sexta-feira, 29 de março de 2019

453 - Milton Schwantes pregou na Basílica Nacional de Aparecida.

Registro Histórico



Em outubro de 2005, o Dr. Milton Schwantes, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pregou na novena de Nossa Senhora Aparecida na Basílica Nacional de Aparecida, em função da Campanha da Fraternidade ecumênica: “Felizes os que promovem a paz”.
A pregação foi sobre Romanos 12. 3-5, o texto afirma que todos são partes integrantes do corpo de Cristo e devem viver em harmonia.




Pela primeira vez, o Santuário Nacional de Aparecida abriu espaço para que um pastor fizesse uma pregação na Basílica Nacional, no momento que antecedia as festividades do dia 12 de outubro, Dia da Padroeira.
A abertura para um pregador não católico foi feita pela administração da Basílica Nacional com o objetivo de se praticar o ecumenismo em favor da paz, que foi o lema da Campanha da Fraternidade do ano de 2005, “Felizes os que promovem a Paz”.
Segundo o reitor do Santuário Nacional de Aparecida, padre Joércio Gonçalves Pereira, a proposta da pregação foi incentivar o ecumenismo e a união entre as igrejas para a promoção da paz.
“O pastor ficou muito contente com o convite para participar do terceiro dia da novena, que tem como tema Por Jesus, com Maria, semeamos a paz entre as igrejas”, disse o padre Joércio.
A maioria dos participantes da novena aprovou a inciativa da Basílica de convidar um pastor para fazer a pregação durante a novena.
A aposentada Maria Etelvina Ferreira, 56 anos, de Potim, que está participou da novena na Basílica Nacional, disse que a visita do pastor demonstra a união entre as religiões para uma cultura de paz, entre pessoas que professam cultos diferentes. “Cristo é o símbolo do amor, da união entre Deus e os homens e por isso temos que praticar o ecumenismo, respeitar as outras religiões e credos”, afirmou.
Segundo o arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, a igreja Luterana é uma das integrantes do Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) da qual também participam as igrejas Católica, Presbiteriana, Assembleia de Deus e Metodista. “Nossa meta é a paz, é um relacionamento pacífico entre os homens”, disse.
A assessoria de imprensa do Santuário Nacional, informou que cerca de 10 mil pessoas participaram da Novena de Nossa Senhora Aparecida, que foi encerrada no dia 11.

fonte: http://www.valeparaibano.com.br/fv/lutero.html 


A Campanha é uma iniciativa da Igreja Católica e ela, percebendo que a temática da paz é algo de interesse geral, não importando credo religioso, propôs à direção do Conic e esta aceitou o desafio. Foi maravilhosa a campanha. A proposta do ecumenismo e da campanha ecumênica não é discutir pontos doutrinais e sim as Igrejas trabalharem juntas em temas de grande interesse de nossos fiéis. Neste sentido, um dos temas da novena da padroeira foi exatamente neste rumo: “Por Jesus, com Maria, construímos a paz entre as Igrejas”, pois não podemos viver brigando, mesmo estando divididos por interpretações doutrinais. Assim sendo, surgiu a proposta do Santuário, com o devido aval do nosso bispo Dom Raimundo Damasceno, convidar o pastor Milton Schwantes para pregar este dia, o que foi maravilhoso, todos que participaram gostaram demais do respeito dele para com nossa Igreja e com nossa Mãezinha. Milton é membro de uma Igreja protestante clássica e muito antiga e é um homem de uma formação bíblica maravilhosa. Muitos de nós padres mais novos tivemos aula de Sagrada Escritura com ele e que maravilha de aulas com muito respeito e atenção a nossa decisão vocacional. 
Pe. Jorge Sampaio 
05 de outubro de 2005 

Milton Schwantes faleceu em 01 de março de 2012.

David Rubens de Souza




domingo, 10 de março de 2019

452 - Paulo: Uma Biografia. N. T. Wright.




N. T. Wright, considerado um dos principais teólogos do Novo Testamento da atualidade. Mestre e doutor em teologia, Oxford; professor de Novo Testamento em Cambridge e Universidade de St. Andrews, na Escócia. Bispo de Durham.
Nicholas Thomas Wright elaborou mais uma grande obra, Paulo Uma Biografia, o teólogo apresenta os principais momentos da vida do apóstolo, faz também um comentário detalhado das cartas e viagens do apostolo Paulo.
Interessante que Wright construiu uma obra profunda com uma linguagem extremamente simples, inclusive, não consta nota de roda pé e nem bibliografia no final do livro. Parece que o interesse do autor foi garantir a fluidez do texto, mas, sem desperdiçar as descobertas de outros grandes teólogos.
Lançamento 2019.
Adquiri o livro e estou gostando da leitura.
P. 478.
Recomendo a obra!
         


sábado, 9 de março de 2019

451 - Trindade e Reino de Deus: Uma Contribuição para a Teologia. Jürgen Moltmann.




Importante contribuição de Moltmann para a Teologia Sistemática.
A doutrina da Trindade é fundamental para o cristianismo, a Trindade, é a doutrina que mais o caracteriza em relação a todas as outras religiões.
Na obra Moltmann faz um resgate da doutrina, faz também uma denúncia contra certas formulações do dogma trinitário propostas por teólogos do passado sob a influência da linguagem metafísica aristotélica.
Moltmann aborda o assunto desde a tradição com Atanásio e Agostinho, passando por Lutero e Scheleiermacher, chegando ao grande teólogo e amigo Karl Barth.  
Obra belíssima, uma preciosidade!


segunda-feira, 4 de março de 2019

450 - Introdução à Exegese Bíblica. Michel J. Gorman



Excelente obra para quem deseja dar os primeiros passos na Exegese Bíblica, na verdade, a obra de Gorman pode ser utilizada por pesquisadores de todos os níveis, o autor tenta tornar o trabalho, que antes era possível apenas para uma minoria seleta, realizável para um público maior.
Na obra é possível conhecer a história da Exegese Bíblia começando com os pais da igreja, Método Alegórico e Literal, passando pela reforma com o Método Gramatico-Histórico, chegando até os métodos contemporâneos, Diacrônicos e Sincrônicos.
O autor apresenta vários exercícios para aplicação da exegese utilizando os principais métodos.
Recomendo o livro, obra acessível, acredito ser bastante útil para o estudioso da Bíblia.     

Editora: Thomas Nelson
P. 319.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

449 - “Temor por toda vida”. Jürgen Moltmann





Devemos viver mais modestamente
  
O pensador líder de uma teologia ecológica, Jürgen Moltmann, exige a conversão à reverência por toda a vida. O homem não é a coroa da criação, mas parte dela. 30 anos depois de sua “Teologia da Esperança”, Jürgen Moltmann exige uma “espiritualidade da vida”. Uma conversa sobre as esperanças apesar da catástrofe - e da morte.

Professor Moltmann, você alertou sobre o desastre ecológico há 30 anos e pediu a conversão. Agora a destruição global continuou sem controle. Você ainda tem esperança pelo mundo?
Jürgen Moltmann: Minha esperança é dirigida a Deus, o Criador. Mas também em pessoas que se tornam racionais e sábias. Um sinal disso é a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2015, em Paris, na qual todos os estados concordaram com um tratado de proteção climática. Esta foi a primeira vez que as Nações Unidas ouviram o grito da terra. Esse pensamento responsável prevalecerá apesar do atual desenvolvimento nos EUA. E assim espero que a terra sobreviva.

O que teria que acontecer para a terra sobreviva?
Moltmann: Deve haver uma reversão no pensamento: longe da pretensão de dominar o mundo das pessoas para a integração, para cooperar com as forças da natureza e as outras formas de vida. No paradigma moderno do mundo, o homem estava no centro e a terra deveria ser subjugada. Mas a terra é mais do que o domínio do homem. A terra é produtiva de acordo com o entendimento bíblico. Ela traz vida e o homem depende das outras formas de vida. Humanos não existiriam se as árvores, as plantas e os animais não existissem. Temos que devolver nossos próprios interesses, porque o bem comum da terra tem precedência.

O cristianismo é responsável pela destruição da natureza? Afinal, diz-se que o homem deve subjugar a terra ...
Moltmann: Não, o cristianismo não é o culpado. É a imagem do homem da Renascença que vê o homem como o centro do mundo e o vê como sua missão de subjugar a terra. Mas o mundo moderno nasceu há 400 anos, através da colonização de países africanos e sul-americanos e da ascensão da ciência e tecnologia. Isto foi interpretado como o cumprimento da promessa bíblica de que o homem tem uma posição especial no cosmo e que a terra está sujeita a ele. As interpretações bíblicas são sempre guiadas por interesses. E os interesses do paradigma moderno são óbvios. Mas na antiguidade e na Idade Média o homem não foi tão entendido

Então, a Bíblia não vê o homem como a coroa da criação e “governante” sobre a terra?
Moltmann: A coroa da criação não é o homem, mas o sábado. Deus coroou toda a sua criação criando e restaurando o sábado. As leis do sábado são usadas para garantir o futuro do país: a cada sete anos a terra deve ser vendida para que o país celebre seu grande sábado para o Senhor. Essa é a religião da terra. E você não deixa isso impune.
Hoje precisamos de um sábado para a terra, um sábado para o mar e um sábado para os ares, para que a terra se torne fértil novamente, a vida no mar se recupere e o ar se torne novamente limpo.

Vamos criar o paraíso na terra hoje?
Moltmann: Nossa esperança é para a nova terra em que a justiça vive. A nova criação começou com Cristo. O novo céu e terra profetizados por Isaías é uma terra sem matar e morte. Isso nos obriga a minimizar nossos atos de violência contra a terra e contra a vida e para garantir justiça e justiça na Terra - não apenas entre os humanos, mas também entre os seres humanos e os animais e entre os seres humanos e a Terra.

Como esse compromisso com a lei da terra poderia ser concreto?
Moltmann: Dois dos meus netos são veganos. Devemos reduzir o consumo de carne e principalmente o consumo de plástico. Devemos viver mais modestamente, ser menos consumistas e nos encontrarmos vivendo vidas mais felizes.

Precisamos de uma “reforma verde” na igreja? Como isso poderia parecer?
Moltmann: A espiritualidade dos cristãos é direcionada para a alma e o céu, expressa mais claramente na oração dizendo “Querido Deus, faça-me justo, eu vou para o céu”. A terra não ocorre. Se sou um “convidado na terra”, como cantou Paul Gerhardt, não sou responsável pela pousada. Precisamos de uma espiritualidade dos sentidos e da vida. Porque o Espírito Santo é derramado sobre toda a carne quando celebramos o Pentecostes. E            “carne” significa “vida”. Precisamos de uma nova reverência por toda a vida.

Será que essa abertura para toda a terra também significa uma abertura para a comunhão com as outras religiões?
Moltmann: Poderia criar uma comunidade inter-religiosa dos misericordiosos. Os salmos falam da grande misericórdia de Deus, o Novo Testamento vê em Jesus a personificação da grande misericórdia de Deus, e um dos mais importantes nomes de Deus no Islã é “o Todo-misericordioso”. No budismo, isso é chamado de “Karuna” - misericórdia não apenas com pessoas miseráveis, mas também com a natureza.

Com a morte, cada pessoa tem sua queda pessoal diante dele. Você tem medo da morte?
Moltmann: Eu não tenho medo da morte. Morrer pode ser desconfortável, mas a morte não me assusta. Eu espero pela ressurreição dos mortos. Imediatamente após a morte, a alma desperta para a vida eterna.

Toda a criação fará parte disso?
Moltmann: A nova terra será nova em uma extensão sem precedentes. Mas todos os seres vivos são criados para a esperança e nenhum deles está perdido.


Fonte: https://www.sonntagsblatt.de/artikel/glaube/theologe-juergen-moltmann-ehrfurcht-vor-allem-leben

448 - Apocalipse: Gênero e Origem. David Rubens de Souza



Os apocalipses cristãos representam um gênero literário de origem judaica. O cristianismo primitivo manifestou sua fé escatológica em grande parte nas categorias e formas da apocalíptica judaica. 

Denominação e Conceito
Com a expressão “apocalíptica”, uma expressão criada por F. Lücke (1791-1855), que designa duas coisas:
1 – O gênero literário dos apocalipses, isso é, escritos revelacionistas, que manifestam mistérios futuros e transcendentes;
2 – A concepção de mundo da qual procede a literatura.  
A denominação desse gênero literário como “apocalipses” remonta à antiguidade da Igreja. Ela é derivada das palavras iniciais do apocalipse neotestamentário de João (apocalipses de Jesus Cristo que Deus lhe deu, a fim de mostrar a seus servos o que deverá acontecer em breve 1.1).

Não se pode demonstrar a ocorrência de “apocalipse” como título de livro ou designação de gênero em época pré-cristã.
·As obras caracterizadas como “apocalipses” não tem uma autodesignação uniforme em sua origem.
·Não existe nenhuma unanimidade sobre como definir “apocalíptica” quanto ao conteúdo.
Essas obras literárias surgiram no decorrer de mais de 300 anos.

Os apocalipses judaicos mais importantes
1 – Daniel (época dos Macabeus);
2 – Assunção de Moisés (início da era cristã);
3 – 4 Esdras (após a destruição de Jerusalém, 70 d.C.);
4 – Baruque sírio (132 d.C.);
5 – Enoque etíope, cujas partes mais antigas são mais velhas que Daniel, as partes mais recentes são do séc. I a.C.).

Características literárias
Embora não se possa “determinar uma lei formal válida para todos os apocalipses”, repetem-se na maioria dos apocalipses judaicos determinadas peculiaridades formais, que devem ser consideradas como elementos estilísticos desse gênero literário.
Ø     Pseudônimo: O apocalíptico não escreve sob seu próprio nome, e, sim, sob o nome de um dos grandes do passado (Daniel, Moisés, Esdras, Enoque, Adão, etc.).
Ø     Relato de Visões: O modelo pelo qual o apocalíptico recebe suas revelações é, na maioria das vezes, a visão, mais raro a audição. Por isso os apocalipses se apresentam como relato de visões. A visão pode ocorrer no êxtase ou em sonho. Muitas vezes o visionário é arrebatado ao mundo celestial. Ocasionalmente faz o relato sobre sua visão pouco antes de sua morte; nesse caso, o apocalipse aparece na forma de um discurso de despedida.
Ø     Linguagem figurada: O que é visto é figura: ou figura que representa diretamente os próprios acontecimentos, ou figura que descreve os acontecimentos indiretamente, na forma de símbolos e alegorias. As figuras procedem do reino da natureza (animais ou plantas; nuvens e temporais), ou também da arte (a estátua de Dn 2).
Ø     Decodificação: Os apocalipses contêm muitas vezes reflexões sobre o significado das figuras. Raras vezes a compreensão fica a cargo do próprio visionário (visão de animais), na maioria das vezes ela lhe é proporcionada por meio de um mediador da revelação, com frequência por meio de um ou vários anjos-interpretes, ou pelo próprio Deus.
Ø     Sistematização: Um traço característico dos apocalipses consiste na tentativa de sistematizar a pluralidade dos fenômenos por sistemas ordenadores, especialmente números. Com o conhecimento da secreta ordem do mundo demonstram sua sabedoria dada por Deus.
Ø     Panorama da História em forma de futuro: O interesse dos apocalípticos volta-se, em primeiro lugar, para os iminentes acontecimentos escatológicos, para os horrores do tempo final e a glória do novo mundo. Esse interesse, porém, não levou apenas à predição dos acontecimentos futuros, e, sim – em virtude da antecipação fictícia – produziu resumos da História em forma de futuro.
Ø     Descrição do além: Visão do mundo do além. Para isso se recorre a descrição de arrebatamentos visionários. Em um êxtase, o visionário passa por mudanças de lugar e perambula por regiões estranhas e misteriosas na terra e no céu. Transmitem conhecimentos sobre a topografia do céu e do inferno, sobre hierarquia dos anjos, astronomia, etc., conhecimentos não acessíveis de outro modo.
Ø     Orações: A relação dos apocalipses com os problemas existenciais da vida se torna mais clara nas numerosas orações que se encontram em todas essas obras. Às vezes a oração tem a função de pedir a interpretação do que foi visto, tem a tarefa de desdobrar as perguntas que atribulam o visionário quando contrasta a relação de promessa divina e realidade histórica, para isso visão e interpretação dão a resposta. Ao lado de prece e lamento encontram-se também orações de gratidão e louvor.
Ø     Dualismo dos dois éones: O traço fundamental essencial da apocalíptica é o dualismo que se manifesta do modo mais claro em sua versão da doutrina dos dois éons: O velho mundo tem que desaparecer antes que se possa manifestar o mundo de Deus. Deus promete ao homem piedoso parte no novo éon.

Concepção de mundo
Universalismo e individualismo: O presente éon é considerado o éon mau. Apesar da soberania de Deus, ele é dominado por Satanás e seus poderes do mal, e marcado por crescente degeneração física e moral.
O visionário não sabe mencionar a data exata do fim; mas tem a certeza de que o fim virá em breve. Ele aponta para os sinais do tempo e conclama os leitores para estarem preparados para o fim, não porém, para calcularem o fim.
Nos detalhes, encontra-se uma grande variedade. Na concepção das pessoas salvíficas: a salvação pode ser efetuada por Deus e seus anjos, mas também pode ser efetuada pelo Messias ou pelo Filho do Homem. 

Origem
A pergunta histórico-religiosa pela origem de seus elementos estruturais e motivos leva a todas as esferas do Oriente Próximo:
Ø O dualismo dos dois éons, o contraste de Deus e Satanás, a doutrina dos anjos e dos demônios bem como a crença na ressurreição levam ao Irã;
Ø A doutrina dos quatro reinos leva através de Hesíodo a Zaratustra e à Índia;
Ø Resumos históricos na forma futura encontram-se no Irã e no Egito; 
Ø A descrição do mundo inferior lembra a cultura grega, astrologia e especulações com números são importados da Babilônia e o ano solar é importado do Egito.
Ø Fenômeno sincretista: A apocalíptica é um produto importado do período helenista, no qual várias influências culturais se cruzam na Palestina.

Relação de Jesus com a apocalíptica
Johannes Weiss: Primeiro estudioso do Jesus Histórico a entendê-lo como um profeta apocalíptico. Para ele, Jesus estava inserido dentro da extensa tradição apocalíptica judaica.
Albert Schweitzer (1841-1965) A orientação escatológica seria realmente um dos elementos centrais da mensagem de Jesus. Para ele o dito paradgmático encontra-se em Mateus 10.23. Jesus instruiu seus discípulos para avisar da urgência do arrependimento. A missão dos doze é o início do fim.    
Dentre os autores que acompanharam, de uma forma ou de outra a proposta de Shweitzer e Wiss, pode-se mencionar Rudolf Bultmann, Günther Bornkamm, W. G. Kümmel e Joachim Jeremias.    

Cânon
Dos numerosos apocalipses cristãos somente o Apocalipse de João foi admitido no cânon.

Referência
MESTERS, Carlos. OROFINO, Francisco. Apocalipse de João. São Paulo: Santuário/ Fonte Editorial, 2013.
PRIGENTE, Pierre. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 2002.
CASTRO, Flávio Cavalca. Apocalipse Hoje: Pequeno comentário ao livro do Apocalipse. Aparecida/SP: Santuário, 2018.

Resumo: Aula sobre o Livro do Apocalipse. David Rubens de Souza. 07/02/2019. FABAD.

sábado, 26 de janeiro de 2019

447 - Morreu Alessandro Rodrigues Rocha.




Faleceu hoje, 26 de janeiro de 2019, o teólogo Alessandro Rodrigues Rocha. Ele sofreu um acidente de carro na tarde de hoje e, infelizmente, não sobreviveu. Professor Alessandro vinha se destacando nos últimos anos como um dos mais promissores teólogos do Brasil com dezenas de publicações como Razão e Experiência; Filosofia, Religião e Pós-modernidade dentre outras.
Biografia
Graduado em Teologia pelo STBSB, graduação em Bacharel em Teologia pelo CES/JF, graduação em Filosofia pela UCP, especialista em Ciências da Religião pela UGF, especialista em Educação pela PUC-Minas, mestrado em Teologia pelo STBSB, mestrado em Humanidades, Culturas e Artes pela UNIGRANRIO, doutorado em Teologia pela PUC-Rio, pós-doutorado em Letras pela PUC-Rio, pós-doutorado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente é diretor do Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, professor da graduação e da pós-graduação da Faculdade Unida.

Alguns livros do prof. Alessandro.






























Tive a honra de conhecer o prof. Alessandro e aprendi a admirá-lo.
Recebi com profunda tristeza a notícia.





terça-feira, 8 de janeiro de 2019

446 - Entrevista com Jürgen Moltmann, Teólogo Protestante da Esperança,



O que pode (ainda) esperar? O grande teólogo da esperança, Jürgen Moltmann, 92 anos, compartilha aqui o que fez e vive



O que pode (ainda) esperar? O grande teólogo da esperança, Jürgen Moltmann, 92 anos, compartilha aqui o que fez e vive.

Você poderia mencionar alguns momentos essenciais da sua "existência teológica"? Como você se tornou o teólogo que é hoje?
Aos dezesseis anos, em 1943, fui alistado no exército alemão. Eu vim de um lar não religioso. Eu havia realizado meu catecismo com indiferença. Com um batalhão de defesa antiaérea, fui ao centro de Hamburgo e sobrevivi à destruição da cidade em julho de 1943. 14.000 pessoas morreram sob fogo. Foi então que gritei pela primeira vez a Deus: "Meu Deus, onde você está? "
Em 1945, fui feito prisioneiro e perdi toda a esperança até que um capelão me oferecesse uma Bíblia. Li os salmos de lamentação do Velho Testamento e a história da Paixão de Jesus. E eu sabia: "Aqui está um homem que te entende melhor do que todos os outros. O abandonado Cristo de Deus ajudou o abandonado prisioneiro de guerra de Deus. Durante meu cativeiro, comecei a estudar teologia e ver se isso levava a algum lugar.
Estudei teologia no Norton Camp, em Nottingham County, Inglaterra: havia uma escola de treinamento teológico cercada por arame farpado. Havia a mesma coisa na França, em Montpellier, para os prisioneiros alemães. Eu então estudei teologia em Göttingen. Eu queria ser pastor na RDA, mas os russos não me deixaram entrar. Foi assim que me tornei, durante cinco anos, pastor da aldeia perto de Bremen.
O segundo evento decisivo é, sem dúvida, o meu casamento com Elisabeth Moltmann-Wendel. Ela estudou teologia também. Seu amor me libertou dos laços da minha alma em cativeiro. Ela se tornou uma teóloga feminista na Alemanha. Nós levamos nossa existência teológica a dois. Ela morreu há dois anos.
Seu pensamento teológico mudou ao longo dos anos?
Sim, houve mudanças em minha teologia, desde a Teologia da Esperança (1964) até o Deus crucificado (1972) e o Tratado Ecológico da Criação (1985). Finalmente, eu tinha uma reorientação pneumatológico e então eu escrevi O Espírito dá a vida em 1989. Na teologia pentecostal americano foi descrito minha teologia como um reconhecimento crescente de que o Espírito Santo É muito importante para mim.
Isso está relacionado a situações políticas. As Igrejas Européias são Igrejas Constantinianas: o Estado garante a segurança da Igreja. As igrejas asiáticas, africanas e sul-americanas são minoritárias nos países budistas, socialistas ou xintoístas. Sua única segurança é o Espírito Santo e o testemunho que eles carregam no mundo ao seu redor. Além disso, eles não têm segurança.
Você poderia resumir o que você acredita em algumas frases? Qual seria o seu credo pessoal?
Eu entendo isso em uma frase: "No final - o começo" (Im Ende der Anfang). Isso é o que eu vivi. Foi isso que expliquei em minha teologia da esperança. E é também a experiência de Jesus Cristo: no final, há o começo - na cruz há a ressurreição.
Em breve será o Natal. Em sua teologia, fala-se muito da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo. Qual é o significado do Natal?
Grande alegria. Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, vem ao nosso mundo. O Natal é o nascimento do Salvador; Sexta-feira Santa é a morte do Salvador para todos nós; A Páscoa é a ressurreição do Salvador para um novo mundo.
Vamos chegar a esperança. O que distingue a esperança cristã de outras esperanças?
A esperança cristã vem da proclamação de Jesus sobre o reino de Deus que se aproxima. Ele pregou aos pobres, aos doentes e aos desesperados que eles têm esperança. A segunda âncora é a ressurreição dos mortos para a vida eterna. Nós somos ressuscitados imediatamente após a morte, não apenas no final dos dias em nossos túmulos.
Como você imagina a morte? Se eu me atrever a perguntar, como você imagina sua própria morte?
Eu não tenho medo da morte. Mas pode ser que morrer seja desagradável. O que eu estou esperando é entrar na luz quando eu morrer, à luz de Deus, na luz incriada de Deus - não a luz que sai agora, quando a noite cai.
Estritamente falando, só há pessoas mortas. Não há "morto". Ninguém nunca viu a morte. A única coisa que podemos ver são pessoas que morrem. Onde eles estão próximos, não sabemos. Ninguém jamais viu a vida eterna, exceto olhando para Cristo. E ninguém jamais viu o nada eterno do qual os homens não religiosos falam.
Antes de nascermos, não sabemos nada sobre esta vida. Antes da vida eterna, não sabemos nada desta vida que vem em nosso caminho. É um novo nascimento O bebê deixa o ventre materno em que ele estava seguro e nada sabe da vida que o espera. Ele deve aprender a respirar, ele deve aprender a receber comida pela boca, ele deve aprender a se mover, e ele não sabe nada disso quando está no ventre de sua mãe. O mesmo é verdade aqui: nós morremos nesta vida e nascemos de novo para a vida eterna.
Neste caso, esperar, é saber ou não saber?
Esperar é começar. Há algo de encantador em todos os começos, Hermann Hesse disse em um poema. No começo há algo encantador que nos tira de nós mesmos. Estamos aqui entre "conhecer" e "esperar".
Em sua teologia, a esperança é amplamente apresentada como brotando do sofrimento. Quais são os sofrimentos do homem de hoje em nossa sociedade ocidental?
Eu sou de uma geração que sobreviveu à guerra e viveu o fim do mundo. É impossível traduzir para os jovens que estão crescendo hoje. Eu estava um dia em Oslo. Os alunos me perguntaram sobre minha vinda à fé. Eu disse a eles o que vivenciei durante a guerra e durante meu cativeiro.
Eles então me perguntaram como alguém pode chegar à fé em circunstâncias normais (ele ri). Não encontrei uma boa resposta para lhes dar. Eu passei a conhecer a esperança como um homem da minha geração e prego a esperança como eu a conheci. A geração mais jovem de cristãos testifica o evangelho com outras palavras e eu o ouço.
É necessário ser um cristão sofredor e estar ciente disso para poder ter esperança?
Não. Devemos participar da vida de Jesus e do sofrimento de Jesus e da alegria do Ressuscitado. Fé, no sentido cristão, é comunhão com Cristo. Communio cum Christo, disse Calvin. O cristão é reconhecido pelo fato de acreditar em Cristo e viver com ele.
Como pode o homem, a mulher de hoje, também viver com esperança?
Todo homem que começa a viver espera levar uma vida bem-sucedida. Quando alguém encontrou o sentido de sua vida, ele está cheio de esperança. Homens de esperança vêem o mundo não apenas em sua realidade, mas também em suas possibilidades, e exploram essas possibilidades. Através do medo e do medo, exploramos as possibilidades de uma ordem negativa, para nos prepararmos para ela; na esperança e na alegria antecipada, exploramos as possibilidades que são positivas. Não há existência sem medo e sem esperança.
Essa é a esperança comum. A esperança cristã é, de fato, a esperança que Deus coloca nos homens. Deus não é apenas a nossa esperança: somos a esperança de Deus para a sua terra e para a sua criação . Eu estou ciente de existir quando alguém espera em mim e espera algo de mim. A vida do cristão é uma esperança para outros homens. Para mim, a morte de Dietrich Bonhoeffer foi uma esperança, porque quando ele veio fazê-lo, ele disse: "Este é o fim - para mim, o começo da vida eterna. E isso me convenceu.
No mundo ocidental, a geração mais jovem de teólogos não experimentou a guerra, o sofrimento indescritível, o mal em si mesmo. Qual seria o seu conselho para esses jovens teólogos?
Para os jovens alemães, eu daria o seguinte conselho: junte-se à associação "Sinais de expiação e serviço da paz" (Sühnezeichen und Friedensdienste). Foi criado há cinquenta anos e muitos jovens, incluindo meus próprios filhos, foram para Israel, Polônia e Rússia para ajudar as vítimas dos Nacional-Socialistas Alemães. E eles voltaram satisfeitos.
Entre escola e estudo, você precisa de um ano de vida prática. Sem isso, não entendemos nada sobre teologia. Conheço estudantes de teologia que nunca foram a um hospital ou funeral, que nunca viram uma pessoa morta ou conheceram um paciente.
E neste caso, o pensamento não vai longe o suficiente?
Nós ainda não vivemos.
O homem de hoje tem a impressão de que ele mesmo pode provocar o fim do mundo. Como a mensagem cristã da vinda final de Deus é compatível com isso?
Quando o mundo escurece nas trevas, diz o profeta Isaías, Deus cria um novo mundo em sua luz. A máquina de suicídio atômico não é apocalíptica: é obra de homens e é apenas destruição. "Revelação" significa revelação: é para ser entendida em um sentido positivo.
Deve um cristão desafiar esta ameaça em nome de sua esperança?
Sim! E deve estar comprometido com a paz e pressionar pelo desarmamento nuclear. Os atos do cristão são ética da paz, trabalho de reconciliação e trabalho de esperança. É estúpido que os homens não aprendam nada exceto através de desastres. Quando somos mais inteligentes, aprendemos fazendo o esforço para entender. Mas, Deus seja louvado, por setenta anos, nenhuma bomba atômica explodiu durante uma guerra.
É este o trabalho dos homens ou uma graça de Deus?
Recuso-me a colocar uma alternativa lá (ele ri). Os homens alcançaram isto com a graça de Deus: eles tiveram tempo e sabedoria.
Uma pergunta dos meus alunos. Eles entendem que a vida do cristão é caracterizada pela esperança em ação e resistência. Mas como o cristão pode lidar consigo mesmo, com suas fraquezas e fragilidades?
A esperança não é apenas o poder para começar: é também um poder que dá paciência. É preciso ter paciência não apenas em relação a outros homens que "batem nos nervos", mas também em relação a si mesmos. É difícil para os jovens! É uma questão de confiança em Deus e autoconfiança.
Tenho paciência comigo mesmo quando vejo claramente que Deus tem sido paciente comigo por tantos anos e não se desesperou comigo.
O homem de hoje pode se tornar um homem de esperança através de um esforço de compreensão, você disse, e não porque ele deveria ter passado por um desastre. Isso provavelmente exige muita reflexão e talvez muita oração?
Assista e ore. A oração não é uma faculdade própria do cristão. O Novo Testamento insiste em oração e vigilância. Ore, todos os homens fazem isso. Observar é a tarefa especial do cristão. Para orar, você tem que assistir. Em oração, geralmente fechamos nossos olhos.
Mas nós oramos Cristianamente quando temos nossos olhos abertos, direcionados para o futuro. Quando assistimos, sinalizamos os perigos do futuro; e quando alguém observa, alguém sinaliza a vinda do Reino de Deus. Reze e observe!
O que você está fazendo a si mesmo para não perder a esperança?
Eu de bom grado li o profeta Isaías, especialmente a segunda e a terceira parte. Eu li em 1 Coríntios 15 o grande capítulo da ressurreição. E eu recito o Salmo 103 todas as manhãs: "Coloque alegria em sua boca - e você se torna jovem novamente como uma águia. Eu preciso disso, com meus 92 anos de idade (ele ri).
É isso que a vida cristã é também uma pregação dirigida a si mesmo?
Sim! O salmo 103 começa assim: "Não esqueça de nenhum de seus benefícios! Aquele que perdoa todo o seu pecado e cura todas as suas fraquezas, que salvam a sua vida da corrupção, que te coroa com graça e misericórdia. "
Qual é a diferença entre fé e esperança?
Paulo diz em 1 Coríntios 13: "Agora fé, amor e esperança permanecem. No poema Pórtico do Mistério da Segunda Virtude, Charles Peguy disse: fé e amor se relacionam com o que está presente e esperam o que está por vir; a irmãzinha da esperança leva as grandes irmãs, o amor e a fé, para o futuro.
Assim, fé e amor dependem da esperança. Não há experiência real de fé sem esperança. E não há experiência real de fé sem amor. Os três se complementam.
O que seria amor em tudo isso, amor no sentido cristão?
O amor não busca a si mesmo: ama os outros e outras criaturas por si mesmos. Todo o resto seria apenas amor de si mesmo.
Existe também amor por Deus?
Sim. Mas devemos ter cuidado aqui para não nos afogar em um falso misticismo. O Shema Israel, é: 'Ouve, ó Israel, o Senhor vosso Deus, e você deve amá-lo com toda a sua força e com todas as suas faculdades. É "o Senhor" quem é Deus. O Senhor é aqui o Deus do Êxodo, o Salvador de Israel. O Senhor é também a morada, a descendência de Deus em Israel. Jesus é chamado o Senhor, o Salvador: Ele pode ser descrito como a morada de Deus entre nós.
O esoterismo e o misticismo não são compatíveis. Basta comparar Thomas Merton e Teresa de Ávila com a oferta mística do esoterismo hoje. Esoterismo busca transcendência. O misticismo cristão reconhece Deus através do sofrimento: o conhecimento de Deus passa pelo sofrimento de Deus.
Existe uma especificidade da experiência cristã, pela fé, esperança e amor?
A esperança nos permite fazer novas experiências. Na fé cristã, eu faço com a vida humana, com a socialidade humana outras experiências. Por exemplo, quando pertenço à Igreja, pertenço a uma comunidade que é do tamanho do mundo e não posso me tornar nacionalista.
Quais você acha que são os principais obstáculos à esperança no mundo de hoje?
É a ilusão, em nossos países ricos, de que somos ricos e de que não sentimos falta de nada. Eu viajei extensivamente pela Ásia e pela América do Sul. Lá, os pobres estão cheios de esperança, de modo que eles cantam e dançam nas igrejas pentecostais: eles não perderam o coração.
O homem secular vive em um mundo sem futuro. E a transcendência está fechada para ele. Ele faz sua vida, se puder, uma celebração permanente. Ele se diverte e não sabe nada sobre alegria.
A alegria é algo profundo e único. A diversão é superficial e te deixa com fome por mais diversão ainda, e nos deixa lá, sem graça e vazio.
Isso significa que a alegria vem quando ela quer?
Sim. Mas é por essa alegria que somos criados e nascemos.
Entrevista por Madeleine Wieger, professora da Faculdade de Teologia de Estrasburgo.



História de um retorno à esperança
Jürgen Moltmann nasceu em 1926 em Hamburgo (Alemanha). Ele cresceu em uma pequena família religiosa, apesar da cultura protestante. Aos quatorze anos, o adolescente é intimado a integrar a Juventude Hitlerista, como todos os jovens de sua idade. Três anos depois, ele será alistado no exército alemão, o que impedirá que ele termine o ensino médio.
De 1945 a 1948, prisioneiro de guerra, mudou-se do campo para o campo na Bélgica, Escócia e Inglaterra. É aí que ele revive a fé cristã - não sem passar por uma fase de perda de confiança em sua própria cultura, descobrindo os crimes nazistas. "Eu não encontrei Cristo, ele me encontrou", ele gosta de dizer. Nature and Fate of Man, de Reinhold Niebuhr, é a primeira obra de teologia lida pelo jovem Jürgen, depois colocada em um campo administrado pela organização protestante YMCA. Estamos em 1946
Depois da guerra, ele saiu para estudar teologia na Universidade de Göttingen, com um certo Karl Barth como professor. Em 1952, ele se casou com a teóloga Elisabeth Wendel. Juntos, eles terão quatro filhas. Então, de 1953 a 1958, ele foi pastor antes de iniciar uma carreira como professor. Sua Teologia da Esperança aparece em 1964 e fará Moltmann conhecido no cenário teológico internacional. Inspirará a teologia da libertação.
Claire Bernole

Ele é um daqueles teólogos que viveram antes de escrever ...
"No final - o começo. (...). Eu gostaria de traduzir por essas palavras o poder da esperança cristã, porque a esperança cristã é o poder de ressuscitar das falhas e derrotas da vida. É o poder que, sombras da morte, revive a vida. Ela é o poder para começar de novo, onde o pecado tornou a vida impossível. Pois ela é o espírito do Espírito da ressurreição de um homem traído, abusado e abandonado: Cristo. Porque Deus o despertou dos mortos, o fim de Cristo na cruz do Gólgota, aquele fim sem fim, tornou-se para ele o verdadeiro começo."
Assim abre o Pequeno Tratado da Esperança que Jürgen Moltmann publicou em 2018 (não traduzido para o francês). Na velhice, ele ainda está escrevendo. E ele ri. Eu digo a mim mesmo, observando que a teologia não é para ele um exercício acadêmico de grandes pessoas.
Ela é o que fala em sofrimento, por causa da ressurreição. E, por escrito, Jürgen Moltmann ainda está trabalhando com esperança, sem dúvida. Ele é um daqueles teólogos que viveram antes de escrever e que mergulham a pena na vida, mesmo quando falam da Trindade. Sua teologia é atingida pelo canto de sua experiência. Ele vibra com ousadia, já que a vida em si nem sempre é cautelosa. Ela ri do "o que dizemos": ela se aprofunda. Ela avança. Ele avança. Novamente.
MW






Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.