sexta-feira, 13 de novembro de 2020

531 - Pentateuco: História, composição e aspectos teológicos. David Rubens de Souza.



Esta obra visa desenvolver uma reflexão sobre os temas e aspectos mais acentuados de cada livro do Pentateuco. A autor faz uma introdução detalhada da origem de Israel e os principais temas de cada livro do Pentateuco. Para facilitar o estudo, o livro está dividido em quatro unidades, todas apresentam cinco capítulos.

Primeira unidade: história de Israel, origem e formação do povo de Deus; geografia da terra de Israel, os antepassados de Israel e as teorias sobre o processo de conquista de Canaã; Método Histórico-Crítico e a formação do Pentateuco; as unidades literárias dos cinco primeiros livros da Bíblia.

Segunda unidade: origem do monoteísmo; relacionamento de Deus com a raça humana; a responsabilidade humana pelo pecado; narrativas dos patriarcas.

Unidade três: estudo dos livros de Êxodo e Levítico; Israel no Egito, a missão de Moisés e a libertação do povo Hebreu; a teologia do Êxodo e a aliança de Deus com Israel.

Unidade quatro: introdução aos livros de Números e Deuteronômio; o Deus que renova e inspira seu povo; os mandamentos do Senhor e o monoteísmo como princípio da aliança de Deus com Israel; direito civil. 

Páginas: 223

Formato: 16 X 23

ISBN: 978 85 60068 56 2

Ano: 2020


530 - História da Igreja: Origem e desenvolvimento da fé cristã. David Rubens.

 


Esta obra tem por objetivo apresentar a história de dois mil anos da Igreja cristã. A caminhada começa com uma apresentação do mundo cultural, político e religioso que antecedeu o nascimento de Jesus. O leitor terá a oportunidade de conhecer a origem e o desenvolvimento do Império Romano, verá a influência da cultura helenística, filosofia e religião, na sociedade que precedeu o advento do cristianismo.

Alguns temas abordados na obra: cenário de Jerusalém no tempo de Jesus; atuação de grupos religiosos e revolucionários; Pais Apostólicos, surgimento de grupos heréticos as terríveis perseguições impetradas por imperadores romanos; cismas a Igreja na Idade Média; Reforma Protestante e o árduo processo de expansão do protestantismo na Europa; as missões católicas na América e no Oriente; estrutura da Igreja Ortodoxa Oriental; chegada e desenvolvimento do protestantismo no Brasil

Páginas: 230

Formato: 16 X 23

ISBN: 978 856006859 3

Ano: 2020

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

529 - A Terra se defende. Leonardo Boff.


Nós, esquecendo que somos uma porção da própria Terra, começamos a saquear suas riquezas no solo, no subsolo, no ar, no mar e em todas as partes. Buscava-se realizar um projeto ousado de acumular o mais possível bens materiais para o desfrute humano, na verdade, para a subporção poderosa e já rica da humanidade. Em função desse propósito se criou a ciência e a técnica.

Atacando a Terra, atacamos a nós mesmos que somos Terra pensante. Levou-se tão longe a cobiça deste grupo pequeno voraz, que ela atualmente se sente exaurida a ponto de terem sido tocados seus limites intransponíveis. É o que chamamos tecnicamente de “Sobrecarga da Terra” (the Earth overshoot). Tiramos mais do que ela pode dar. Agora não consegue repor o que lhe subtraímos. Então dá sinais de que adoeceu, perdeu seu equilíbrio dinâmico, aquecendo-se de forma crescente, formando tufões e terremotos, nevascas nunca dantes vistas, estiagens prolongadas e inundações devastadoras.

De repente, acordamos assustados e perplexos: esta porção da Terra que somos nós, pode desaparecer. Em outras palavras, a própria Terra se defende contra a parte rebelada e doentia dela mesma. Pode sentir-se obrigada a fazer uma amputação como fazemos de uma perna necrosada. Só que desta vez, é toda esta porção tida por inteligente e amante, que a Terra não quer mais que lhe pertença e acabe eliminando-a.

Será assim o fim desta espécie de vida que, com sua singularidade de autoconsciência, é uma entre milhões de outras existentes, também partes da Terra. Esta continuará girando ao redor do sol, empobrecida, até que ela faça surgir outro ser que também é expressão dela, capaz de sensibilidade, de inteligência e de amor.

 

Link. Link. Artigo completo.





quinta-feira, 8 de outubro de 2020

528 - Lançamento: O Apocalipse de São João. Pierre Prigent.



O Apocalipse faz plenamente jus ao seu nome: ele traz uma “revelação” e, como suas primeiras palavras o indicam, é a revelação de Jesus Cristo. No fim do século I de nossa era, o autor visionário desse escrito do NT realiza uma obra profética: ele revela para seus irmãos — e para nós — a verdadeira realidade, que não deve ser confundida com as aparências. O Império Romano aparecia como soberano do mundo. Como sua cabeça, o imperador exercia um poder absoluto, que inclusive pretendia a divindade. Mas subjacente a esta aparência há a realidade que Deus criou: o verdadeiro poder pertence a Cristo e aos que o seguem. Já aqui na Terra são testemunhas de um mundo novo, que nada nem ninguém consegue aniquilar. Então tudo é transformado, tanto na história dos indivíduos como na história do mundo: o céu visitou a Terra dos seres humanos, e a eternidade habita o tempo. Exegeta do Novo Testamento, Pierre Prigent propõe uma versão completamente revisada de seu comentário ao livro do Apocalipse, em que a primeira edição data de quase 40 anos. De lá para cá as pesquisas exegéticas, históricas e sociológicas ampliaram o conhecimento do Apocalipse. O autor leva isso em consideração e propõe aqui um comentário aprofundado — sem equivalente na língua francesa — de um livro do Novo Testamento que não deixa de fascinar.

 

Sobre o Autor: Pierre Prigent, nascido em 1928, foi professor de Novo Testamento na faculdade de teologia protestante da Universidade de Ciências Humanas de Strasbourg. Publicou, entre outros, L’image dans le judaïsme (1991) e Jésus au cinéma (1997).

 

Características:

Dimensões: 16.00cm x 23.00cm x 3.50cm

Data de Publicação: 01/10/2020

ISBN: 9786555040388

Páginas: 664

 


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

527 - Escrita Cuneiforme persa antigo



Introdução

O rei Dario I (550-486 a.C.) reivindica o crédito pela invenção do antigo cuneiforme persa em uma inscrição em um penhasco em Behistun, no sudoeste do Irã. A inscrição data de 520 a.C., e está em três idiomas - elamita, babilônico e persa antigo. Alguns estudiosos são céticos sobre as afirmações de Dario, outros as levam a sério, embora pensem que Dario provavelmente encarregou seus escribas de criar o alfabeto, em vez de inventá-lo ele mesmo.

 

Características notáveis

Tipo de sistema de escrita: misto (parcialmente alfabético, parcialmente silábico e parcialmente logográfico). O sentido da escrita é variável. Existem cinco logogramas que representam palavras comumente usadas.

 

A língua e a escrita

Persa antigo, a língua usada nas inscrições cuneiformes da dinastia quemênida e o vernáculo da elite quemênida. O persa antigo era falado no sudoeste da Pérsia, uma área conhecida como Persis, e pertence ao ramo iraniano ou à família de línguas indo-arianas.

 

Alfabeto




 

 

Numerais

 




 

Texto de amostra

 


 

Transliteração e tradução

  


526 - Deuteronômio: Apelo à conversão ao Deus oficial do Estado


 

Introdução

A palavra grega Deuteronômio significa “Segunda Lei”, frase retirada do próprio livro em 17.18. O título em hebraico significa “Palavra”. O livro não tem um autor único, ele foi atribuído a Moisés com o único objetivo de dar credibilidade ao texto. A parte mais antiga, do capítulo 12 ao 16, têm sua origem no período tribal de Israel de 1200 a 1000 a.C. O livro se formou aos poucos, o processo de produção, feito por várias mãos, durou quase quatro século, de 750 a 400 a.C. A tradição ganhou um novo formato durante a monarquia no Reino Norte, século VIII a.C., pelo movimento profético em denúncia a dominação e exploração do Estado.

Com a queda de Samaria em 722 a.C., alguns israelitas se refugiaram em Judá, levando consigo suas tradições. O material acabou servindo de base para a reforma do rei Ezequias, 2Rs 18. A tradição foi revista e ampliada pelos escribas do rei, para legitimar a política nacionalista e expansionista do rei Josias, 2Rs 23.2.

Posteriormente, no período do exílio e do pós-exílio, o texto foi mais uma vez editado, recebendo uma introdução, capítulos 1-4; e uma conclusão, capítulos 29-34, com a finalidade de incluir o texto no conjunto de Leis, Pentateuco. O livro ocupou papel preponderante no Reino do Sul, chegando a construir um movimento chamado “Escola Deuteronomista”, que continuou produzindo até o final do exílio Babilônico, sendo os responsáveis por importantes obras: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis.

 

Israel tribal e o culto a várias divindades  

O núcleo mais antigo do Deuteronômio, período pré-estatal, 1200 a.C., transparece uma organização comunitária: “Abre mão em favor do seu irmão, do seu pobre e do seu necessitado, na terra onde você está”, Dt 15.11.

Com o passar do tempo, uma lei foi estabelecida e partilhada entre os clãs, Dt 22.6-7. Essas leis eram recitadas nos cultos na família e no santuário, onde se manifestava a fé em divindades protetoras. Os primeiros israelitas prestavam culto a várias divindades, cultuadas na sociedade de Canaã:

El: o Deus supremo;

Elohim: o Deus dos pais,

Baal: o deus da chuva;

Aserá: a deusa da fertilidade;

Yahweh: Deus da guerra.

 

Reino Norte e o Santuário do rei: opressão e exploração

Já no período estatal, em 783, Israel passou por um tempo de prosperidade, e para manter o desenvolvimento, a corte estabeleceu uma política de centralização. Um dos meios foi a centralização do culto, das festas e do sacrífico no santuário de Betel, “santuário do rei”, Am 7.13.

Com a centralização do culto no santuário do rei, a religião sofreu mudanças; Yahweh tornou-se o Deus oficial do Estado. As outras divindades, El e Baal, foram condenadas. Nesse período, a maioria da população camponesa sofria com injustiça, violência e exploração pela elite de Samaria.

Com a queda de Samaria em 735, sob o Império Assírio, grande número de pessoas fugiram para Judá, levando consigo as diversas tradições de Israel Norte, por exemplo, Yahweh como o Deus oficial do Estado.

 

Judá e a centralização do poder e da riqueza

Com a destruição do Reino Norte, Judá começou a florescer como Estado, sendo incluído no comércio internacional assírio.

Para aumentar a riqueza e controle, o rei Ezequias fortaleceu o culto a Yahweh, Deus nacional de Judá, destruiu os santuários do interior e centralizou o culto em Jerusalém, Dt 12.5; e perseguiu as outras divindades, Dt 13.6; 2Rs 18.4.

Os escribas do rei, editaram as leis sociais e religiosas para legitimar a reforma de Ezequias. A reforma foi interrompida pela invasão Assíria. Em 620 a.C., a Assíria entrou em crise por causa da guerra contra a Babilônia. O rei Josias, de Judá, aproveitou o momento e retomou as reformas de Ezequias.

Josias fortaleceu o culto oficial do Estado, e perseguiu brutalmente a religiosidade popular dos camponeses, 2Rs 23.24. Destruiu os santuários do interior, os sacerdotes do interior foram mortos ou reduzidos a uma categoria inferior. Tanto a reforma de Josias como a de Ezequias tinham o objetivo político de centralizar o poder e a riqueza em benefício da elite de Jerusalém.

O desastre de Judá ocorreu com Joaquim, 609-597 a.C., e Sedecias, 597-587 a.C., atingidos pela Babilônia, 2Rs 23.36; 25.21. Jerusalém foi destruída, os sobreviventes perguntavam: quem foi o culpado? Yahweh, o Deus nacional abandonou seu povo? Os escribas começaram a organizar as atividades religiosas nas ruínas de Jerusalém, Jr 41.5; convocando o povo ao arrependimento e da obediência à Lei para restabelecer a aliança com Yahweh, Dt 30.15-16.

O surgimento do Império Persa, 538-400 a.C., a elite judaíta retornou do exílio babilônico, os escribas e sacerdotes reassumiram suas funções no templo e Jerusalém tornou-se o centro religioso e administrativo, explorando e oprimindo a população rural que permanecera na Palestina durante o exílio, Is 56.10; 58.1-7.

 

Templo e manutenção da elite de Jerusalém

A única forma de participar da sociedade e do templo era fazer sacrifícios, que incluía a entrega de ofertas. Dessa forma, o templo e a Lei tornaram-se os principais mecanismos de arrecadação de tributos e manutenção da teocracia de Jerusalém, que repassava uma parte da arrecadação ao Império Persa.

 

Conclusão

O conjunto da obra deuteronomista quer ser um apelo à conversão ao Deus oficial do Estado. A versão final do Deuteronômio, a serviço do templo, exalta a Lei, o sacrifício e a segregação através da política de puro e impuro.

 

Referência

NAKANOSE, Shigeyuki; MARQUES, Maria Antônia. A Lei a favor da vida? Entendo o livro do Deuteronômio. São Paulo: Vida Pastoral, ano 61 – Número 335, 2020.

Link para o texto completo em pdf de Nakanose e Maria Antônia: https://405ebfd9-4e56-42ff-8afc-6d275aee974c.filesusr.com/ugd/a34265_2c6fd3f18bdd472ca2262703b42365f4.pdf  

RÖMER, Thomas. A chamada história deuteronomista: introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008.

BORTOLINO, José. Pentateuco e História Deuteronomista. Aparecida: Santuário, 2018.

ILDO, Bohn Gass. Uma introdução à Bíblia: Formação do Povo de Israel. São Paulo: Paulus; Cebi, 2002.

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

525 - "Abre a tua boa e come"! Literatura e antropofagia: Rubem Alves.


A literatura é um processo de transformações alquímicas. O escritor transforma – ou, se preferem uma palavra em desuso, utilizada pelos teólogos antigos, “transubstancia” – sua carne e seu sangue em palavras e diz seus leitores:
“Leiam! Comam! Bebam! Está é minha carne, este é meu sangue!”
A experiência literária é um ritual antropofágico. A antropofagia não é gastronomia, é magia.
Come-se o corpo de um morto para se apropriar de suas virtudes. Não é esse o propósito da Eucaristia, o ritual antropofágico supremo?
Come-se e bebe-se a carne e o sangue de Cristo para se faze semelhante a ele.
Eu mesmo sou o que sou pelos escritores que devorei...
Rubem Alves

segunda-feira, 6 de julho de 2020

524 - Literatura: outros olhares sobre o texto bíblico.



Muitos escritores famosos usaram a Bíblia como fonte de inspiração. Ao longo da história, poetas, teatrólogos e romancistas adaptaram histórias bíblicas para suas obras.
Elaborei uma lista de premiados autores contemporâneos que usaram temas ou personagens bíblicos em suas produções literárias.

Escritor russo Fiodor Dostoiévski (1821-1881) retratou vários de seus personagens como figuras de Cristo, por exemplo, o príncipe Leo Myshkin, em O Idiota (1868-69), e Alyosha, em Os Irmãos Karamazov (1880).



Victor Hugo (1802-1885), escritor francês, criou figuras de Cristo no Bispo de Digne, na obra Os Miseráveis (1862). 



Romancista francês Gustave Flaubert (1821-1880), em Herodias (1877), ele amaldiçoa todas as pessoas ou grupos envolvidos na decapitação de João Batista. 



James Joyce (1882-1941), autor irlandês que escreveu o romance Ulisses (1922), produziu obras com temáticas bíblicas, podemos destacar a obra O Jesus Brincalhão. 



Poeta inglês T. S. Eliot (1888-1965), prêmio Nobel 1948, escreveu vários poemas sobre assuntos bíblicos, por exemplo: A jornada dos Magos (1927), Um Cântico de Simeão (1928).


Thomas Mann (1875-1955), escritor alemão, recebeu o prêmio Nobel em 1929, fez uma sofistica leitura de Gênesis na obra José e Seus Irmãos (1933-43). 



Nigeriano Wole Soyinka (1934-), ganhador do prêmio Nobel 1986, fez uso de temas bíblicos. Na peça Os moradores do Pântano, ele usa a Parábola do Filho Perdido misturada com outras histórias de conflitos entre irmãos. 


Patrick White (1912-1990), australiano prêmio Nobel em 1973, usou simbolismos bíblicos em seus romances, o personagem protagonista em Voss (1957) revela-se como uma figura de Cristo. 



Escritor sueco Pär Fabian Lagerkvist (1891-1974), prêmio Nobel em 1951, na obra Barrabás (1950), reflete sobre o que passou a ser a vida do personagem bíblico após ser libertado em lugar de Jesus. 



Nikos Kazantzakis (1883-1957), escritor grego, escreveu a famosa obra A última tentação de Cristo (1955), cuja abordagem incomum do Evangelho foi condenada pelas Igrejas Católica e Ortodoxa. 



O norte-americano John Steinbeck (1902-1968), recebeu o prêmio Nobel em 1962, escreveu sobre a história de Caim e Abel na obra A Leste do Paraíso (1952). 



William Faulkner (1897-1962), norte-americano, recebeu o prêmio Nobel de 1949, escreveu um romance sobre a paixão de Cristo, ocorrendo durante a Primeira Guerra Mundial, na obra Uma Fábula (1954). 



Escritor português José Saramago (1922-2010), prêmio Nobel em 1998, escreveu O evangelho segundo Jesus Cristo (1991), o romance foi censurado pelo governo português e excluído do concurso literário da Comunidade Europeia. 














David Rubens de Souza

Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.