segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

300 - Nascimento Virginal de Jesus: Mito de Mateus e Lucas




Os autores dos evangelhos de Mateus e Lucas criaram o mito do nascimento virginal de Jesus. O texto que fundamenta o mito é citado em Mateus 1.20-23:

E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;
E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.
Mateus 1:20-23

Esse profeta citado é Isaías 7.14, e a situação original para a profecia em 734 ou 733 a.C. foi uma fracassada tentativa de persuadir Acaz, rei de Judá, reino judeu do sul, que estava sob ataque das forças conjuntas da Síria e de Israel, reino judeu do norte, a confiar em Deus em vez de recorrer ao auxílio do imperador assírio. Como Acaz  recusou a garantia do auxílio divino, ele recebeu uma profecia de condenação, em Isaías 7.14-25. Antes de qualquer “jovem mulher ter concebido e dar à luz um filho” e de esse filho “saber rejeitar o mal e escolher o bem” – ou seja, chegar à maturidade – os dois reinos agressores e o próprio reino de Acaz seriam devastados. Deus será de fato “Emanuel”, isto é, “Deus com ele” – mas no juízo, não na salvação. A profecia em Isaías nada diz sobre uma concepção virginal. Fala em hebraico de uma almah, uma virgem recém-casada, mas ainda não grávida do primeiro filho. Na tradução grega das escrituras hebraicas o termo almah foi traduzido como parthenos, que nesse contexto significava exatamente a mesma coisa – isto é, uma virgem recém-casada.
Não é possível supor que todas as tradições cristãs inicias considerassem que Isaías 7.14 profetizasse uma concepção virginal para Jesus. De fato, não pode ser encontrado em nenhum outro lugar fora da tradição dessa tradição independentemente conhecida por Mateus e por Lucas e usadas apenas em suas narrativas de infância.

  
David Rubens

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