quarta-feira, 14 de outubro de 2015

274 - Salmos: Louvores de Israel, uma Leitura Introdutória. David Rubens





Salmos: Louvores de Israel, uma Leitura Introdutória



Introdução                                                                                 
Cantado nas festas e sinagogas, o Livro dos Salmos tem várias nomenclaturas, dependendo da versão bíblica que se use. Na Bíblia hebraica, ele é conhecido como “Tehillim” ou “cânticos com instrumentos de corda”. Na Vulgata, tradução para o latim da Bíblia Hebraica, seu nome é “Líber Psalmorum” ou “Livros dos Salmos”. Já a sua designação como “Saltério” vem da palavra grega “Psalterion” ou “lira”. O livro dos Salmos não contém todos os cânticos religiosos de Israel. Conhecemos outros cânticos citados na Bíblia:[1]
Ø O cântico da profetisa Débora (Juízes 5);
Ø O cântico de Mirian (Êxodo 15.1-21);
Ø  O cântico de Davi pela morte de Saul e Jônatas (2 Samuel 1.19-27).

1 O Surgimento dos Salmos
Quando foi começada a compilação do livro atual dos Salmos, já existiam coleções parciais. Em parte elas são colocadas sob o nome de Davi (Sl 2-41; 51-70; 108-110; 138-145 e outros) e Coré (Sl 42-49; 84; 87). Vários textos usados na viagem a Jerusalém foram reunidos no livro dos cânticos de peregrinação (Sl 120-134). Há uma série de Salmos que se distinguem dos outros pelo uso quase exclusivo do nome divino Eloim (Sl 42-83).
Para Milton Schwantes, a coletânea dos Salmos é pós-exílica. Para ele é adequado que se tome por referência a comunidade pós-exílica como constituidora da coleção dos Salmos. “É importante descrever as realidades sociais em que os salmos estão inseridos para se ter uma boa interpretação”.[2]

2 Os Cinco Livros
Os Salmos estão subdivididos em cinco conjuntos literários.

Ø A primeira divisão abrange os Salmos 1 ao 41;
Ø O segundo livro abrange os Salmos 42 ao 72, tendo no final do Salmo 72 a indicação de uma elaborada conclusão da coletânea;
Ø O terceiro livro inclui os Salmos 73 ao 89. Conclui-se  no Salmo 89,53;
Ø O quarto livro está nos Salmos 90 ao 106;
Ø O quinto livro inclui os Salmos 107 ao 150.

Cinco são os livros da Torah (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Os Salmos situam-se ‘paralelos’ a estes da “lei”.[3]

3 O uso dos Salmos
Ø Dedicação do templo, Sl 100;
Ø Para o sacrifício de ação de graças, Sl 92;
Ø Para o sábado, Sl 24;
Ø Salmos para páscoa e outras grandes festas.

4 A Gênese dos Salmos
Ø Cativeiro babilônico
Ø Período pós-exílio

5 Os Gêneros Literários
Hinos: O canto do hino era acompanhado de procissão, dança e música. Os hinos eram comuns na cultura babilônica.
Lamentações ou súplicas: Quase um terço dos Salmos classifica-se no gênero de invocação e votos.
Salmos de ação de graças: A experiência salvífica do povo. Conhecimento da natureza e da realidade de Deus.
Poesia sapiencial e didática: Educação para uma conduta prática de vida. Regras de vida.

6 O Deus da História da Salvação
O Deus dos Salmos é o Deus que faz a história e é percebido por Israel na história. Sem dúvida os Salmos cantam Yaweh também como criador do universo e sabem que o seu trono está no céu (Sl 14).[4] A ideia de Deus, porém, é caracterizada, sobretudo pela história da salvação. Por isso os grandes temas histórico-salvíficos aparecem com muita frequência e se exprimem na forma de ensinamento, especialmente nos chamados Salmos históricos (78; 105; 106; 114; 136). O Salmo 105 exalta longamente a Deus, que usou de benignidade com os patriarcas.
Claus Westermann afirma que o louvor sálmico brota da admiração inesgotável suscitada pela antítese misteriosa que aparece na obra divina. Através de seus atos, Deus se revela como “aquele que se assenta com majestade” e também como “aquele que tem compaixão”.
“A grandeza de Deus”, diz Claus Westermann, a sua “altura e a sua majestade são lembradas a partir de sua ação criadora e do domínio que ele exerce sobre a História. A sua graça age quando ele olha para a profundeza, quando liberta, salva, cura e quando dá pão aos famintos”.[5] 

7 Salmos como recordação e proclamação
A libertação do Egito e a peregrinação através do deserto são celebrados como ações de Deus (Sl 78; 105; 135). A terra prometida é exaltada como dom do Deus da aliança (Sl 44; 47; 78; 80; 105). Com frequência a comunidade se recorda da graça da Aliança e da fidelidade de Yaweh, através da qual está o acontecimento do Sinai; ela experimenta de novo, como no monte de Deus, a manifestação da sua glória (Sl 18.1-16; 50.2) e proclama sua fidelidade à sua vontade revelada (Sl 50.7; 81.10) e à sua lei (Sl 1.9; 119). Nos cânticos de Sião é mencionado de modo particular o lugar que o Senhor escolheu e presenteou com sua presença salvífica. Aí, no seu templo, eram executados em sua honra os cânticos do Saltério.

8 O pecado e o arrependimento
Onde havia sofrimento, concluía-se por uma culpa precedente e, como consequência, por um castigo divino. Pelo sofrimento o homem piedoso é levado a reconhecer o seu pecado, a arrepender-se e a pedir perdão. Isto é ilustrado de modo especial pelos Salmos 6; 32; 38; 51; 102; 130; 143; eles são conhecidos pela designação de “sete Salmos penitenciais”.[6]
O que prevalece nos Salmos mencionados não é a ideia de expiação, mas o pedido de libertação da dor. O que move mais profundamente aquele que ora não é a dor como consequência do pecado, mas a dor causada pelo fato de existir o pecado.

9 Autoria
Os Salmos foram originalmente anônimos. Os Salmos nasceram nas tendas dos exilados, e das memorias dos que retornaram para Jerusalém. Nos títulos dos Salmos foram aceitas tradições formadas no decurso da transmissão e do uso dos textos.

Conclusão
Os Salmos representam a fé do Antigo Testamento, cânticos ou orações. Muitos são os motivos, em parte pessoais, em parte litúrgicos, de sua formação; eles diferem quanto à forma e quanto ao conteúdo. Mas se concentram sempre em Deus, pressentido na história da salvação e na salvação por ele prometida. Depois de reunidos, eles constituíram, principalmente na comunidade pós-exílica, o livro dos cânticos das cerimônias litúrgicas e foram expressamente aplicados à nova situação.   


Bibliografia
SCHWANTES, Milton. Salmos da Vida: A caminho da justiça Salmos 120-134. São Leopoldo: Oikos, 2012.
SHREINER, Josef. Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004.
VV.AA. Os Salmos na Bíblia. São Paulo: Paulus, 1996.  
WEISER, Artur. Os Salmos: Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1994.

David Rubens





[1] Para um aprofundamento indico o excelente texto de SHILLING, Othmar. Os Salmos, louvores de Israel a Deus: Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004. p. 352.
[2] SCHWANTES, Milton. Salmos da Vida: A caminho da justiça Salmos 120-134. São Leopoldo: Oikos, 2012. p. 29.
[3] SCHWANTES, Milton. Salmos da Vida: A caminho da justiça Salmos 120-134. São Leopoldo: Oikos, 2012. p. 30.
[4] SHILLING, Othmar. Os Salmos, louvores de Israel a Deus: Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004. p. 366.
[5] VV.AA. Os Salmos na Bíblia. São Paulo: Paulus, 1996. p. 78.
[6] SHILLING, Othmar. Os Salmos, louvores de Israel a Deus: Palavras e Mensagens do Antigo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus, 2004. p. 368.

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