostos literários de Wellhausen e levantar questões referentes à forma mais antiga da tradição, a “Forma Oral”. Gunkel passou dos documentos escritos para as tradições orais. Para Wellhausen o texto se converteu numa “mera coisa” a ser controlada. “Para Gunkel o texto se converteu num “tu” vivo e que interpela o intérprete, convidando-o a entrar em diálogos que encerram sentidos não estritamente sujeito à indagação cientifica”.[4]
Enquanto Wellhausen buscava as grandes continuidades literárias (Documentos), a atenção de Gunkel para o detalhe levou-o a enfocar a unidade menor, o episódio individual ou perícope.
Ele caracterizou os tipos especiais de narrativas de mito, saga, lenda e fábula, como portadores de um sentido particular. Estes tipos têm múltiplas funções na comunidade, tais como: criar o assombro e admiração, conferir identidade e conceder legitimidade.[5]
Os parâmetros de interpretação colocados por Wellhausen e Gunkel:

Wellhausen
Ø Abordagem científica;
Ø Consistentemente analítico;
Ø Busca a precisão;
Ø Fala de Documentos;
Ø Valoriza a disciplina;
Ø O que os Documentos querem dizer.

Gunkel
Ø Abordagem artística;
Ø Sintético;
Ø Matiz sugestivo;
Ø Fala de tradições;
Ø Sublinha a imaginação;
Ø O que parece estar ocorrendo na transmissão do texto?

Wellhausen e Gunkel não devem ser considerados como estágios sucessivos na investigação científica, como se um superasse o outro; nem como alternativas, como se um pudesse excluir o outro. Pelo contrário, eles articulam duas tarefas interpretativas muito diferentes, sendo que ambas são necessárias a qualquer compreensão responsável do texto. Devemos tratar as duas abordagens como complementares.

2  O método de Gerhard von Rad (1901-1971)
 Outro grande impulso para o estudo do Pentateuco provém da obra de von rad. Este tinha consciência de que no Pentateuco estamos lidando com histórias que foram “remodeladas”. Ele defendeu que no antigo Israel, o principal formador de sagas era a fé: “não encontramos nem uma única saga que não tivesse recebido da fé sua marca e orientação decisivas”.[6]
As três confissões de fé de Deuteronômio 6.20-25; 26.5-9 e Josué 24.2-13 apresentam as convicções normativas que Israel afirma sobre si mesmo. Em cada uma dessas formulações fundamentais os elementos básicos são o êxodo e a entrada na terra, e num grau menor, a promessa aos pais bem como a peregrinação pelo deserto. Von Rad afirma que estes são elementos em que Israel creu com mais consistência, com o máximo de fidelidade e imaginação.
A partir de von Rad, o estudo do Antigo Testamento ganhou a hipótese interpretativa mais importante.
O Pentateuco não surgiu num vazio, mas foi elaborado por uma comunidade confessante, que procurava cuidadosa e inteligentemente moldar a tradição que expressava sua confissão. A construção de uma confissão não é algo que o intérprete traz para dentro do texto. Ele já a encontra aí. Deixar de considerar esse elemento num texto significa rejeitar sua intenção primeira, que é o próprio querigma.[7]

Von Rad tem uma grande dívida para com dois importantes historiadores do estudo veterotestamentário: seu professor Albrecht Alt e seu colega Martin Noth. Foi Alt quem formulou a hipótese de uma confederação tribal, que foi essencial à tese de von Rad, sugerindo, como de fato o fez, um contexto comunitário e litúrgico em que o credo era recitado. “A fé da comunidade moldou textos que originalmente não tinham nenhum vínculo com ela”.[8]

3  Uma nova leitura do Pentateuco
A teoria documentária e a história da tradição foram questionadas por Rolf Rendtorff. No lugar de JEDP, Rendtorff propôs seis grandes unidades:

1ª História primitiva;
2ª História patriarcal;
3ª História do êxodo;
4ª Experiência do Sinai;
5ª Estadia no deserto;
6ª Instalação na terra.

A história primitiva aglutina gêneros literários diversos: sagas (2; 4; 6-8), mitos (3.1-24; 6.1-4), narrativas didáticas (1.1-2,3; 9.1-17) e genealogias (5; 10; 11.10-32). Este material foi unificado pela distribuição apropriada das toledot (“estas são as gerações de...”). Mas a origem de cada unidade não pode ser indicada com precisão.
As narrativas dos patriarcas são originalmente ciclos independentes (Abrão, Isaque e Jacó/José), unificados pelo tema redacional da promessa.
A edição dos textos aconteceu no tempo em que a existência do povo e a posse da terra eram questionadas, isto é, durante o exílio na Babilônia. No Pentateuco, as unidades  independentes foram juntadas, numa primeira coleção, pelo redator deuteronomista depois do exílio, e foi seguido pelo estrato P de revisão. O deuteronomista teve a maior função na redação do Pentateuco.[9]

Conclusão
O estudo do Pentateuco testemunhou uma variedade de abordagens de investigação científica: literária, crítica das formas, arqueológica, e as que foram feitas a partir da história das tradições. Cada abordagem forneceu importantes questões a serem dirigidas ao texto, e qualquer compreensão adequada do texto exige que enfrentemos todas as demais questões.[10]
Assim, de Wellhausen aprendemos a perguntar: a que estrato literário pertence o texto? Talvez este seja o ponto de partida de qualquer interpretação responsável.
De Gunkel aprendemos a levantar a questão da tradição oral pré-literária: em que forma está expresso o texto, de que contexto vital deriva e o que está ocorrendo no texto enquanto evento de fala e escuta?
Albright nos ensinou a perguntar o que num texto é fatalmente verídico para a história, dentre uma variedade de elementos tradicionais?
De von Rad aprendemos a perguntar: em que forma o texto foi “remodelado” de maneira a se tornar uma expressão de fé normativa de Israel e ser compreendido em sua intenção querigmática?
Essas abordagens não vêm numa sequência nítida, nem visam as novas abordagens, substituir as anteriores. Mas, todas elas fornecem questões fundamentais para análise científica do texto.      
       


David Rubens
Estudo realizado em 19 de janeiro de 2013
Pindamonhangaba/SP





[1] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 12.
[2] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 14.
[3] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 16.
[4] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 17.
[5] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 19.
[6] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 26.
[7] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 29.
[8] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 30.
[9] GORGULHO, Gilberto. A história primitiva Gênesis 1-11: Pentateuco. Petrópolis: Vozes, 1996. p. 33.
[10] BRUEGGEMANN, Walter. Questões abordadas no estudo do Pentateuco: O dinamismo das tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 30.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

274 - Salmos: Louvores de Israel, uma Leitura Introdutória. David Rubens





Salmos: Louvores de Israel, uma Leitura Introdutória



Introdução                                                                                 
Cantado nas festas e sinagogas, o Livro dos Salmos tem várias nomenclaturas, dependendo da versão bíblica que se use. Na Bíblia hebraica, ele é conhecido como “Tehillim” ou “cânticos com instrumentos de corda”. Na Vulgata, tradução para o latim da Bíblia Hebraica, seu nome é “Líber Psalmorum” ou “Livros dos Salmos”. Já a sua designação como “Saltério” vem da palavra grega “Psalterion” ou “lira”. O livro dos Salmos não contém todos os cânticos religiosos de Israel. Conhecemos outros cânticos citados na Bíblia:[1]
Ø O cântico da profetisa Débora (Juízes 5);
Ø O cântico de Mirian (Êxodo 15.1-21);
Ø  O cântico de Davi pela morte de Saul e Jônatas (2 Samuel 1.19-27).

1 O Surgimento dos Salmos
Quando foi começada a compilação do livro atual dos Salmos, já existiam coleções parciais. Em parte elas são colocadas sob o nome de Davi (Sl 2-41; 51-70; 108-110; 138-145 e outros) e Coré (Sl 42-49; 84; 87). Vários textos usados na viagem a Jerusalém foram reunidos no livro dos cânticos de peregrinação (Sl 120-134). Há uma série de Salmos que se distinguem dos outros pelo uso quase exclusivo do nome divino Eloim (Sl 42-83).
Para Milton Schwantes, a coletânea dos Salmos é pós-exílica. Para ele é adequado que se tome por referência a comunidade pós-exílica como constituidora da coleção dos Salmos. “É importante descrever as realidades sociais em que os salmos estão inseridos para se ter uma boa interpretação”.[2]

2 Os Cinco Livros
Os Salmos estão subdivididos em cinco conjuntos literários.

Ø A primeira divisão abrange os Salmos 1 ao 41;
Ø O segundo livro abrange os Salmos 42 ao 72, tendo no final do Salmo 72 a indicação de uma elaborada conclusão da coletânea;
Ø O terceiro livro inclui os Salmos 73 ao 89. Conclui-se  no Salmo 89,53;
Ø O quarto livro está nos Salmos 90 ao 106;
Ø O quinto livro inclui os Salmos 107 ao 150.

Cinco são os livros da Torah (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Os Salmos situam-se ‘paralelos’ a estes da “lei”.[3]

3 O uso dos Salmos
Ø Dedicação do templo, Sl 100;
Ø Para o sacrifício de ação de graças, Sl 92;
Ø Para o sábado, Sl 24;
Ø Salmos para páscoa e outras grandes festas.

4 A Gênese dos Salmos
Ø Cativeiro babilônico
Ø Período pós-exílio

5 Os Gêneros Literários
Hinos: O canto do hino era acompanhado de procissão, dança e música. Os hinos eram comuns na cultura babilônica.
Lamentações ou súplicas: Quase um terço dos Salmos classifica-se no gênero de invocação e votos.
Salmos de ação de graças: A experiência salvífica do povo. Conhecimento da natureza e da realidade de Deus.
Poesia sapiencial e didática: Educação para uma conduta prática de vida. Regras de vida.

6 O Deus da História da Salvação
O Deus dos Salmos é o Deus que faz a história e é percebido por Israel na história. Sem dúvida os Salmos cantam Yaweh também como criador do universo e sabem que o seu trono está no céu (Sl 14).[4] A ideia de Deus, porém, é caracterizada, sobretudo pela história da salvação. Por isso os grandes temas histórico-salvíficos aparecem com muita frequência e se exprimem na forma de ensinamento, especialmente nos chamados Salmos históricos (78; 105; 106; 114; 136). O Salmo 105 exalta longamente a Deus, que usou de benignidade com os patriarcas.
Claus Westermann afirma que o louvor sálmico brota da admiração inesgotável suscitada pela antítese misteriosa que aparece na obra divina. Através de seus atos, Deus se revela como “aquele que se assenta com majestade” e também como “aquele que tem compaixão”.
“A grandeza de Deus”, diz Claus Westermann, a sua “altura e a sua majestade são lembradas a partir de sua ação criadora e do domínio que ele exerce sobre a História. A sua graça age quando ele olha para a profundeza, quando liberta, salva, cura e quando dá pão aos famintos”.[5] 

7 Salmos como recordação e proclamação
A libertação do Egito e a peregrinação através do deserto são celebrados como ações de Deus (Sl 78; 105; 135). A terra prometida é exaltada como dom do Deus da aliança (Sl 44; 47; 78; 80; 105). Com frequência a comunidade se recorda da graça da Aliança e da fidelidade de Yaweh, através da qual está o acontecimento do Sinai; ela experimenta de novo, como no monte de Deus, a manifestação da sua glória (Sl 18.1-16; 50.2) e proclama sua fidelidade à sua vontade revelada (Sl 50.7; 81.10) e à sua lei (Sl 1.9; 119). Nos cânticos de Sião é mencionado de modo particular o lugar que o Senhor escolheu e presenteou com sua presença salvífica. Aí, no seu templo, eram executados em sua honra os cânticos do Saltério.

8 O pecado e o arrependimento
Onde havia sofrimento, concluía-se por uma culpa precedente e, como consequência, por um castigo divino. Pelo sofrimento o homem piedoso é levado a reconhecer o seu pecado, a arrepender-se e a pedir perdão. Isto é ilustrado de modo especial pelos Salmos 6; 32; 38; 51; 102; 130; 143; eles são conhecidos pela designação de “sete Salmos penitenciais”.[6]
O que prevalece nos Salmos mencionados não é a ideia de expiação, mas o pedido de libertação da dor. O que move mais profundamente aquele que ora não é a dor como consequência do pecado, mas a dor causada pelo fato de existir o pecado.

9 Autoria
Os Salmos foram originalmente anônimos. Os Salmos nasceram nas tendas dos exilados, e das memorias dos que retornaram para Jerusalém. Nos títulos dos Salmos foram aceitas tradições formadas no decurso da transmissão e do uso dos textos.

Conclusão
Os Salmos representam a fé do Antigo Testamento, cânticos ou orações. Muitos são os motivos, em parte pessoais, em parte litúrgicos, de sua formação; eles diferem quanto à forma e quanto ao conteúdo. Mas se concentram sempre em Deus, pressentido na história da salvação e na salvação por ele prometida. Depois de reunidos, eles constituíram, principalmente na comunidade pós-exílica, o livro dos cânticos das cerimônias litúrgicas e foram expressamente aplicados à nova situação.   


Bibliografia
SCHWANTES, Milton. Salmos da Vida: A caminho da justiça Salmos 120-134. São Leopoldo: Oikos, 2012.
SHREINER, Josef. Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004.
VV.AA. Os Salmos na Bíblia. São Paulo: Paulus, 1996.  
WEISER, Artur. Os Salmos: Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1994.

David Rubens





[1] Para um aprofundamento indico o excelente texto de SHILLING, Othmar. Os Salmos, louvores de Israel a Deus: Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004. p. 352.
[2] SCHWANTES, Milton. Salmos da Vida: A caminho da justiça Salmos 120-134. São Leopoldo: Oikos, 2012. p. 29.
[3] SCHWANTES, Milton. Salmos da Vida: A caminho da justiça Salmos 120-134. São Leopoldo: Oikos, 2012. p. 30.
[4] SHILLING, Othmar. Os Salmos, louvores de Israel a Deus: Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004. p. 366.
[5] VV.AA. Os Salmos na Bíblia. São Paulo: Paulus, 1996. p. 78.
[6] SHILLING, Othmar. Os Salmos, louvores de Israel a Deus: Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004. p. 368.

Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.