quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

291 - A Teologia de Marcos: Apontamentos no Evangelho de Marcos




Introdução
A teologia do século IX concluiu que é em Marcos que devemos procurar a forma mais original da tradição de Jesus. Mas esta confiança foi abalada quando W. Wrede (1901) demonstrou que Marcos fora modelado pela teoria dogmática do Segredo Messiânico, e por fim quando K. L. Shimidt (1919) provou que a estrutura da historia de Jesus em Marcos constitui os elos de ligação das unidades dispersas da tradição, e que estes elos de ligação tinham sido criados livremente pelo evangelista, aquela conclusão da Teologia Liberal tornou-se insustentável.[1]

1. Estrutura do Livro
Por detrás de Marcos só são reconhecíveis unidades de tradição transmitidas isoladamente em pequenos grupos de unidades da tradição oral outrora juntas.

Exemplo:
Ø Discurso polêmico 2.1; 3.35
Ø Parábolas 4.1-32
Ø Milagres beira do lago 4.35; 5.43
Ø Narração da paixão 14.1-66
Este ponto de vista ficou bem conhecido graças ao trabalho da pesquisa crítico-formal.

2. Sobre as Fontes de Marcos
Das formas mais variadas, estudiosos determinaram as fontes de Marcos:

Ø R. Thiel conseguiu extrair de Marcos três evangelhos completos.
Ø E. Hirsch pensa num evangelho petrino que se teria difundido a partir de uma fonte, graças ao trabalho dos Doze.
Ø D. F. Robinson postula um Marcos resumido composto a partir de duas fontes, mas três fontes adicionais, além dos acréscimos do próprio redator.
Ø W. Knox admite como fontes pelo menos nove fragmentos.
Ø P. Parker diz que havia um evangelho judeu-cristão escrito em aramaico, reelaborado por Marcos de um ponto de vista gentio-cristão.
Ø M. Karnetzki, um redator teria ampliado uma fonte histórica que teria sido usada também por Mateus e Lucas, e um segundo redator teria produzido o Marcos, que conhecemos, utilizando tradições orais.
Ø H. A. Guy vê em Marcos uma compilação de páginas dispersas de papiros, a partir dos quais um redator teria feito um livro coerente.
Ø H. Köster sustenta que Marcos teria utilizado uma “fonte de Milagres”.[2]

Nenhuma dessas hipóteses é convincente. Assim para sermos mais precisos, diríamos que o evangelista teria combinado entre si pequenas coleções de diversas tradições e unidades dispersas da tradição, resultando disso tudo uma apresentação mais ou menos coerente.
Não havia na intenção de Marcos nenhuma preocupação de índole biográfica-cronológica.
C. H. Dodd, pretendeu mostrar que o arranjo da narração em Marcos, está essencialmente baseado na seqüência da história de Jesus transmitida pela tradição, tradição esta reconhecível em Atos 10.37,41.
Marcos escreve com a finalidade de proclamar a “boa-nova de Jesus Cristo, Filho de Deus”. Marcos apresenta a história de Jesus como uma seqüência cronológica tem seu ponto de partida na entrada em cena de João Batista e o ponto final da crucificação de Jesus sob Pilatos (1.9; 15.1).
Marcos evidencia, em seu Evangelho, como história, a relevância do Jesus terreno para o kerygma e justamente por isso é o criador do gênero literário “Evangelho”.            

Bibliografia
BORNKAMM, Günther. Bíblia Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003.
BULTMANN, Rudolf. Teologia do Novo Testamento, trad. Ilson Kayser. São Paulo: Teológica, 2004.
KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 17 ed. São Paulo: Paulus, 2004.


David Rubens
Pindamonhangaba-SP




[1] KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 17 ed. São Paulo: Paulus, 2004. p. 97.
[2] KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 17 ed. São Paulo: Paulus, 2004. p. 98. 

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