quarta-feira, 19 de agosto de 2015

239 - Crítica das Formas e a Demitologização do Novo Testamento.


O manifesto de Bultmann, “O Novo Testamento e a mitologia”, publicado pela primeira vez em 1941, tornou-se o foco de agitação de um debate contínuo, frequentemente acompanhado de mal-entendidos. Duas observações iniciais:
1) Por mito, Bultmann não entende uma história imaginária ou algum tipo de conto de fadas, mas o uso de imagens para expressar o sobrenatural em termos deste mundo.
2) Dever-se-ia reconhecer a intenção profundamente pastoral da conclamação de Bultmann à demitologização, e., a interpretar o NT em termos existencialistas. Para Bultmann, a demitologização não é uma redução do NT, mas o único modo de tornar sua mensagem salvadora acessível hoje em dia.
Bultmann sustentava que a interpretação é necessária porque atualmente as pessoas não acham digna de crédito a cosmo- visão mitológica obsoleta do NT. Portanto, para que elas sejam desafiadas a uma decisão pelo querigma, o NT precisa ser demitologizado; o marco mítico do NT precisa ser interpretado, para expor a compreensão de vida humana contida nele. Bultmann encontrou no existencialismo de Heidegger uma ferramenta adequada para esta interpretação do NT. Além disso, para Bultmann esta interpretação é válida não apenas porque a própria natureza do mito a exige, mas também porque podemos ver este processo tendo início no próprio NT, especialmente em Paulo e João. Um exemplo desta demitologização no NT é a “escatologia realizada” de João, e, sua ênfase na vida eterna aqui e agora, não em algum futuro distante. Finalmente, o aspecto pastoral da demitologização se torna claro quando se percebe que a eliminação da pedra de tropeço desnecessária da mitologia ajuda Bultmann a expor a verdadeira pedra de tropeço, a ofensa do evangelho que proclama que o ato escatológico de Deus “por nós e para nossa salvação” ocorreu na vida e morte de Jesus Cristo.
A reação perceptiva discordante de Bultmann (distinta da reação fundamentalista) não se dirigiu contra a necessidade básica de reinterpretar, decodificar, “demitologizar” algumas das imagens míticas do NT, mas contra o juízo de Bultmann sobre o que constitui imagem ou mito inaceitáveis. Por exemplo, a ressurreição dos mortos e o miraculoso, que, para Bultmann, não são mais significativos atualmente, continuam significativos no juízo de outros pesquisadores.


Acompanhe a continuação do estudo na próxima postagem...

David Rubens



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Tradução: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. parte do artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.